Economia
Apple, 50 anos: 3 sucessos e 3 fracassos da empresa em sua história
Fachada da loja da Apple em Manhattan, em Nova York, em 21 de julho de 2015
REUTERS/Mike Segar
Poucas empresas conseguiram definir como as pessoas usam a tecnologia no seu dia a dia tão categoricamente quanto a Apple.
A empresa comemorou seus 50 anos de fundação na semana passada. Ela foi fundada por dois Steves, em uma garagem de São Francisco, no Estado americano da Califórnia.
Seu sucesso foi realmente estrondoso, mas a companhia também foi marcada por alguns fiascos notáveis.
Atualmente, cerca de uma a cada três pessoas do planeta tem um produto da Apple. Para Emma Wall, estrategista-chefe de investimentos da empresa de serviços financeiros Hargreaves Lansdown, este sucesso tem muito a ver com o marketing da empresa, além do seu próprio hardware.
“Eles venderam um sonho”, ela conta.
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Wall acredita que eles desenvolveram algo “bastante novo na época — a ideia de que a marca é tão importante quanto a linha de produtos.”
A série de sucessos da Apple, sem dúvida, diminuiu após a morte do visionário Steve Jobs (1955-2011), um dos seus fundadores. A empresa passou a se concentrar mais em aprimorar sua tecnologia já existente.
Ken Segall, diretor criativo de Jobs por 12 anos, declarou à BBC que o atual executivo-chefe da Apple, Tim Cook, fez um “trabalho incrível” de adaptação com o passar do tempo, mantendo a rentabilidade da empresa.
Mas ele destaca que muitos puristas da Apple ainda não se sentem tão animados com a fase atual da companhia, pois “eles se lembram da antiga Apple, que era Steve Jobs.”
Com a Apple completando meio século de existência, pedimos a especialistas e analistas da tecnologia que observassem algumas das mudanças mais significativas trazidas pela empresa para o mundo da tecnologia e as ocasiões em que ela, indiscutivelmente, errou o alvo.
iPod (sucesso)
Longe de ser o primeiro aparelho de música digital portátil na época do seu lançamento, em 2001, o iPod é um dos “produtos mais simbólicos da Apple”, segundo Craig Pickerill, do blog The Apple Geek — não apenas pelo que ele foi, mas “pelo que ele mudou”.
“Os aparelhos de MP3 eram desajeitados, sua armazenagem era limitada e gerenciar sua biblioteca de músicas parecia dar trabalho”, relembra ele. “O iPod mudou tudo isso quase da noite para o dia.”
O iPod foi lançado em 2001 e abriu o caminho para que o download legal de música digital se tornasse o padrão do setor
Getty Images via BBC
O design de anel de clique diferenciava o aparelho, que introduziu a biblioteca iTunes, abrindo o caminho para que o download legal de música digital se tornasse o padrão do setor.
Lançado em 2007, o iPod Touch foi projetado pela mesma equipe que viria a inventar o iPhone — que rapidamente superou o iPod.
“Sem o iPod, a Apple provavelmente não teria o apoio financeiro e a maturidade operacional necessárias para assumir a complexidade da indústria do smartphone”, afirma o analista de tecnologia Francisco Jeronimo, da empresa de pesquisa de mercado IDC.
iPhone (sucesso)
Mais de 200 milhões de iPhones são vendidos todos os anos. São cerca de sete aparelhos comprados a cada segundo, em algum lugar do planeta.
Para Ben Wood, da empresa de análise de mercado CCS Insight, o iPhone é o “Hotel Califórnia dos smartphones”. Quando você tem um, é “muito improvável que você saia” do ecossistema da Apple para um aparelho concorrente, com sistema Android.
“iPod, telefone e comunicador via internet. Não são aparelhos separados, este é um aparelho”, declarou Steve Jobs, radiante com a primeira versão do celular nas mãos, ao apresentá-lo ao mundo em 2007.
‘iPod, telefone e comunicador via internet’: Steve Jobs apresentou a primeira versão para o mundo em 2007
AFP via Getty Images
Como muitos produtos revolucionários da Apple, o iPhone não foi o primeiro exemplo da sua espécie. Outros telefones já tinham capacidade de acesso à internet ou telas sensíveis ao toque.
