Economia
Com juros altos, metro quadrado para aluguel chega às máximas em seis capitais, diz estudo
Movimento, porém, vem perdendo força com a perspectiva de queda da Selic. Juros em baixa devem favorecer financiamentos e tirar pressão de aluguéis. Leblon chegou a R$ 100 por metro quadrado no custo de aluguel, segundo pesquisa do QuintoAndar
Eduardo Pierre/g1
Depois de um estouro nos preços em meados do ano, o valor do aluguel residencial parece ter dado um alívio. Nos dados de inflação oficial do país, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o subitem teve alta de 3,21% em 2023, abaixo da média do indicador.
A abrangência da pesquisa, contudo, deixa escapar as particularidades de um mercado de aluguel mais quente, nas principais capitais do país. Uma pesquisa do QuintoAndar mostra que a situação nas maiores cidades brasileiras não está equacionada.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o famosíssimo bairro do Leblon ultrapassou os R$ 100 por metro quadrado no custo de aluguel pela primeira vez. A Vila Olímpia, em São Paulo, está próxima dos três dígitos, com R$ 95,30.
O Índice de Aluguel QuintoAndar Imovelweb estudou o mercado de seis das principais capitais do país. Além de São Paulo e Rio, estão na lista Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Brasília.
Todas as cidades registraram no ano passado o maior valor médio do metro quadrado para aluguel desde o início da série da pesquisa, em 2019. O maior deles é o de São Paulo, com média de quase R$ 60. Veja a lista abaixo.
São Paulo: R$ 59,82 — alta de 9,47%;
Brasília: R$ 43,46 — alta de 12,24%;
Rio de Janeiro: R$ 39,09 — alta de 14,11%;
Curitiba: R$ 36,43 — alta de 21,03%;
Belo Horizonte: R$ 33,73 — alta de 22,88%;
Porto Alegre: R$ 32,12 — alta de 13,83%.
Há, contudo, uma mudança de ritmo de demanda. Segundo o relatório, a alta acumulada em 2023 é menor do que a registrada no ano anterior em metade das cidades.
“A alta demanda, aliada a um movimento de recuperação pós-pandemia, fez os preços do aluguel dispararem em 2023. E o que se viu foi esses valores nas capitais subirem bem mais que a inflação no período”, diz Thiago Reis, gerente de dados do Grupo QuintoAndar.
“Se tem assustado os inquilinos, o alento é que em boa parte das cidades já é possível ver um movimento de desaceleração.”
O principal fator é o ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic. Com juros menores, o consumidor fica mais propenso a entrar em financiamentos, aumentando o estoque de imóveis disponíveis para a locação. Ainda assim, o QuintoAndar projeta um ano aquecido no mercado em 2024.
Preço do aluguel fecha 2023 acima da inflação
Busca por mais espaço
A pesquisa também corrobora a percepção de que imóveis maiores têm sido mais procurados para aluguel, desde que o trabalho híbrido ficou consolidado entre boa parte das empresas.
Como o g1 mostrou em agosto, quem trabalha nos principais polos empresariais de São Paulo se acostumou a um novo padrão de quintas-feiras agitadas.
Do trânsito nas ruas pela manhã até os bares lotados à noite, é notável como o comportamento de ir ao escritório mudou desde o retorno ao trabalho presencial, após as flexibilizações de protocolos da pandemia de Covid.
Além disso, as empresas apertaram o cerco e passaram a requisitar a presença dos funcionários em mais dias da semana. Isso reforçou o conceito da “semana de deputado”, com preferência por dar as caras às terças, quartas e quintas-feiras.
O modelo demanda que a moradia tenha espaços específicos para a rotina de trabalho nos demais dias da semana. E os resultados aparecem nos dados de valorização de apartamentos com dois e três dormitórios.
“A nova dinâmica de trabalho, com os modelos remoto e híbrido ainda muito presentes, fez com que a valorização de apartamentos maiores ganhasse destaque”, aponta o relatório.
“Se antes os imóveis de um dormitório eram muito mais procurados, por conta da facilidade de acesso aos grandes centros logo após a pandemia, essa realidade tem se alterado.”
Em São Paulo, os imóveis com um dormitório tiveram alta acumulada de 8,42% no ano passado. Já os de dois e três dormitórios valorizaram 11,39% e 12,1%, respectivamente.
A tendência é mais fraca em cidades com oferta mais apertada de novos imóveis. No Rio, por exemplo, os apartamentos de um quarto ainda seguem em uma crescente: alta de 16,29% contra 13,01% para dois e de 13,29% para três dormitórios.
São Paulo
1 quarto: 8,42%
2 quartos: 11,39%
3 quartos: 12,1%
Rio de Janeiro
1 quarto: 16,29%
2 quartos: 13,01%
3 quartos: 13,29%
Curitiba
1 quarto: 24,44%
2 quartos: 20,98%
3 quartos: 16,85%
Belo Horizonte
1 quarto: 14,23%
2 quartos: 26,17%
3 quartos: 23,8%
Porto Alegre
1 quarto: 13,19%
2 quartos: 12,28%
3 quartos: 17,86%
Brasília
1 quarto: 10,4%
2 quartos: 9,64%
3 quartos: 10,67%
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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