Connect with us

Economia

As três palavras que vão te ajudar a impor limites no trabalho

Published

on

Dizer “‘eu não posso’ abre espaço para negociação, as pessoas podem tentar convencer você de que, na verdade, você consegue”, diz Tupper
Getty Images via BBC
Dizer “não” ao chefe parece impossível.
Seja qual for o trabalho, todos nós preferimos causar boa impressão a decepcionar.
Mas a ambição pode ser um terreno escorregadio: quando você percebe, o trabalho já entrou em casa, tomou os fins de semana e ocupou o tempo com a família e os amigos.
Especialistas afirmam que aprender a impor limites é a melhor forma de conter essa invasão.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Uma mudança simples na linguagem ajuda a reforçar limites, afirma a coach de carreira Helen Tupper, cofundadora da Squiggly Careers.
Ela recomenda trocar “eu não posso” por “eu não quero”.
Dizer “‘eu não posso’ abre espaço para negociação, as pessoas podem tentar convencer você de que, na verdade, você consegue”, diz Tupper.
Mas “eu não quero” é mais definitivo e difícil de contestar.
Por exemplo, você pode dizer “não participo de reuniões após as 17h de quarta-feira, porque busco os meus filhos nesse horário”, sugere Tupper.
A modelo e chef de TV Lorraine Pascale afirma que não fazer isso acabou levando ao seu esgotamento.
Além da carreira na televisão, ela abriu uma confeitaria em Covent Garden (bairro de Londres) e publicou uma série de livros de receitas, tudo enquanto criava a filha.
“Eu simplesmente não era muito boa em dizer não.”
“Você não quer desagradar ninguém, todo mundo fica te dizendo o que você deveria estar fazendo. Então você simplesmente continua”, disse ao programa The Woman’s Hour Guide to Life (A Hora da Mulher – Guia para a Vida, em tradução livre).
Ela acrescenta que o seu perfeccionismo, incluindo aprovar pessoalmente cada receita de seus livros, não ajudava.
Para Pascale, o esgotamento (burnout) se manifestou física e mentalmente, incluindo “não querer se aproximar” de bolos.
“Foi como uma reação de corpo inteiro; uma sensação de aperto no peito”, explica. “Eu discutia comigo mesma. Era muita autocrítica, sentia muita culpa e muito cansaço.”
A experiência de Pascale mostra que o burnout pode afetar qualquer pessoa, em qualquer nível, mesmo que as estatísticas indiquem maior probabilidade entre mulheres — em parte devido às responsabilidades familiares adicionais.
Claire Ashley, autora de The Burnout Doctor (A Médica do Burnout, em tradução livre), escrito após vivenciar o problema ela mesma, diz que, na prática, manter uma rotina rígida sobre o horário de término do trabalho permite que o cérebro complete o “ciclo do estresse” e aproveite o tempo livre.
Mas a solução real é ajustar seus objetivos à sua “capacidade atual”.
“Pergunte a si mesmo se o que você deseja alcançar é razoável, considerando seus recursos mentais e emocionais no momento”, Ashley diz.
No caso de Pascale, isso envolveu afastar-se da cozinha e começar a fazer terapia. A experiência a ajudou a entender que os elementos tóxicos de sua necessidade de impressionar vinham da infância em lares adotivos.
Desde então, Pascale começou a estudar psicologia e afirma estar “muito melhor”, retornando gradualmente à cozinha de forma mais “intencional”.
É claro que o estresse e longas jornadas fazem parte de qualquer trabalho.
Mas as estatísticas mostram aumento no número de trabalhadores chegando ao limite.
Pesquisas sugerem que 9 em cada 10 trabalhadores experienciaram níveis altos ou extremos de pressão ou estresse no último ano.
Em 2023, 421 pessoas foram afastadas do trabalho por burnout no Brasil — maior número dos últimos dez anos, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Ministério da Previdência Social. O aumento ocorreu principalmente durante a pandemia. De 178 afastamentos por burnout, em 2019, o Brasil passou para 421, em 2023, um crescimento de 136%.
Se sentir estressado ou esgotado não é o mesmo que ter síndrome de burnout ou síndrome do esgotamento profissional, embora se use muitas vezes o termo de forma ampla.
Ashley explica que exaustão, distanciamento e queda de desempenho são os três sintomas definidores.
Se não apresentarmos todos eles, ainda não há diagnóstico de burnout. Mas, claro, isso não significa que não estejamos a caminho dele.
‘Corra a sua própria corrida’
Tupper, da Squiggly Careers, lembra que é importante parar, celebrar e reconhecer seus próprios sucessos, e não apenas focar na próxima tarefa.
Se esforçar para evitar comparações com colegas também ajuda a “correr a própria corrida”, acrescenta Tupper.
É claro que nem todos têm condições de se impor no trabalho, especialmente em ambientes corporativos ou hierárquicos.
O psiquiatra do NHS (sistema público de saúde do Reino Unido) e autor de Burnout-Free Working (Trabalho Sem Esgotamento, em tradução livre), Richard Duggins, frequentemente atende pacientes que sentem que não conseguem estabelecer limites.
Ele os incentiva a conversar com seus chefes, independentemente do nível hierárquico.
“A maioria dos empregadores, mesmo os mais rígidos, escuta e faz ajustes quando entende que prevenir o burnout beneficia a todos”, diz.
Segundo Duggins, estabelecer limites, pedir ajuda ou ajustar a carga de trabalho ou a flexibilidade pode ajudar; mas, no fim, se o ambiente de trabalho não mudar, precisamos fazer mudanças para nos proteger.
Valorizar as diferentes fases da vida também pode contribuir, observa Ashley.
“É aceitável reconhecer que alguém que trabalha meio período, ou com responsabilidades familiares, pode não conseguir acompanhar a carga de trabalho de um colega mais jovem.”
Como resume Pascale: “Ser ambicioso é bom. Ser ambicioso é algo bonito, mas aprenda a dizer não com mais frequência.”
LEIA TAMBÉM:
É possível evitar o burnout?
Os sinais de alerta de ‘burnout’ que você não deve ignorar
O Brasil enfrenta uma epidemia de ‘burnout’?
Brasil tem o maior número de afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão em 10 anos

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

Published

on

By

Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

Continue Reading

Trending

Copyright © 2022 InfoDourados