Connect with us

Economia

Como o bloqueio petrolífero ‘total e completo’ de Trump pode afetar a economia da Venezuela – e se voltar contra os EUA

Published

on

EUA querem sufocar a Venezuela economicamente
Getty Images via BBC
Para a Venezuela, o petróleo não é simplesmente uma mercadoria de exportação.
É a pedra angular de sua economia e a principal fonte de renda e moeda estrangeira com a qual o país importa alimentos, medicamentos e outros bens essenciais.
Portanto, o bloqueio “total e completo” contra petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela — anunciado na terça-feira pelos EUA — poderia afetar não apenas o governo de Nicolás Maduro, mas também amplos setores da população venezuelana.
Diversos especialistas alertam que uma medida dessa magnitude também pode ter um efeito contrário ao desejado em Washington.
Veja os vídeos em alta no g1:
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Trump anunciou a decisão pelas redes sociais, onde acusou o governo Maduro de usar petróleo “roubado” para se financiar e sustentar “narcoterrorismo, tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros”.
As declarações surgiram uma semana depois de Washington ter apreendido um petroleiro na costa venezuelana, uma ação que Caracas denunciou como “roubo descarado” e “um ato de pirataria”. No sábado (20), outro petroleiro foi apreendido.
O presidente dos EUA também afirmou na terça-feira, na rede social Truth Social, que a Venezuela está “completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul”, acrescentando que essa presença militar “continuará a crescer” e será “algo nunca visto antes”.
A Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, condenou a ordem de bloqueio como uma “ameaça grotesca” que, segundo o governo Maduro, busca “roubar” a riqueza do país.
Desde setembro, os Estados Unidos acumularam uma presença militar significativa na costa da Venezuela, no Caribe, incluindo mais de 15 mil soldados e o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford.
As forças armadas dos EUA também têm realizado uma série de ataques aéreos contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, resultando na morte de pelo menos 99 pessoas.
O presidente Trump afirma que o objetivo desta campanha militar é combater o narcotráfico na região e acusa o presidente venezuelano Nicolás Maduro de liderar o chamado Cartel de los Soles.
No entanto, vários analistas sustentam que a estratégia também pode ter como objetivo provocar uma mudança de regime na Venezuela.
Mais de 30 petroleiros sob sanções
A Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris de petróleo bruto por dia, o que representa aproximadamente 1% da produção mundial.
Esse número contrasta fortemente com os mais de 3 milhões de barris por dia que o país produzia em 1998, ano anterior à ascensão ao poder do mentor político e ideológico de Maduro, o ex-presidente Hugo Chávez.
O colapso na produção deve-se a uma combinação de má gestão, falta de investimento no setor, perda de pessoal qualificado, corrupção e sanções internacionais.
Portanto, o impacto de um bloqueio de petróleo no mercado global seria limitado, pelo menos a curto prazo.
No entanto, para milhões de venezuelanos, as consequências podem ser muito mais profundas e diretas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Jr.
BBC
Quando o presidente Donald Trump impôs um pacote de sanções econômicas rigorosas à Venezuela em 2018, durante seu primeiro mandato, a medida agravou a já severa crise econômica e humanitária que assolava o país sul-americano.
Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia venezuelana contraiu cerca de 15% apenas naquele ano, uma das maiores quedas de sua história recente.
Christopher Sabatini, pesquisador sênior para a América Latina no centro de pesquisas Chatham House, com sede em Londres, afirma que o bloqueio anunciado por Trump pode ter um “efeito ainda mais devastador se ele o mantiver e persistir nele.”
“Acho que o governo Trump espera poder reverter essa medida rapidamente.”
“Espera-se que a linguagem hiperbólica e inflamatória usada na (rede social) Truth Social faça com que o círculo íntimo de Maduro se volte contra ele e promova uma transição rápida”, disse Sabatini à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
“Mas se isso não acontecer, espera-se uma grande crise, porque uma grande porcentagem das exportações venezuelanas viaja nesses tipos de embarcações sancionadas”, acrescenta.
“E a receita dessas exportações não é usada apenas para pagar e subornar burocratas, mas também para comprar remédios e alimentos, portanto, espera-se uma grande escassez de ambos.”
Um relatório recente da organização Transparência Venezuela revelou que 41% dos petroleiros (40) que operavam ao largo da costa venezuelana em novembro eram embarcações sancionadas, parte da chamada frota de navios fantasmas.
Entretanto, o serviço independente de rastreamento Tanker Trackers estima que cerca de 37 embarcações incluídas na lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), dos EUA, estavam operando em águas venezuelanas no início deste mês.
O economista venezuelano Francisco Monaldi, diretor do Programa de Energia da América Latina no Instituto Baker da Universidade Rice, em Houston, nos EUA, destaca que a medida anunciada por Trump também forçará o governo de Nicolás Maduro a oferecer descontos maiores no petróleo que vende por meio de canais informais para contornar as sanções.
“Em qualquer cenário, isso levará a uma redução na renda, o que, por sua vez, causará uma desvalorização do bolívar (moeda venezuelana) e um aumento da inflação.”
“E, se a situação persistir, é provável que gere uma queda significativa no PIB”, acrescenta.
O FMI projetou que a inflação na Venezuela fechará 2025 em aproximadamente 269,9%, de acordo com o relatório Perspectivas da Economia Mundial publicado em 14 de outubro de 2025.
Consequências negativas para Trump
Se pobreza aumentar na Venezuela, nova onda de imigração é esperada
Getty images via BBC
Especialistas alertam que o bloqueio também pode ter consequências negativas tanto para a oposição venezuelana quanto para o próprio governo Trump.
“Se a medida não conseguir derrubar o governo de Nicolás Maduro e os venezuelanos comuns começarem a sofrer seus efeitos, muitos podem acabar culpando a oposição e Trump pela crise”, destaca Sabatini.
O aumento da pobreza na Venezuela provavelmente também alimentará uma nova onda de migração para outros países da América Latina e para os Estados Unidos.
Segundo dados da ONU, quase sete milhões de venezuelanos deixaram o país desde o início da crise econômica e política, tornando-a uma das maiores crises migratórias do mundo.
O economista americano Mark Weisbrot, codiretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), acredita que o bloqueio anunciado por Trump pode, em última análise, prejudicá-lo politicamente se continuar.
“Quase 90% das divisas da Venezuela vêm das exportações de petróleo, então um bloqueio como o anunciado poderia gerar mais pobreza e mais migração”, disse Weisbrot à BBC Mundo.
“É um risco considerável para Trump: se a imigração venezuelana para os Estados Unidos aumentar significativamente, é provável que seus eleitores o façam pagar o preço nas eleições de meio de mandato do ano que vem.”

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

Published

on

By

Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

Continue Reading

Trending

Copyright © 2022 InfoDourados