Economia
Censo do IBGE: mais de 2 mil pessoas se declaram indígena no Sul e Costa Verde do Rio
Maior concentração na região está em Angra dos Reis, que tem a maior aldeia do estado do RJ, e Paraty, onde vivem cinco comunidades. Novos dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo IBGE. Criança da Aldeia Sapukai, a maior do estado do RJ
Divulgação/Prefeitura de Angra dos Reis
Mais de 2 mil pessoas (2.080) se declararam indígenas nas 24 cidades das regiões Sul e Costa Verde do Rio de Janeiro, segundo dados do Censo do IBGE divulgados nesta segunda-feira (7).
A maior concentração está em Angra dos Reis, com 704 moradores indígenas, sendo 339 na Aldeia Sapukai, a maior do estado do Rio de Janeiro e única na cidade, localizada no Bracuí. Seu território é demarcado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Os demais 365 indígenas identificados no Censo vivem fora das áreas oficialmente demarcadas.
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Paraty tem um total de 518 habitantes de origem indígena, sendo 200 em terras demarcadas pela Funai: 174 na Aldeia Itaxim Guarani M’Biá, localizada em Paraty-Mirim, e 26 na Aldeia Guarani Araponga, em Rio Pequeno.
Crianças da Aldeia Sapukai, a única de Angra dos Reis
Divulgação/Prefeitura de Angra dos Reis
Além das duas aldeias presentes em terras delimitadas, Paraty também tem outras três comunidades indígenas: Araponga, na Forquilha, Pataxó, no Sertão de Taquari, e Arandu Mirim, no Saco do Mamanguá.
O número nas duas cidades representa 58,75% do total em toda a região. No entanto, há a presença de pelo menos um morador indígena em todos os municípios da região.
A concentração em poucos municípios é uma tendência nacional. Apesar de a maioria das cidades do país ter presença indígena (4,8 mil cidades), há uma concentração muito grande em alguns poucos municípios. As 100 cidades com mais indígenas, por exemplo, concentram mais de 60% da população que se autodeclara desta forma de todo o país.
Isso significa que a maior parte das mais de 4,8 mil cidades têm, na verdade, pouquíssimos moradores indígenas.
Em 2,1 mil cidades, por exemplo, há 10 moradores que se autodeclaram indígenas ou menos, como em Comendador Levy Gasparian, Paulo de Frontin, Quatis, Rio das Flores e Sapucaia. Em 450 delas, há apenas um indígena, como é o caso de Rio das Flores.
Os povos indígenas passaram a ser mapeados pelo IBGE em 1991, com base na autodeclaração no quesito “cor ou raça”. No entanto, a partir do Censo de 2022, o instituto ampliou a metodologia, contando com a participação das próprias lideranças das comunidades no processo de coleta de dados e passando a considerar outras localidades indígenas além das terras oficialmente delimitadas.
Proporção em relação ao total da população
Números nacionais
O Brasil tem 1,7 milhão de pessoas indígenas, o que representa 0,83% da população total do país. Quase 90% das cidades têm moradores indígenas — há pelo menos um em 4.832 dos 5.570 municípios do país.
O Censo de 2022 também mostra que:
O Norte concentra 45% dos indígenas brasileiros, com grande destaque para o estado do Amazonas – que, sozinho, tem 490,9 mil indígenas, ou 29% do total.
O Nordeste vem em seguida, com 31% dos indígenas do país. O destaque da região é a Bahia, o segundo estado com mais indígenas do país – quase 230 mil.
A maioria da população indígena (63%) vive fora das 573 terras oficialmente demarcadas pela Funai.
Foram contadas 867.919 pessoas indígenas nos municípios da Amazônia Legal, o que representa 51,25% do total da população indígena residente no Brasil. A Amazônia Legal é formada por Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso.
A Terra Indígena Yanomami (AM/RR) tem o maior número de pessoas indígenas (27.152). O segundo maior número está na Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), com 26.176 habitantes indígenas, seguida pela Terra Indígena Évare I (AM), com 20.177.
