Economia
Chuvas registradas desde fevereiro são benéficas para safra de laranja, aponta estudo da Esalq-USP
Levantamento aponta que o mês de março começou com ofertas limitadas de laranja, que impulsionaram alta dos preços. Laranjas em caixas aguardam transporte após receberem aplicação da cera de carnaúba em packing house da Citrícola Lucato, em Limeira (SP)
Fábio Tito/g1
As chuvas registradas em áreas produtoras de laranja no estado de São Paulo desde o mês de fevereiro têm sido benéficas à safra 2024/2025 da fruta, que apresentou alta nos preços na última semana e aumento na procura, por conta do calor.
Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP).
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De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as altas temperaturas devem se manter nos próximos dias em Piracicaba (SP) e Limeira (SP). Entretanto, não há previsão de chuva. Confira a previsão do tempo abaixo.
Alta nos preços
O levantamento do Cepea aponta que o mês de março começou com ofertas limitadas de laranja, que impulsionaram uma alta dos preços.
Entre segunda-feira (4) e a última quinta-feira (7), a média de preço apontada pelo centro de estudos da USP foi de R$ 93,17 pela caixa de 40,8 kg, na árvore. O que representa uma alta de 1,59% na comparação com a semana anterior.
Murcote é um tangor, um tipo de híbrido de tangerina e laranja
Fábio Tito/g1
Chuvas e crescimento
De acordo com o Cepea, o maior volume de chuvas é positivo para o crescimento da laranja e alivia os produtores.
“A maior umidade favorece o crescimento dos frutos, permitindo a antecipação da colheita de alguns volumes de variedades mais precoces, que, por sua vez, começaram a ser ofertados no mercado de mesa ainda em fevereiro, devendo ganhar mais ritmo neste mês”, apontam os pesquisadores.
Calor e procura
Apesar das chuvas, o clima tem reunido temperaturas elevadas. O calor fez a busca aumentar.
“A procura pela fruta aumentou nos últimos dias, favorecida pelas temperaturas elevadas, reforçando as valorizações”, indicam os profissionais do centro de estudos.
Caixas com laranjas e limões na Ceasa, em Campinas
Júlio César Costa/g1
Previsão do tempo 🌡️
Confira a previsão do tempo para os próximos dias em Piracicaba e Limeira.
Piracicaba
Segunda (11): Mínima de 15ºC e máxima de 30ºC. Muitas nuvens durante o dia e poucas nuvens à noite
Terça (12): Mínima de 15ºC e máxima de 33ºC. Poucas nuvens
Quarta (13): Mínima de 17ºC e máxima de 34ºC. Poucas nuvens
Limeira
Segunda (11): Mínima de 15ºC e máxima de 31ºC. Muitas nuvens durante o dia e poucas nuvens à noite
Terça-feira (12): Mínima de 16ºC e máxima de 35ºC. Poucas nuvens
Quarta (13): Mínima de 18ºC e máxima de 35ºC. Poucas nuvens
Janeiro: oferta restrita e greening
Com oferta restrita para o mercado, os preços da caixa da laranja pera de mesa tiveram altas consecutivas e ultrapassam os R$ 80 no início na segunda quinzena de janeiro de 2024, de acordo com o Cepea.
Pesquisadores do setor alertam para a reflexos das altas temperaturas, falta de chuva e, principalmente, do greening, na próxima safra, que pode ser menor.
“A disponibilidade da fruta é basicamente de temporãs”, aponta o Cepea. De 15 a 19 de janeiro de 2024, o preço da laranja pera fechou na média de R$ 82,32 a caixa de 40,8 kg, na árvore, segundo levantamento e análise publicados na Revista Hortifruti Brasil.
A marca representa aumento de 6,29% na comparação com a semana anterior, ressaltam as pesquisadoras do setor Ana Carolina Koga de Souza e Fernanda Geraldini.
“No caso das tardias, a oferta é um pouco maior, já que estão em período de safra, mas a grande parte dos volumes está sendo enviada à indústria, controlando a disponibilidade no mercado in natura”, afirmam as especialistas do Cepea.
A laranja natal foi comercializada a R$ 76,96 a caixa, o que corresponde à alta de 2,84% no mesmo comparativo.
Laranja: suco da fruta pode trazer benefícios para a saúde.
