Economia
Brasil volta a ter a maior taxa de juros reais do mundo, mesmo após novo corte; veja ranking
País havia descido à segunda colocação em setembro, mas falas recentes do governo em relação à questão fiscal e as projeções mais baixas de inflação levaram o país de volta ao topo do pódio; levantamento é do MoneYou. Sede do Banco Central em Brasília
Raphael Ribeiro/BCB
O Brasil voltou a ter a maior taxa de juros reais do mundo nesta quarta-feira (1º), mesmo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciar um novo corte da taxa básica, de 0,50 ponto percentual (p.p.). (entenda mais abaixo)
Segundo levantamento compilado pelo MoneYou, os juros reais do país ficaram agora em 6,90%, no topo do ranking. Em seguida veio o México, com taxa real de 6,89%.
O juro real é formado pela taxa de juros nominal do país subtraída a inflação prevista para os próximos 12 meses.
Veja abaixo os principais resultados da lista de 40 países.
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De acordo com o MoneYou, a volta do Brasil ao topo do ranking reflete a abertura das curvas de juros futuros (expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos), após falas recentes do governo sobre o cenário fiscal do país (entenda mais abaixo).
As projeções mais baixas de inflação completam o cenário e também ajudam a explicar a volta do Brasil ao 1º lugar.
A Argentina ficou na ponta oposta do ranking. Apesar de ter as taxas nominais mais altas da lista (133% ao ano), o país também enfrenta um quadro de hiperinflação, o que acaba derrubando as taxas reais.
Terceiro corte seguido de juros
Nesta quarta-feira (1º), o Copom anunciou um novo corte da taxa básica de juros, de 0,50 p.p.. Com a redução, a Selic ficou em 12,25% ao ano.
Esse foi o terceiro corte consecutivo da taxa básica por parte do colegiado, após a Selic ter se mantido em 13,75% ao ano durante cerca de um ano.
Mas o que explica a volta do Brasil ao topo do ranking?
Segundo o MoneYou, dois fatores explicam a volta do Brasil para o 1º lugar na lista dos maiores juros reais do mundo:
Falas recentes do governo sobre a questão fiscal (entenda abaixo);
E as projeções mais baixas de inflação para o país.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que “dificilmente” o governo alcançará a meta de déficit zero em suas contas em 2024.
Desde então, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tem defendido a adoção de medidas para o alcance da meta, vem sendo alvo de questionamentos sobre o tema. A ala política do governo defende a alteração da meta, por temer o impacto das restrições nas contas públicas nas despesas do próximo ano.
Déficit zero: entenda como meta pode ser alterada e o que prevê nova regra fiscal
Em entrevistas feitas a jornalistas durante esta semana, o ministro se esquivou de responder perguntas sobre a meta de zerar o déficit, mas afirmou que não há “nenhum descompromisso” de Lula em relação ao objetivo de equilíbrio fiscal do país.
As afirmações acabaram aumentando as incertezas do mercado sobre o cumprimento da meta fiscal e, segundo o Moneyou, elevaram os juros futuros — cenário que, somado às projeções menores para a inflação, acaram resultando a volta do Brasil ao topo do ranking de maiores juros reais do mundo.
Juros nominais
Considerando os juros nominais (sem descontar a inflação), a taxa brasileira seguiu na 6ª posição. Veja abaixo:
Argentina: 133%
Turquia: 35%
Hungria: 13%
Colômbia: 13,25%
Rússia: 15%
Brasil: 12,25%
México: 11,25%
Chile: 9%
África do Sul: 8,25%
República Checa: 7%
Filipinas: 6,50%
Indonésia: 6%
Polônia: 5,75%
Hong Kong: 5,75%
Estados Unidos: 5,50%
Reino Unido: 5,25%
Índia: 5,40%
Canadá: 5%
Israel: 4,75%
Alemanha: 4,50%
Áustria: 4,50%
Espanha: 4,50%
Grécia: 4,50%
Holanda: 4,50%
Portugal: 4,50%
Suécia: 4,50%
Bélgica: 4,50%
França: 4,50%
Itália: 4,50%
China: 4,35%
Austrália: 4,10%
Singapura: 3,82%
Dinamarca: 3,60%
Coreia do Sul: 3,50%
Malásia: 3%
Tailândia: 2,56%
Taiwan: 1,88%
Nova Zelândia: 0%
Japão: -0,10%
Suíça: -0,75%
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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