Veja o mapa e consulte a sua cidade:
Quais são as cidades com mais indígenas do país?
Das 10 cidades com as maiores populações indígenas do país, cinco estão no Amazonas, como é possível ver no ranking abaixo. O primeiro lugar é ocupado pela capital, Manaus, que tem mais de 71 mil indígenas. Outras três capitais estão no ranking: Salvador, com 27,7 mil indígenas; Boa Vista, com 20,4 mil; e São Paulo, com 19,8 mil.
Veja o ranking completo (por quantidade)
Manaus (AM): 71.713 indígenas
São Gabriel da Cachoeira (AM): 48.256
Tabatinga (AM): 34.497
Salvador (BA): 27.740
São Paulo de Olivença (AM): 26.619
Pesqueira (PE): 22.728
Autazes (AM): 20.442
Boa Vista (RR): 20.410
Tefé (AM): 20.394
São Paulo (SP): 19.777
Veja o ranking completo (por proporção):
Considerando a proporção — ou seja, quanto a população indígena representa em relação ao total de habitantes da cidade —, o município de Uiramutã, em Roraima, lidera o ranking nacional. Lá, quase 97% dos moradores se autodeclaram indígenas.
Uiramutã (RR): 13.283 indígenas (96,6% da população da cidade)
Santa Isabel do Rio Negro (AM): 13.622 (96,2%)
São Gabriel da Cachoeira (AM): 48.256 (93,2%)
Amaturá (AM): 9.948 (92%)
Normandia (RR): 12.144 (88,8%)
Marcação (PB): 7.926 (88,1%)
Baía da Traição (PB): 7.992 (86,6%)
Carnaubeira da Penha (PE): 10.506 (85,8%)
São Paulo de Olivença (AM): 26.619 (80,7%)
São João das Missões (MG): 10.398 (79,8%)
Comparação nas terras delimitadas
Segundo a definição do IBGE, as localidades indígenas são formadas pelas terras indígenas oficialmente delimitadas, pelos agrupamentos indígenas e pelas demais áreas de conhecida ou potencial ocupação indígena.
A pesquisa mais recente apontou 573 terras indígenas oficialmente delimitadas pela Funai em 2022, dentre elas a Aldeia Sapukai, de Angra dos Reis, e as Aldeias Itaxim Guarani M’Biá e Guarani Araponga, em Paraty.
Casa de reza da aldeia Sapukai, a maior do estado do Rio de Janeiro
Divulgação/Prefeitura de Angra dos Reis
No entanto, a maioria da população indígena (63%) vive fora das áreas oficialmente demarcadas, como as outras três de Paraty: Araponga, na Forquilha, Pataxó, no Sertão de Taquari, e Arandu Mirim, no Saco do Mamanguá.
Dentre as 573 terras demarcadas, 501 são diretamente comparáveis com os resultados encontrados no Censo de 2010. A variação populacional nessas áreas foi de 16%, passando de 511.630 pessoas, em 2010, para 593.560 em 2022.
Amazônia Legal
Malocas de Yanomamis na região do Surucucu, dentro da Terra Indígena Yanomami, Oeste de Roraima.
Fernando Frazão/Agência Brasil
A região Norte do país concentra 45% dos indígenas brasileiros, com grande destaque para o estado do Amazonas – que, sozinho, tem 490,9 mil indígenas, ou 29% do total.
O municípios que formam a Amazônia Legal concentram 51,25% do total da população indígena do Brasil. Foram contadas 867.919 pessoas indígenas, o que representa 3,26% da população total residente na região.
A presença da população indígena residente na Amazônia Legal nos territórios oficialmente delimitados é superior ao quadro nacional: enquanto na Amazônia Legal 46,47% da população indígena reside em terras indígenas, para o conjunto do país, esse percentual é de 36,73%.
A Amazônia Legal é formada por Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso.
Homens yanomami em Surucucu, na Terra Indígena Yanomami, em foto de fevereiro de 2023.
Fernando Frazão/Agência Brasil
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VÍDEOS: as notícias que foram ao ar na TV Rio Sul
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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