Mas a jornalista especializada em tecnologia Kara Swisher defende que seu “belo marketing” ajudou a catapultar o aparelho para o público.
“Ele fez você pensar no iPhone não como um aparelho tecnológico, mas como um dispositivo de romance”, afirma ela.
Apple Watch (sucesso)
Na época do lançamento do Apple Watch, em 2015, Steve Jobs já havia morrido de câncer.
Mas seu sucessor, Tim Cook, assumiu com um propósito condizente com seu predecessor: produzir o melhor relógio de pulso do mundo.
Em termos de receita gerada para a Apple (cerca de US$ 15 bilhões, ou R$ 78 bilhões), é difícil argumentar que o smartwatch mais vendido do mundo não tenha atingido seu objetivo.
“Como negócio isolado, o Apple Watch ficaria confortavelmente entre as 250 a 300 maiores empresas dos Estados Unidos”, segundo Wood.
O sucessor de Jobs, Tim Cook, queria produzir o melhor relógio de pulso do mundo
Getty Images via BBC
Seu primeiro protótipo era relativamente básico, mas seus modelos futuros também foram pioneiros na tecnologia de saúde vestível. Funções como o monitoramento cardíaco fizeram dele um importante promotor da tecnologia de saúde e fitness.
Atualmente, acredita-se que o Apple Watch venda mais unidades todos os anos do que toda a tradicional indústria de relógios de pulso suíços.
Apple Lisa (fracasso)
De certa forma, o computador pessoal Apple Lisa, lançado em 1983 pelo alto preço de cerca de US$ 10 mil (cerca de R$ 52 mil, pelo câmbio atual), foi inovador.
Ele foi um dos primeiros PCs a incorporar uma interface gráfica de usuário (GUI, na sigla em inglês) e um mouse.
O Apple Lisa foi lançado em 1983 por cerca de US$ 10 mil (R$ 52 mil)
Science & Society Picture Library via BBC
Mas o analista de tecnologia Paolo Pescatore afirma que o computador, destinado às empresas, era “caro demais”, o que impediu seu sucesso comercial.
O fracasso, para ele, demonstrou que “estar à frente na curva não é suficiente se o produto estiver mal posicionado”.
A Apple aprenderia com seus erros ao lançar o Macintosh original, um ano depois, com preço relativamente melhor para o consumidor final, de US$ 2.495 (cerca de R$ 13 mil, pelo câmbio atual).
Teclado ‘borboleta’ (fracasso)
O teclado com design “borboleta” da Apple foi um mecanismo introduzido nos laptops em 2015. Para Pickerill, ele foi um “raro deslize de confiabilidade”.
Usado em aparelhos como o MacBook Air, o design consistia em equipar os teclados com teclas de encaixe bilateral que pareciam asas de borboleta.
O design do teclado foi um ‘raro deslize de confiabilidade’
Bloomberg via Getty Images/BBC
Mas ele dividiu opiniões. Algumas pessoas afirmavam que o mecanismo dificultou a digitação nos teclados, dando a impressão de que a Apple estaria “priorizando a pouca espessura e não a durabilidade”, segundo Pickerell.
Em 2019, a empresa apresentou um novo MacBook Pro de 16 polegadas, sem o teclado borboleta.
Vision Pro (fracasso)
Para Wood, um fracasso notável e muito mais recente da Apple foi o headset Vision Pro, o primeiro lançamento importante da empresa desde o Apple Watch.
Wood acredita que a grande aposta da Apple na realidade aumentada acabou sendo muito “complicada”, sem conteúdo que permitisse igualar o sucesso de outros produtos da empresa.
O site de notícias de tecnologia The Information afirma que a companhia reduziu a produção do headset de US$ 3,5 mil (cerca de R$ 18 mil) poucos meses após o lançamento, devido à baixa demanda e à grande quantidade de estoque não vendido.
O fracasso significa que a Apple “provavelmente será cautelosa para entrar rapidamente em áreas relacionadas, como óculos inteligentes”, segundo Wood.
A grande aposta da Apple na realidade aumentada acabou sendo muito ‘complicada’
Getty Images via BBC
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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