Política
CPI da Câmara Municipal ouve três ex-médicos que denunciaram ações da Prevent Senior durante a pandemia
Walter Souza Neto, Andressa e George Joppert ajudaram na construção do dossiê entregue à CPI da Covid, em Brasília, e falaram ao Fantástico em outubro narrando uma rotina de medo, apreensão e insegurança após denúncias contra a operadora se tornarem públicas. Walter Souza Neto, Andressa e George Joppert ajudaram na construção do dossiê entregue à CPI da Covid, em Brasília. Eles prestam depoimento nesta quinta à CPI da Câmara de SP
Rodrigo Rodrigues/g1
A CPI da Prevent Senior na Câmara Municipal de São Paulo ouve nesta quinta-feira (25) três ex-médicos da operadora de saúde que ajudaram na confecção do dossiê que foi apresentado na comissão da Covid em Brasília, em setembro.
O primeiro a falar foi o médico Walter Souza Neto e ele reafirmou a obrigatoriedade da prescrição do kit Covid, que muitas vezes eram entregues aos pacientes pelos próprios enfermeiros.
Souza Neto disse que é prática comum dentro da empresa que enfermeiros façam atendimento de pacientes no lugar dos médicos, especialmente na unidade Santana, na Zona Norte de São Paulo.
“O médico não tem mais um consultório. Quem tem um consultório é o enfermeiro. O paciente chega e ele é atendido no consultório pelos enfermeiros. Ele está sentado na frente do computador, logado no sistema com login e senha do médico, escrevendo no prontuário dos pacientes como se fosse o médico. Ele atende, faz anamnese. Em alguns casos, até solicita exames, de acordo com alguns protocolos. Na teoria, o médico deveria sentar e revisar o trabalho do enfermeiro, mas essa não é a proposta real que acontece de fato na Prevent”, afirmou.
“Há uma pressão por atendimento muito rápido, o que leva ao enfermeiro fazer o atendimento. O médico só passa ali para carimbar e assinar. Em alguns casos, os médicos chegavam a ter 3 ou 4 carimbos. Deixavam um com cada enfermeiro e eles assinavam pelo próprio médico. E agiam como se fossem um médico. É uma coisa que sempre recusei a fazer e talvez tenha sido um dos motivos, a gota d’água, para a minha demissão”, declarou Souza Neto.
Médico que denunciou irregularidades da Prevent Senior durante a pandemia presta depoimento à CPI da Câmara de SP
Rodrigo Rodrigues/g1
A médica Andressa Joppert também confirmou o método denunciado pelo colega e disse que foi realocada da unidade da Prevent Senior do Butantã, justamente por se negar a deixar que os enfermeiros usassem a senha dela para escreverem em prontuários.
“Eu estava de plantão na unidade Butantã e foi mandado uma mensagem dizendo que não era mais para deixar o carimbo na mão dos enfermeiros, após uma fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem. E nem que os enfermeiros assinassem, porque era muito comum isso. Tanto que a gente tinha que logar quando chegasse ao plantão em todos os consultórios que fossemos ficar, para o enfermeiro escrever”, narrou.
“Foi uma briga minha lá no hospital Butantã porque eu falei que não faria isso. Que o enfermeiro ia logar e escrever [na senha] dele e depois eu iria fazer. Os diretores e coordenadores me chamaram para conversar e me disseram que eu não obedecia às ordens e, por isso, estavam me realocando para outras unidades”, declarou a médica.
Denúncia
Walter Neto, Andressa Joppert e George Joppert narram ao programa Fantástico, da TV Globo, em 3 de outubro, que sofriam pressão da operadora de saúde para a alta precoce de pacientes, a fim de diminuir custos e liberar leitos de UTI nos hospitais da empresa durante a pandemia (veja vídeo abaixo).
Médicos saem do anonimato e fazem acusações graves contra a Prevent Senior
Na entrevista, reafirmaram a pressão para prescrição de ‘kit Covid’ nos hospitais da empresa e confirmaram que havia meta para que os médicos da empresa atendessem 60 pacientes por cada plantão de 12 horas nos hospitais.
George e Andressa Joppert também negaram terem manipulado estudo polêmico da Prevent Senior sobre o ‘kit Covid’ (veja detalhes clicando aqui).
O Hospital Sancta Maggiore do Paraíso, Zona Sul de São Paulo, pertencente à rede Prevent Senior.
Reprodução/TV Globo
O grupo de ex-médicos da Prevent Senior é composto por cerca de 12 pessoas, que são representados pela advogada Bruna Morato, que já prestou depoimento à CPI de Brasília e também na Câmara Municipal de São Paulo.
Nas duas CPIs, Morato disse que, no início da pandemia, a Prevent Senior passou a trabalhar em sintonia com o grupo que ficou conhecido como “gabinete paralelo da saúde”, e que assessorava o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
O objetivo, segundo ela, era difundir o uso de medicamentos ineficazes contra a Covid, passar uma falsa sensação de segurança, e assim evitar que fossem decretadas medidas de isolamento que prejudicassem a economia brasileira.
‘Inúmeros profissionais foram coagidos’, diz advogada Bruna Morato
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Semana anterior
Na semana passada, outra ex-médica da Prevent Senior foi ouvida pela CPI da Câmara Municipal e disse que era contra a política da empresa de indicação “generalizada” de hidroxicloroquina e azitromicina para pacientes com Covid-19. Os medicamentos são comprovadamente ineficazes contra a doença.
“Desde o início eu discordava sobre o uso generalizado de hidroxicloroquina. Então eu optei por não participar [das pesquisas] e foquei as minhas atividades na infraestrutura, na prevenção, no uso de EPIs”, afirmou.
Carla Morales Guerra, médica infectologista ouvida pela CPI da Prevent na Câmara de SP, nesta quinta-feira (18)
Reprodução/TV Câmara
A infectologista Carla Morales Guerra afirmou na quinta-feira (18) que o kit-covid na Prevent Senior não era usado em pacientes graves internados, mas em pessoas com sintomas iniciais.
“Essa pressão da prescrição era mais para pacientes ambulatoriais, da telemedicina, e pacientes que passavam pelo pronto-socorro, não era para paciente internado”, afirmou.
A infectologista, que tinha cargo de chefia na área, deixou a operadora de saúde em setembro deste ano. Segundo ela, era de sua responsabilidade a organização de fluxos nos hospitais, mas não o atendimento direto dos pacientes.
Em nota, a Pevent Senior afirmou que nunca obrigou médicos a prescrever os medicamentos. “A discordância da médica Carla Guerra e a afirmação do Dr. Saulo Oliveira, que não prescreviam hidroxicloroquina, são provas do respeito à autonomia médica pela Prevent Senior. A Prevent Senior nunca obrigou seus médicos a prescrever quaisquer remédios ou atendimentos”, disse a empresa.
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Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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