Economia
Bloqueio de países ao frango brasileiro pode deixar ave mais barata no Brasil?
O Ministério da Agricultura identificou um foco de gripe aviária em uma granja comercial no RS. Restrição de compras por países parceiros pode fazer o preço cair, mas por um período curto. Ministro explica medidas que estão sendo feitas após 1º caso de gripe aviária
Diversos países importadores de carne de frango brasileira suspenderam temporariamente suas compras. A razão é o anúncio do 1° caso de gripe aviária em granja comercial feito pelo Ministério da Agricultura, nesta sexta-feira (16). Mas isso pode ser bom para o consumidor interno.
O Ministério da Agricultura alerta que a doença não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem de ovos. As suspensões das exportações acontecem para evitar o risco raro de contaminação de carcaças com aves vivas nos países de destino, explicou o governo.
Com menos aves sendo mandadas para fora do Brasil, é possível que haja um aumento da oferta, o que, por sua vez, deve baixar os preços, explicaram economistas ouvidos pelo g1.
Mas, se isso acontecer, não deve durar muito tempo, já que a expectativa é de que os bloqueios acabem dentro de um ou dois meses, segundo eles.
“A gente não deve comemorar crise, mas o fato real é que teremos uma oferta com excesso no Brasil, possivelmente, por um pequeno período”, declarou o ministro da Agricultura, Carlos Favaro. “[Isso] pode pressionar o preço um pouco para baixo”, completou.
O frango e os ovos passaram por altas seguidas dos preços desde o início do ano. No atacado, o valor do ovo registrou uma elevação de mais de 40% em fevereiro.
O Brasil é o maior exportador do produto. A China, seu maior cliente, suspendeu as compras por 60 dias. A União Europeia e a Argentina também pausaram o consumo.
Por que países suspenderam compra de frango do Brasil, se não há risco para consumo?
O primeiro caso de gripe aviária em granja no Brasil aconteceu no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. O estado é o terceiro maior produtor e exportador de carne de frango brasileira.
Frango mais barato
No acumulado dos 12 meses até abril, o frango em pedaços ficou 12,21% mais caro, e a ave inteira, 9,16%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mas, com o caso confirmado de gripe aviária em granja comercial, existe a chance de o preço cair. Para isso, será preciso que as limitações das exportações sejam mantidas, entretanto, sem que o vírus se espalhe pelos criadouros brasileiros, aponta André Braz, coordenador de Índices de Preços na Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Neste caso, haveria uma elevação da oferta do produto no país.
No entanto, as quedas podem acontecer por pouco tempo, acredita o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Isso porque as restrições de comercialização devem durar apenas entre 30 e 60 dias.
O especialista acredita que o Brasil conseguirá impedir a doença de se espalhar, pois tem protocolos sanitários rigorosos no setor produtivo.
“O Brasil é referência global em biosseguridade, vai gerando um efeito de otimismo em como o problema vai se resolver”, afirma.
Frango em números: Brasil é o maior exportador mundial e China é maior cliente
Como fica o ovo?
Nos últimos meses, o ovo virou protagonista do noticiário devido ao seu encarecimento. Nos 12 meses até abril, sua alta foi de 16,74%, segundo o IPCA.
O aumento foi impulsionado, principalmente, pelo custo do milho, o calor intenso que diminuiu a produção, e a demanda aquecida na Quaresma, os 40 dias que antecedem a Páscoa.
Apesar de na inflação mensal de abril o preço ter apresentado uma queda de 1,29%, ainda não foi o suficiente para compensar as elevações. E, para o ministro da Agricultura, o cenário deve continuar assim.
Uma das razões é que o Brasil exporta menos de 1% da sua produção de ovos. Deste modo, as paralisações nos embarques não afetam o mercado nacional.
A alta de quase 20% no preço do ovo
Outros produtos podem ser afetados?
A suspensão das compras por parte da China e da União Europeia podem ter um impacto de média intensidade também nos mercados de carnes suínas e bovinas e alguns grãos, como o milho, aponta o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA Esalq/USP).
Para Iglesias, no caso da carne, isso acontece porque, se tem mais carne de frango, o consumo de outras proteínas é direcionado à ave.
Contudo, Braz discorda. Ele explica que dificilmente o consumidor que consome carne vermelha troca o produto pelo frango, ainda que este fique mais barato.
Sem substitutos ao Brasil
Apesar da suspensão, os especialistas acreditam que não existe substituto para o Brasil no mercado exterior.
“O cenário vai ficar muito turbulento, mas vamos manter boas vendas. Vamos ter números expressivos de vendas”, afirma o analista do Safras & Mercado.
Isso porque não existe um país capaz de suportar a demanda atendida pelo Brasil. Em 2024, as granjas brasileiras exportaram para 151 países, mais de 5 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Além disso, as restrições devem durar pouco tempo, acredita o veterinário especialista em aves e diretor da FNF Ingredients, Alexandre Camargo Costa.
Costa aponta que a granja em que a contaminação foi identificada era de matrizes, ou seja, não são aves direcionadas ao abate, mas para reprodução.
“Não existe risco nenhum, nem para a população, nem para o país que importa”, afirma.
Braz aponta ainda que é difícil ter um substituto, pois os preços brasileiros são muito competitivos devido à moeda desvalorizada.
“Difícil ter um substituto. Mas sempre tem chances de alguém surgir. Quanto antes resolver esse problema, menor a chance de isso acontecer”, afirma.
Ele explica que o vírus se espalha mais rápido no inverno. Para evitar a contaminação, é preciso sacrificar as aves o quanto antes. “Essa agilidade, agora, é tudo para nós”, afirma o economista.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o surto de gripe aviária não foi contido e e já limita a oferta de ovos no país. Por lá, a doença dizimou quase 170 milhões de galinhas, perus e outras aves desde o início de 2022.
Gripe aviária: entenda se é possível se contaminar comendo carne de frango
Raio X da produção e venda de carne de frango do Brasil
Arte g1
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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