Sheraz Shaikh / Unsplash
Lima segue com baixas nas cotações
Diferente da laranja, os valores da lima ácida tahiti seguem em baixa devido ao período de maior disponibilidade.
“Além disso, o calor e as chuvas abaixo do esperado estão prejudicando a qualidade da fruta, especialmente a casca. Ainda assim, a média da semana subiu um pouco, para R$ 13,46/cx de 27 kg, colhida, elevação de 0,23% frente à semana passada”, apontam em análise publicada na Revista Hortifruti Brasil do mês de janeiro.
Greening: entenda impactos para safra
O greening, também conhecido como huanglongbing e HLB, é uma doença que ataca todos as lavouras de cítricos, não apenas no Brasil, mas em outros 130 países. Ela não tem cura e já consumiu mais de US$ 2 bilhões nos EUA na tentativa de ser controlada.
Segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a incidência do greening cresceu 56% e passou de 24,4% em 2022, para 38,06% em média em 2023.
Greening
Reprodução / Globo Rural
As especialistas ressaltam os impactos do greening sobre o mercado da laranja no Brasil e, especialmente, em São Paulo, por ser uma doença que afeta os pomares. O cenário é ainda mais prejudicado pelas ondas de calor, com temperaturas elevadas e à falta de chuvas.
“Dados divulgados em janeiro pelo Departamento de Agricultura Norte-Americano (USDA) apontam que o Brasil pode colher 408 milhões de caixas de 40,8 kg de laranjas na safra 2024/25, queda de 1% frente à de 2023/24. O resultado é reflexo da alta incidência de greening, sobretudo nos pomares paulistas e do clima adverso, com temperaturas elevadas e chuvas menos frequentes”, observam as pesquisadoras.
As pesquisadoras alertam que, se a estimativa se confirmar, a temporada pode ser de oferta menor que a procura das fábricas de suco e, neste cenário, se mantém também elevada a demanda pela laranja.
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Exportação
A maior parte do que é produzido nesse setor no Brasil vai para exportação. Ainda assim, a competição entre a indústria e o consumidor pela laranja aumenta o preço da fruta, explica Fernanda Geraldini.
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Economia
Governo propõe aumentar limite do MEI para R$ 140 mil e ampliar contratação de funcionários
Simples Nacional.
Simples Nacional/Divulgação
Um projeto de lei complementar enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (29) propõe ampliar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) e permitir a contratação de até dois funcionários.
A proposta prevê um reajuste progressivo do teto, que hoje é de R$ 81 mil por ano. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028. A medida atinge mais de 13 milhões de microempreendedores registrados no país.
Agora no g1
O projeto foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e faz parte de uma articulação do governo federal para atualizar as regras do regime simplificado.
Atualmente, o teto do MEI não é reajustado desde 2018. Segundo o governo, a defasagem acumulada ao longo dos anos — causada pela inflação e pelo aumento natural das receitas — tem dificultado a permanência de empreendedores na categoria.
A proposta busca justamente evitar que pequenos negócios precisem migrar para regimes tributários mais complexos à medida que crescem. Com o novo modelo, a ideia é permitir que os empreendedores ampliem suas atividades sem sair da formalização.
Além do aumento do teto, o projeto também altera as regras de contratação. Hoje, o MEI pode ter apenas um funcionário. Com a mudança, será possível contratar até dois empregados, o que, na avaliação do governo, deve dar mais flexibilidade à organização dos negócios e estimular a geração de empregos formais.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que a iniciativa tem caráter estratégico para a economia.
“Esse conjunto de medidas foi construído para remover obstáculos, ampliar oportunidades e dar condições para que milhões de empreendedores possam crescer, contratar e prosperar”, disse.
A proposta foi elaborada em conjunto com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Agora, o texto começa a tramitar no Congresso e ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de entrar em vigor.
Simples Nacional
Criado em 2006, o Simples Nacional tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. O regime especial consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor.
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI.
Atualmente, podem aderir ao Simples:
microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano;
transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano;
microempresas com até R$ 360 mil por ano; e
empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais.
De acordo com estimativas da Receita Federal, o governo vai deixar de arrecadar R$ 136 bilhões em 2026 com o Simples Nacional.
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