Política
‘Affordability’: conceito em alta nos EUA e na Europa pode influenciar eleições no Brasil, apontam analistas
Inflação fecha o ano de 2025 em 4,26%
O aumento do custo de vida passou a decidir eleições nos Estados Unidos e na Europa — e pode influenciar também a disputa eleitoral de 2026 no Brasil, avaliam especialistas. O conceito de “affordability”, que mede o quanto a renda dá conta das despesas do dia a dia, ganhou força após a alta da inflação no pós-pandemia. Em torno dessa ideia, o então candidato à prefeitura de Nova York, o democrata Mamdani, construiu sua campanha vitoriosa.
A estratégia se espalhou para os campos progressistas no hemisfério norte. O g1 ouviu especialistas para saber se essa tendência será relevante também nas eleições do Brasil em outubro.
🔍Mas afinal, o que é “affordability”? O termo pode ser traduzido para o português como custo de vida. Se refere à capacidade da população custear bens e serviços cotidianos. É um conceito que se relaciona diretamente com a inflação, o índice que mede a diminuição do poder de compra da moeda.
“Em palavras mais diretas, é o impacto do custo de vida sobre a decisão de voto. Isso me lembra da frase do estrategista de campanha de Bill Clinton em 1992, que para direcionar a disputa contra George Bush nesse aspecto, disse: ‘É a economia, estúpido’”, explica o doutor e professor de Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB), Carlos Oliveira.
📈 Com a pandemia de Covid-19 e a Guerra da Ucrânia, a inflação teve uma grande alta nesses países. Isso fez com que a população sentisse na prática a diminuição do poder de compra e por isso a palavra ganhou destaque nas últimas eleições.
De acordo com o cientista político e analista de Inteligência Qualitativa na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Leonardo Paz, isso acontece porque a Europa e os Estados Unidos “são acostumados com uma inflação de 1%”.
“No ano você nem sente. Quando você pega uma inflação que chega a 8% ao ano, você sente, em dois anos seguidos. A pessoa sente que está conseguindo comprar menos”, afirmou.
Ele reforça que o custo de vida está no centro de eleições em democracias ao redor do mundo e deve aparecer também nas campanhas brasileiras.
“Eu posso garantir com 100% certeza, e olha que são poucas as coisas que eu posso garantir com 100% de certeza quando dou entrevista, é que esse tema vai ser importante, porque custo de vida é um tema importante de todo país em desenvolvimento”, confirmou o analista.
Mulher escolhendo frutas enquanto faz compras no mercado
Reprodução/Freepik
Pauta central em vitórias de democratas nos EUA
Zohran Mamdani toma posse como prefeito em Nova York
O Partido Republicano apostou forte em crime, imigração e guerras culturais como forma de mobilizar sua base e conquistar o eleitorado.
Os Democratas, por sua vez, deslocaram o foco para a vida cotidiana usando o “affordability” como tema central. Um conceito que conectou temas dispersos como moradia, energia e educação.
Em Nova Jersey, a deputada democrata Mikie Sherrill venceu com vantagem confortável a eleição para governadora do estado ao defender temas que tocam diretamente o bolso dos moradores.
A campanha de Sherrill destacou propostas para reduzir o custo da energia elétrica e dos serviços públicos, facilitar a oferta de moradia mais barata e apoiar pequenas empresas com menos burocracia e mais crédito.
O mesmo aconteceu nas eleições do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que conquistou eleitores ao centralizar suas pautas em torno de preços de aluguel, escolas de bairro bem financiadas e apoio a pequenas empresas.
Por que isso interessa para o Brasil?
O Brasil vive uma dinâmica semelhante. A esquerda busca competitividade defendendo temas como a democracia e direitos do trabalhador. Enquanto a direita aposta em segurança pública, costumes conservadores e menor interferência do Estado na economia.
Entretanto, os brasileiros percebem um aumento no custo de vida e cobram ações dos representantes que serão eleitos. A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14) mostra que 61% dos brasileiros acreditam conseguir comprar menos hoje com a renda que recebem, do que a um ano atrás.
No caso da classe média, no entanto, que não é tão beneficiada por programas sociais e tende a ser sensível ao impacto da inflação, o tema do custo de vida pode ser decisivo na eleição. Mas isso vai depender da inflação às vésperas do período eleitoral.
O cientista político Leonardo Paz explica que a classe média “fica mais espremida” porque “sente mais o aumento dos preços”.
“Para reforçar esse ponto, os estudos sobre escolha do voto mostram que ‘o bolso do indivíduo’ médio é o grande indutor do voto. Se as pessoas se sentem desoladas por um custo de vida alto, normalmente vão colocar isso no radar, mesmo que seja de maneira automática, sem pensar demais. A solução poderia ser, para essas pessoas, trocar o governo. Quando o dinheiro não é suficiente nem para comer, é muito intuitivo esperar que a mudança de governante seja uma solução”, explicou ele.
Esquerda ou direita: quem vai explorar esse tema?
No Brasil, o tema do custo de vida, principalmente para as classes mais pobres, já faz parte do cenário eleitoral. Tanto que essa pauta, que era historicamente da esquerda, passou a ser encampada também pela direita.
O Bolsa Família, por exemplo, foi uma bandeira eleitoral durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas passou a ser defendida também no mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“O próprio Bolsonaro, ele encampou o Bolsa Família. Hoje eu acho que nenhum político ganha nenhuma eleição para executivo, dizendo que vai cortar o Bolsa Família. É inviável”, analisou Leonardo Paz.
Carlos Oliveira avalia que “se o custo de vida estiver baixo, sem dúvida, ‘affordability’ é um tema de quem busca reeleição. Caso contrário, é da oposição”.
“Com custo de vida baixo, o governo certamente quererá o tema como central na disputa, quererá ter a hegemonia desse discurso. No fundo, todo grupo político foca o discurso na melhoria de vida das pessoas, tendo as diferenças de como se alcançará isso”, disse.
Para o professor, se o governo conseguir comunicar para as pessoas que o custo de vida está mais acessível do que em outras épocas, poderá capitalizar votos para a reeleição de Lula. Caso contrário, “é um argumento certo para a oposição”.
Carlos Oliveira ainda acrescenta que se essa for a situação, “a direita está na dianteira deste debate, porque apresenta soluções normalmente mais simples, de mais fácil compreensão”.
“Quem está no governo, muitas vezes, fica na defensiva, afinal, a sensação de insegurança é sentimento do indivíduo e no contexto do momento. É difícil convencer as pessoas de que a segurança vai bem se elas estão com medo, por exemplo. Portanto, numa resposta curta, tudo vai depender da capacidade de a esquerda ou direita colocar um (custo de vida) ou outro (segurança) tema na cabeça dos eleitores”, afirmou.
Segurança pública
Por mais que o custo de vida e a economia em geral sejam tópicos relevantes para contar ou tirar votos de um candidato, a segurança pública deve continuar protagonista nos debates.
Segundo Carlos Oliveira, isso ocorre porque as pessoas respondem muito a emoções particulares, e a segurança, no Brasil, tende a mobilizar mais.
“Para o caso brasileiro, no momento, o custo de vida não me parece o assunto central do debate eleitoral. A disputa, pelo menos por ora, parece se constituir em torno do tema ‘segurança’. Várias pesquisas de opinião mostram que esse tem sido o tema mais preocupante para a maioria da população, e um aspecto muito relevante é ser um problema inerente a todas as classes sociais”, disse.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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