Política
Banco Central: caderneta de poupança tem saída de R$ 85,6 bilhões em 2025
Caderneta de poupança teve saída de recursos pelo quinto ano seguido em 2025
Foto/Sicoob
As retiradas de recursos das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 85,6 bilhões em todo ano de 2025, informou nesta sexta-feira (9) o Banco Central (BC).
De acordo com a instituição, em 2025:
os depósitos somaram R$ 4,27 trilhões;
as retiradas totalizaram R$ 4,36 trilhões.
Esse foi o quinto ano seguido de saída de recursos da poupança. A evasão no último ano foi a maior desde 2023, ou seja, em dois anos. A série histórica começa em 1995.
Com a retirada de recursos da poupança no último ano, o estoque dos valores depositados, ou seja, o volume total aplicado, registrou queda para R$ 1,02 trilhão no fechamento de 2025.
Em dezembro de 2024, o volume total estava em R$ 1,03 trilhão. Além dos depósitos e retiradas, os rendimentos creditados nas contas dos poupadores também influenciaram o saldo total.
Impacto no crédito imobiliário
A saída de recursos da poupança nos últimos anos afetou o crédito imobiliário. Isso porque, pelas regras, 65% dos recursos captados pelos bancos por meio da caderneta de poupança têm que ser direcionados obrigatoriamente ao crédito para compra da casa própria.
Com o volume total de recursos na poupança estagnado e a demanda por crédito aquecida, o governo anunciou, em outubro, mudanças nas regras.
Após um período de transição, o direcionamento obrigatório de 65% dos depósitos da poupança acabará e os depósitos compulsórios no Banco Central referentes a esse tipo de aplicação também.
A ideia é liberar gradualmente recursos captados pelas instituições financeiras que hoje ficam retidos no BC, nos chamados depósitos compulsórios e, com isso, possibilitar o aumento do crédito imobiliário.
Governo lança novo modelo de crédito imobiliário
Cenário da economia
A maior retirada de recursos da caderneta de poupança aconteceu em um cenário juros elevados, resultado da taxa básica da economia no maior nível em quase 20 anos; de inflação persistente e de aumento da inadimplência e do endividamento das famílias.
De acordo com dados do Banco Central, a taxa de inadimplência média total registrada pelos bancos nas operações de crédito permaneceu em 3,8% em novembro. Esse valor está em um patamar próximo ao recorde da série histórica (4%), que tem início em março de 2011.
Já o endividamento das famílias com os bancos, segundo o BC, atingiu 49,3% da renda acumulada nos doze meses até outubro — o maior valor desde novembro de 2022 (ainda na pandemia da Covid-19). Todas as dívidas com os bancos entram no cálculo.
Baixa atratividade da poupança
Ao mesmo tempo, a poupança tem mostrado pouca competividade na comparação com outras aplicações financeiras. Investimentos em renda fixa, como títulos públicos, papeis de empresas e aplicações financeiras em CDI, por exemplo, têm performado melhor.
Investimentos mais arriscados, como a renda variável por exemplo, também mostraram recuperação em 2025. No ano passado, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo teve uma com uma disparada de 34% — o maior avanço anual desde 2016.
➡️Com as regras vigentes, a poupança tem rendimento limitado. Quando a taxa Selic ultrapassa o patamar de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial (TR, que é calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados). A Selic está atualmente em 15% ao ano.
De acordo com o consultor de Investimentos Unicred Porto Alegre, Francisco Weliton Barroso, a regra atual da poupança, que limita seu rendimento, em um cenário de juros elevados e inflação resiliente, explicam a baixa atratividade da modalidade de investimentos.
“Por isso, no balanço de 2025, a poupança acabou perdendo espaço como investimento. Ela segue sendo uma opção simples para liquidez imediata e curto prazo, mas, diante dos resultados do último ano, outras alternativas de renda fixa se mostraram mais eficientes para proteger e fazer o dinheiro render”, disse Francisco Weliton Barroso, da Unicred Porto Alegre.
Perspectivas para 2026
Marcelo Boragini, head de renda variável na Davos Investimentos, avaliou que a caderneta de poupança, tendo em vista sua limitação de rendimento, pode ser utilizada apenas para uma “reserva imediata, para o dia a dia”.
Para construção de patrimônio, porém, ele afirmou que é crucial “diversificar, entender os riscos e tomar decisões mais conscientes”.
“O Tesouro Selic [título Tesouro Direto], por exemplo, tende a ser o substituto natural da poupança. Tem liquidez diária, o risco é bem baixo e acompanha a taxa básica de juros de forma mais eficiente. Tem os CDBs também de liquidez diária, de bancos médios, que podem ganhar espaço neste ano. Muitos pagam entre 100% e até 110% do CDI, lógico com proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito”, afirmou Marcelo Boragini, da Davos Investimentos.
Para investimentos de médio e longo prazo, segundo ele, os títulos do Tesouro IPCA+ e os prefixados (juros fixados no momento do leilão) devem ser os “protagonistas” do mercado financeiro.
Acrescentou que, em um ambiente de juros mais baixos, com a expectativa de queda da Selic no decorrer de 2026, a renda variável voltar a ganha mais força. Mas tem de ser entendida como um investimento mais arriscado, pois pode haver perda de recursos.
“Bolsa, ETFs e Fundos Imobiliários tendem a atrair mais fluxo neste ano, principalmente os fundos imobiliários, que são isentos de Imposto de Renda e proporcionam renda mensal”, disse.
Por fim, ele lembrou o episódio recente do banco Master e afirmou que a busca por rentabilidade “não significa ignorar riscos”. “Nem todo produto que oferece retorno maior é adequado a todos perfis”, declarou.
Por fim, concluiu que 2026 deve ser um ano marcado por mais volatilidade (sobe e desce de cotações) por conta das eleições presidenciais.
“Vale lembrar que 2026 é um ano de eleição no Brasil, e historicamente, traz volatilidade muito grande. A cada pesquisa eleitoral, a bolsa vai subir ou cair de forma brusca. Só essa ressalva para quem está olhando a bolsa, viu que teve uma excelente performance em 2025 e a tendência é que tenha também uma boa performance em 2026. Porém, com um nível de volatilidade maior por conta das eleições no Brasil”, concluiu.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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