Economia
Brasil está entre os menos impactados por tarifas de Trump; o que acontece agora
Líderes mundiais estudam como reagir ao tarifaço do presidente americano; vários falam na necessidade de abrir negociações com os EUA. Tabelas mostram as ‘tarifas recíprocas’ que os EUA passaram a cobrar de outros países
Alex Wong/Getty Images
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu país vai impor uma tarifa de 10% sobre todas as importações para os EUA — com taxas ainda maiores para nações que têm barreiras comerciais maiores contra os americanos.
Economistas dizem que a medida, que entra em vigor no sábado (5/4), é um ponto de virada no comércio global.
A União Europeia descreveu as medidas como um “grande golpe para a economia mundial”. A China promete retaliação e a Austrália respondeu que “este não é o ato de um amigo”.
O Brasil não está na lista de países mais afetados pelas maiores tarifas — e terá seus produtos exportados para os EUA taxados em 10%, a tarifa mínima estabelecida por Trump.
Outros países que serão taxados em 10% incluem: Reino Unido, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Turquia, Colômbia, Argentina, El Salvador, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
Já outros países e regiões — alguns considerados aliados próximos dos EUA — sofrerão com tarifas maiores: países da União Europeia (tarifa de 20%), China: (54%), Vietnã (46%), Tailândia (36%), Japão (24%), Camboja (49%), África do Sul (30%) e Taiwan (32%).
Tarifas recíprocas: veja a lista completa de taxas cobradas pelos EUA por país
A pergunta que todos se fazem agora é: qual será a reação dos demais países contra Trump e os americanos? Haverá retaliação contra os EUA — com imposição de novas tarifas? Ou os países evitarão escalar tensões comerciais?
5 perguntas e respostas rápidas sobre o tarifaço de Trump
Brasil e a tarifa de 10%
Líderes mundiais discutem agora como reagir ao tarifaço de Donald Trump
EPA via BBC
O governo brasileiro não informou se irá ou não retaliar os norte-americanos.
Em nota divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o governo brasileiro disse que “lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano”, que se mantém aberto ao diálogo, mas que avalia “todas as possibilidades de ação”, inclusive recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC).
No anúncio, Trump disse que os percentuais cobrados do Brasil seriam próximos aos que o país cobraria de produtos importados norte-americanos.
A economista do banco BTG Pactual, Iana Ferrão, analisou o anúncio a pedido da BBC News Brasil e disse como as tarifas deverão afetar o Brasil.
“Todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, exceto nos casos em que já se aplicam tarifas específicas mais altas, como no caso do aço e do alumínio, tarifados em 25%”, disse a economista.
O diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, Christopher Garman, destaca que o Brasil acabou ficando entre os países menos impactados pelas tarifas anunciadas por Trump.
“Nós esperávamos um impacto entre 10% e 25%. Ao final, o Brasil saiu menos impactado que outros países, como os da Ásia”, disse Garman à BBC News Brasil.
Ele afirmou que os setores que mais devem ser impactados pelas tarifas norte-americanas são o petrolífero, o de produtos semimanufaturados, celulose e de partes de avião.
Essa também é a análise de Iana Ferrão. Segundo ela, entre os setores mais afetados estão o de semimanufaturados de ferro e aço, aeronaves, materiais de construção, etanol, madeira e seus derivados e petróleo. A economista disse que setores como o de commodities agrícolas e mineração não deverão sofrer grandes impactos por não dependerem tanto do mercado norte-americano.
Economistas alertam que tarifaço de Trump pode provocar recessão nos EUA e no resto do mundo, com choque de preços para consumidores americanos
Reuters via BBC
Segundo documento divulgado pela Casa Branca logo após o anúncio, as tarifas divulgadas não deverão se sobrepor àquelas que já foram impostas sobre outros produtos anteriormente, como à do aço e a do alumínio, taxados em 25% em março e que também afetaram produtos brasileiros.
Enquanto o Brasil foi taxado, em média, em 10%, países asiáticos sofreram taxações muito maiores.
Mas, para alguns países, como Japão e Vietnã, Trump anunciou que irá cobrar “aproximadamente metade” do que eles cobram dos EUA.
“As tarifas não serão totalmente recíprocas. Eu poderia ter feito isso, sim, mas teria sido difícil para muitos países”, disse Trump.
O presidente também confirmou o início da cobrança de uma tarifa de 25% sobre todos os carros estrangeiros a partir de 0h de quinta-feira (3/4), uma taxa que deve afetar principalmente o México.
O que acontece agora?
Os mercados já começaram a reagir às tarifas de Trump nesta quinta-feira (3/4).
