Economia
Da uva ao conhaque: saiba como o destilado de vinho é feito por produtores do ES
Bebida fabricada por viticultores de Marechal Floriano e Domingos Martins, na região Serrana do estado, é o primeiro conhaque capixaba. Da uva ao conhaque: saiba como o destilado de vinho é feito por produtores do ES
De origem francesa do século VXII, o conhaque, bebida conhecida pelo sabor marcante e alto teor alcoólico, está fazendo sucesso no Espírito Santo a partir de uma parceria entre uma vinícola de Marechal Floriano e uma destilaria em Domingos Martins, na região Serrana do Espírito Santo deu origem ao primeiro conhaque 100% capixaba.
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O processo começa com a produção da matéria-prima do conhaque na vinícola do aposentado e produtor rural, Sereno Gardin Rubert, onde a uva é transformada no vinho que depois dá origem ao conhaque.
Antes ocupada por lavouras de café, a propriedade dele hoje é repleta de parreiras de uva.
Vinícola do Espírito Santo onde é feito vinho que dá origem ao primeiro conhaque produzido no ES.
Reprodução/TV Gazeta
Com pouco mais de um hectare de uva plantada, são produzidas mais de 4 mil garrafas de variados tipos de vinho por ano.
Sereno, que é apaixonado por vinho e mora no estado desde os anos 80, contou que sempre sonhou em produzir o próprio vinho.
Sereno Gardin Rubert, produtor de vinho no ES.
Reprodução/TV Gazeta
“A minha relação com o vinho começou desde criança. Meu pai produzia vinho embora fosse em pequena quantidade só pra consumo próprio da família, mas me marcou pelo fato dele colocar eu e meu irmão pra esmagar a uva pisando. Era a forma na época que se usava. Hoje isso é uma coisa ultrapassada. Existem equipamentos que fazem esse trabalho muito melhor, mas é uma coisa que marca a gente né?”, contou Sereno.
“Sempre fiquei com essa ideia de um dia tentar produzir meu próprio vinho”, disse o aposentado e produtor.
O tempo entre a colheita e a produção dos vinhos varia entre 10 e 12 meses. É após esse período que o vinho começa a ser transformado em conhaque.
Garrafas de vinho produzidas em vinícola de Marechal Floriano, ES.
Reprodução/TV Gazeta
Sereno contou que a ideia de produzir o conhaque surgiu a partir do técnico responsável da vinícola, que é químico.
“Por ter essa experiência na área de destilados sugeriu que a gente destinasse um lote específico pra destilação. Inicialmente a gente fez um volume mais em caráter experimental”, falou o viticultor.
“A gente viu que deu um produto de excelente qualidade e passou a fazer em maior escala”
“A gente avalia um lote que esteja com um padrão adequado em termos de teor alcoólico e açúcar e destina esse lote para destilação e produção do conhaque”, completou.
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Da vinícola para a destilaria
Produtor explica como é feita destilação de vinho transformado em conhaque no ES.
Reprodução/TV Gazeta
A etapa final da produção do conhaque acontece na destilaria familiar do produtor Ivo Figl e seu sócio e genro Sérgio Itaorahy Vianna, em Santa Isabel, Domingos Martins.
Quando o vinho chega ao alambique, é feito um teste com uma pequena quantidade da bebida para definir o padrão do conhaque que será produzido.
Sérgio é responsável pela parte técnica da produção e explica que o diferencial na produção do conhaque está na destilação feita em um equipamento específico, a panela de destilação.
A panela de destilação aquece o vinho, transformando a parte mais alcoólica em vapor, que por sua vez é resfriada e se torna líquida novamente e dá origem ao conhaque.
“Essa panela de destilação com base em uma conversão do calor em vapor vai fazer com que o líquido seja levado para o capelo e do capelo ele passa por um processo que a gente chama de resfriamento, a conversão do vapor em líquido através de uma serpentina e aí nós temos na fase final o gotejamento ou o fio que é o momento final do processo produtivo”, disse Sérgio.
De acordo com a Legislação Brasileira, conhaque é a bebida alcoólica com teor alcoólico de 38% a 54% em volume, obtida de destilado ou aguardente de vinho.
Com os testes feitos o processo de destilagem do vinho é iniciado para aumentar o seu teor alcoólico dando origem ao conhaque. Apenas 20% do vinho utilizado como matéria-prima é transformado em conhaque.
Sérgio disse que também é utilizado um alcoômetro, instrumento utilizado para medir a variação alcóolica no processo produtivo.
“Nós temos um cuidado interessante aqui aprendido em cursos e palestras que é o corte de cabeça e corte da cauda, importantes para que não transfira para a bebida elementos nocivos à saúde, tanto no início como no final da produção” , disse o responsável técnico da destilaria.
Armazenamento em barris de carvalho
Produtor do ES fala sobre armazenamento de conhaque em barris de carvalho europeu.
Reprodução/TV Gazeta
Depois de destilada, a bebida é levada para uma outra parte da destilaria, onde o conhaque precisa ficar armazenado por pelo menos um ano em barris antes de ser embalado para venda.
Na destilaria capixaba, a bebida é armazenada em um barril feito com carvalho europeu, considerado mais macio e que dá uma cor e um sabor diferenciados ao conhaque.
“Toda bebida nova é tem acidez e a função do barril, o envelhecimento, é purificar mais o líquido. Quanto mais o barril trabalhar, tirar a acidez, além de pegar uma cor boa e bonita, ele [o conhaque], fica com mais aroma e tem mais perfume. O pessoal diz ‘ela desce macia’. É um carvalho mais macio, dá uma cor bonita. Saiu do barril ela vai permanecer do mesmo jeito que saiu daqui”, disse Ivo.
Conhaque produzido no ES é embalado de forma manual.
Reprodução/TV Gazeta
Antes da venda, a bebida é embalada e lacrada. Tudo feito de forma manual. A destilaria é uma empresa familiar e não conta com funcionários, além de familiares de Ivo orgulhoso por ver o conhaque do Espírito Santo ganhando espaço no mercado.
“Não é porque fez o primeiro. Poderia ser o vigésimo conhaque. Mas o orgulho é você ter um produto diferenciado. Bom, puro. Sempre digo o seguinte: ‘tira um pedacinho do meu coração e bota junto’. Então você faz com amor, com carinho’. Não é venda. Lógico que você precisa vender pra sobreviver, mas o objetivo não é esse. Me sinto mais feliz em presentar do que vender”, disse o produtor.
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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