Connect with us

Economia

Compras internacionais de US$ 50: entenda o que muda para o consumidor com as novas regras

Published

on

Ministério da Fazenda anunciou que compras internacionais de até US$ 50 serão isentas de Imposto de Importação, desde que empresas façam parte de novo programa da Receita Federal. Regras serão válidas a partir de 1° de agosto. Compras online terão novas regras a partir de 1° de agosto
Divulgação
O Ministério da Fazenda publicou uma portaria na manhã desta sexta-feira (30) que traz novas regras para a tributação de compras internacionais feitas pela internet.
O governo decidiu deixar de cobrar o Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50 de empresas que aderirem voluntariamente ao programa Remessa Conforme da Receita Federal. Para se valer da isenção federal, a própria empresa deverá recolher o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é o tributo estadual.
O assunto veio à tona depois de uma tentativa do governo de taxar varejistas chineses que usavam uma brecha da Receita Federal para vender seus produtos no Brasil sem pagar imposto. Para driblar o fisco, as empresas usavam uma permissão de envio sem tributos de encomendas de até US$ 50 entre pessoas físicas, forjando uma encomenda entre conhecidos.
O governo diz que empresas enviam as compras de forma fracionada, em valor nunca superior a US$ 50, e utilizando nomes de pessoas físicas, para driblar a Receita e não serem taxadas. A ideia inicial do governo era acabar com a regra para garantir a tributação, mas a medida repercutiu mal.
Agora, as novas medidas passam a valer a partir de 1° de agosto e o g1 explica quais os principais pontos da mudança e como isso pode impactar o bolso dos consumidores.
Nesta reportagem, você vai entender:
Quais são os impostos cobrados atualmente sobre compras internacionais?
Se a empresa optar pelo programa, as compras ficarão isentas de imposto?
Quais regras a empresa terá de cumprir para participar do programa?
O que acontece com a empresa que não quiser aderir ao programa da Receita?
O consumidor vai sentir alguma diferença nos preços?
Quais são os impostos cobrados atualmente sobre compras internacionais?
A legislação brasileira prevê que todas as compras internacionais que tenham como remetente uma pessoa jurídica (ou seja, uma empresa) sejam taxadas em 60%, com a cobrança do Imposto de Importação.
Assim, se a compra totalizar US$ 100, por exemplo, o consumidor terá de pagar mais US$ 60 (ou o proporcional em reais) em impostos.
Jules Queiroz, advogado e Doutor em Direito Econômico, Financeiro e Tributário pela Universidade de São Paulo (USP), explica que os estados também podem cobrar o ICMS sobre as compras internacionais que chegam em seu território, conforme suas próprias regras.
Mas, a fiscalização dessas remessas é difícil de ser realizada nos limites estaduais e, por isso, muitas vezes não ocorre a tributação, apesar de ser permitida por lei.
Para envios internacionais feitos por pessoa física, há uma isenção da cobrança apenas do Imposto de Importação para compras de até US$ 50.
Se a empresa optar pelo programa, as compras ficarão isentas de imposto?
Se a empresa aderir ao programa Remessa Conforme, as compras de até US$ 50 ficarão isentas apenas do Imposto de Importação.
A cobrança do ICMS continua, com uma alíquota nacional unificada de 17%. Inclusive, Queiroz destaca que o pagamento do ICMS passa a ser obrigatório para que a empresa possa participar do programa e, consequentemente, que haja a isenção do Imposto de Importação.
O Artigo 1-B da Portaria 612/2023, que é a que regulamenta essas novas regras, estabelece que a alíquota do Imposto de Importação será zero, “desde que as empresas atendam aos requisitos do programa de conformidade de que trata o caput, inclusive o recolhimento do tributo estadual incidente sobre a importação”.
Desse modo, se uma compra custar US$ 40, por exemplo, o imposto devido será de US$ 6,80 (ou o proporcional em reais).
Se a empresa não aderir ao programa, nesta mesma situação, além do ICMS, haveria a cobrança de US$ 24 pelo Imposto de Importação.
Nos casos das compras acima de US$ 50 e inferiores a US$ 3 mil, continua valendo o regime de tributação simplificada, com taxação de 60% do Imposto de Importação e 17% de ICMS.
Para as compras entre pessoas físicas, nada muda.
Quais regras a empresa terá de cumprir para participar do programa?
Há uma série de regras para a participação voluntária das empresas no programa Remessa Conforme, mas Queiroz destaca que a ideia central é acabar com os envios fracionados de produtos e a utilização de nomes de pessoas físicas para driblar a Receita.
O Ministério da Fazenda também destaca algumas regras:
a obrigatoriedade de pagar o ICMS, conforme definições dos estados;
a empresa será obrigada a informar ao consumidor a procedência dos produtos e o valor total da mercadoria, já com a inclusão dos tributos federais e estaduais
a declaração de importação e o pagamento dos tributos serão realizados antes da chegada da mercadoria ao país;
a empresa deverá colocar no pacote enviado ao consumidor de maneira visível, no campo do remetente, a marca e o nome da companhia em questão.
O Ministério também pontua que os processos de envio das mercadorias ficarão agilizados para as empresas que aderirem ao programa.
Isso porque, como a declaração de importação e o pagamento dos tributos serão realizados antes da chegada do avião com os produtos, a Receita realizará a gestão de riscos das encomendas previamente, liberando as encomendas de baixo risco, que seguirão para os consumidores, imediatamente após o escaneamento.
O que acontece com a empresa que não quiser aderir ao programa da Receita?
Na teoria, se a empresa não aderir voluntariamente ao programa Remessa Conforme, nada muda no esquema de tributações. As compras, mesmo as com valor inferior a US$ 50, continuarão sendo taxas pelo Imposto de Importação e o ICMS.
O advogado Jules Queiroz destaca que, na prática, com esse programa estabelecido pelo governo, há uma expectativa de que a Receita passe a fazer uma fiscalização mais dura das remessas que chegam ao país.
Assim, segundo o especialista, a partir do início do programa, em 1° de agosto, pode ser que as empresas que não aderirem e continuarem com as práticas ilegais alegadas pelo governo sejam pegas com mais facilidade e sejam punidas.
Queiroz considera que “não faz sentido que as companhias não entrem nesse novo programa de conformidade, porque as exigências para participar são bastante ordinárias, a não ser que a empresa tenha a intenção de continuar com as práticas ilegais que o governo as acusa”.
O consumidor vai sentir alguma diferença nos preços?
Os consumidores podem sentir diferenças nos preços com o novo programa, em operações feitas com empresas que aderirem.
Para as compras abaixo de US$ 50, necessariamente, haverá a incidência do ICMS de 17%, o que muitas vezes não ocorria devido à dificuldade de fiscalização.
Já para as compras acima de US$ 50, embora as regras continuem as mesmas, pode haver um impacto no bolso tendo em vista que, conforme diz o governo, muitas empresas adotavam práticas para driblar a cobrança dos impostos, o que não será mais possível pelas regras de conformidade.
Para compras entre pessoas físicas, nada muda.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

Published

on

By

Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

Continue Reading

Trending

Copyright © 2022 InfoDourados