LEIA MAIS
Tarifas recíprocas: bolsas dos EUA afundam no mercado futuro após anúncio de Trump
‘Tarifaço’ de Trump: bolsas da Europa vivem dia de fortes quedas após anúncio das tarifas recíprocas dos EUA
Tarifaço global de Trump: mercados financeiros da Ásia despencam após anúncio
As bolsas de ações em Londres, Paris e Berlim caíram fortemente na abertura. O FTSE 100 e o Cac 40 caíram cerca de 1,4% e 1,7%, mas o índice Dax da Alemanha levou o maior golpe, caindo mais de 2%.
O comércio alemão é visto como especialmente vulnerável às tarifas.
Na Europa, que terá tarifas de 20% contra seus produtos importados pelos EUA, líderes reagiram.
Ainda não houve retaliação imediata, mas diversos políticos anunciaram reuniões nos próximos dias para avaliar suas reações.
A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que as novas importações de impostos causariam consequências “terríveis” para milhões de pessoas ao redor do mundo.
Ela disse que não existe um caminho claro para enfrentar o que ela chamou de caos e complexidade que as novas tarifas de Trump desencadeariam em todo o mundo.
Mas a Comissão prometeu proteger os negócios da UE — alguns dos quais serão mais duramente atingidos do que outros: como a indústria automobilística da Alemanha, os bens de luxo da Itália e os produtores de vinho e champanhe da França.
O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma reunião de emergência de líderes empresariais franceses para esta quinta-feira.
Como o maior mercado único do mundo, a UE pode causar danos aos EUA — mirando bens e serviços, incluindo “big techs”, como Apple e Meta com contramedidas.
Mas líderes europeus têm dito que seu objetivo não é aumentar as tensões com os EUA — e sim persuadir Trump a negociar.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse que, embora considerasse as tarifas de Trump erradas, tudo seria feito para tentar chegar a um acordo com os EUA.
Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, pediu calma a todos os líderes. O Reino Unido está em um processo de negociação de um tratado comercial com os EUA, depois que o país deixou a União Europeia.
O Reino Unido está entre os países que — como o Brasil — terão tarifas de 10% nos seus produtos importados pelos EUA. Esse é o menor patamar anunciado por Trump.
Starmer não confirmou nem descartou retaliações britânicas — e disse que “nada está fora de questão” quando se trata de como o Reino Unido pode responder às tarifas de Donald Trump.
“Hoje marca uma nova etapa em nossa preparação. Temos uma série de alavancas à nossa disposição e continuaremos nosso trabalho com empresas em todo o país para discutir sua avaliação das opções.”
Ele também diz que “nossa intenção continua sendo garantir um acordo”.
Premiê britânico Keir Starmer pediu calma, mas não descartou retaliações
EPA via BBC
Starmer diz que estamos vivendo em um mundo em mudança e “devemos enfrentar esse desafio”.
“Ninguém ganha em uma guerra comercial, isso não é do nosso interesse nacional”, disse o primeiro-ministro.
Diversos líderes mundiais falaram sobre a necessidade de dialogar e negociar com os EUA.
O ministro da Economia da Alemanha, Jorg Kukies, disse à BBC: “Ninguém com quem falei fechou a porta para negociações [com Trump] após o anúncio.”
O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, disse que seu governo negociará com os EUA sobre tarifas “se tiver a oportunidade de fazê-lo”.
O primeiro-ministro da Tailândia, Paetongtarn Shinawatra, disse que está disposto a enviar autoridades para conversar com os EUA. “Acho que ainda podemos negociar.”
O primeiro-ministro do Vietnã, Phạm Minh Chính, disse que está criando uma força-tarefa para lidar com as tarifas dos EUA.
O ministro da economia da Espanha disse que o país quer chegar a uma “situação negociada com os EUA sobre tarifas”.
A presidência da África do Sul disse que as novas tarifas dos EUA “afirmam a urgência de negociar um novo acordo comercial bilateral e mutuamente benéfico com Washington”.
Economistas alertam que esse choque de tarifas promovido por Trump será repassado aos consumidores americanos, podendo provocar um grande aumento nos preços e uma recessão nos EUA e no resto do planeta.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
-
Mato Grosso do Sul4 anos agoEXPOGRANDE SEM SHOWS DE ARTISTAS REGIONAIS. VOCÊ CONCORDA?
-
Política4 anos ago
Mercado financeiro eleva estimativa de crescimento do PIB de 2023 para 0,85%
-
Ciência e Saúde4 anos ago
Sono irregular aumenta o risco de aterosclerose e doença cardiovascular
-
Ciência e Saúde4 anos ago
A melhor hora para criar músculos é agora!
-
Economia4 anos ago
Reforma tributária: Fazenda defende ‘mínimo possível de exceções’ ao novo imposto sobre consumo
-
Economia4 anos ago
Ibovespa opera em queda, com plano de crescimento da China e âncora fiscal em foco
-
Economia4 anos ago
Centro-oeste de SP inicia semana com quase 500 vagas de emprego; veja como se candidatar
-
Política4 anos agoJoias para Michelle: fatos revelam ‘procedimento padronizado e conduta exemplar’ de auditor, diz Sindifisco


