Economia
Bankman-Fried, da FTX, chega a NY para enfrentar processos; sócios se declaram culpados
Caroline Ellison e Gary Wang vão colaborar com autoridades, o que deve piorar situação de fundador. Sam Bankman-Fried, o ex-bilionário fundador da FTX
FTX/Divulgação via Reuters
O cofundador da FTX, Sam Bankman-Fried, desembarcou nos Estados Unidos na noite de quarta-feira (21) para enfrentar uma série de acusações criminais no momento em que dois de seus sócios de longa data disseram estar cooperando com os promotores.
A revelação de que Caroline Ellison e Gary Wang se declararam culpados de fraude e estão trabalhando com autoridades federais investigando o colapso da bolsa de criptomoedas é um sinal sinistro para Bankman-Fried.
Criptomoedas: falência da FTX pode indicar o fim?
O homem de 30 anos enfrenta um indiciamento de oito acusações em Nova York. Bankman-Fried deve fazer sua primeira aparição no tribunal federal de Manhattan nesta quinta-feira. Seus advogados podem pedir fiança. As autoridades dos EUA estão conduzindo uma extensa investigação sobre o colapso espetacular no mês passado da FTX, que já foi uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo, e da Alameda Research, fortemente conectada.
O anúncio de que Ellison e Wang se declararam culpados aumenta a pressão sobre Bankman-Fried e outros executivos que ainda não foram acusados. “Deixe-me reiterar uma ligação que fiz na semana passada”, disse Damian Williams, procurador do Distrito Sul de Nova York, em comunicado. “Se você participou de má conduta na FTX ou na Alameda, agora é a hora de encarar isso. Estamos nos movendo rapidamente e nossa paciência não é eterna.”
Um representante de Bankman-Fried, que na quarta-feira consentiu formalmente com a extradição, se recusou a comentar. O advogado de Ellison não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários. Ilan Graff, advogado de Wang, disse que seu cliente “aceitou a responsabilidade por suas ações e leva a sério suas obrigações como testemunha cooperante”.
O ex-promotor federal Paul Pelletier disse que as confissões de culpa são más notícias para Bankman-Fried. Pelletier afirmou que os advogados de defesa sabem que os funcionários que cooperam cedo conseguem os melhores negócios dos promotores. “Quando os promotores transmitem de forma crível que vão recompensar os colaboradores e que estão indo atrás dos fraudadores, é quando os executivos das companhias prestam atenção”, disse.
Ellison, que tem 28 anos e é filha de um professor, se declarou culpada de sete acusações. Wang, que recentemente entrou para a lista de bilionários da Forbes, se declarou em quatro, de acordo com os promotores. Ambos foram libertados sob fiança.
Os acordos de confissão de Ellison e Wang disseram que os promotores recomendarão sentenças reduzidas se fornecerem “assistência substancial” à investigação.
Bankman-Fried era o rosto da FTX e sua extensa rede de negócios. Ele apareceu em palcos ao redor do mundo ladeado por políticos, celebridades e atletas, divulgando FTX e cripto em geral.
A Securities and Exchange Commission (SEC, órgão regulador do mercado de capitais nos EUA) e a Commodity Futures Trading Commission (autoridade do mercado de futuros), que têm investigado o colapso da FTX, também anunciaram na quarta-feira que estavam processando Wang e Ellison. A SEC alegou que Ellison e Wang participaram de um esquema plurianual para fraudar os investidores da FTX.
Entre 2019 e 2022, Ellison — sob a direção de Bankman-Fried — manipulou o preço do token nativo da FTX, FTT, comprando grandes quantidades no mercado aberto, de acordo com a denúncia da SEC. O regulador de valores mobiliários também disse que Ellison e Wang sabiam ou deveriam saber que Bankman-Fried estava divulgando falsamente a FTX como uma plataforma segura de negociação de criptomoedas, ao mesmo tempo em que transferia indevidamente fundos de clientes da FTX para Alameda.
A SEC disse que Ellison e Wang estão cooperando com sua investigação em andamento sobre outros indivíduos ou entidades potencialmente ligadas à má conduta na FTX. A CFTC, que também alega fraude, acusou Ellison de instruir a Alameda a usar bilhões de dólares de fundos da FTX, incluindo fundos de clientes, para negociações em outras bolsas de criptomoedas e pagar por investimentos de alto risco. De acordo com esse processo, Wang “criou recursos no código subjacente à plataforma de negociação FTX que permitiu à Alameda manter uma linha de crédito essencialmente ilimitada na FTX”.
A CFTC disse que os dois ex-executivos não contestaram sua responsabilidade em suas reivindicações. Ellison, ex-presidente-executivo da Alameda, Wang e seu colega Nishad Singh eram a espinha dorsal do círculo interno de Bankman-Fried. Singh não foi acusado de irregularidades pelas autoridades americanas.
Wang co-fundou a FTX com Bankman-Fried. Wang conheceu Bankman-Fried no acampamento de matemática no ensino médio e foi seu colega de quarto no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Ellison, que conhece Bankman-Fried do tempo em que trabalharam juntos na gestora de trading quantitativo Jane Street e teve um relacionamento romântico com ele, foi para a Alameda nos primeiros dias da empresa.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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