Economia
De ‘império’ dos potes de plástico ao risco de fechamento: o que explica o derretimento das ações da Tupperware
Empresa informou que pode ficar inadimplente e alerta sobre risco de liquidez no curto prazo; papéis da companhia caíram quase 50% com a notícia. Tupperware, empresa fabricante dos famosos potes, informou que enfrenta dificuldades financeiras
Garrett Cheen/AP
A Tupperware Brands, fabricante dos famosos potes de plástico, informou que existem “dúvidas substanciais” sobre sua capacidade de continuar operando. Em outras palavras: a empresa está com dificuldades financeiras que podem levá-la à falência.
Em comunicado divulgado ao mercado na última sexta-feira (7), a empresa explicou que enfrenta problemas de crédito e informou que recebeu uma notificação da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE, na sigla em inglês), indicando que pode ter o registro cancelado.
Tupperware alerta sobre dificuldade em continuar suas atividades; ações derretem quase 50% em NY
Entenda abaixo o que aconteceu com a empresa e um pouco de sua história.
Problemas de crédito
Em resumo, a Tupperware explicou em um comunicado que pode deixar de cumprir cláusulas de contratos de crédito. Isso porque emendas estabelecidas ao contrato inicial tiraram a liquidez do caixa da empresa no curto prazo.
Simplificando: a Tupperware fechou três contratos de crédito que foram firmados com credores em novembro de 2021:
uma linha de crédito rotativo com garantias, de US$ 220 milhões;
um empréstimo a prazo, de US$ 400 milhões;
outro empréstimo a prazo de US$ 200 milhões.
Todos os financiamentos tinham vencimento em julho de 2025. Acontece que os contratos foram revistos no início de 2023, de maneira que parte do crédito rotativo foi convertida em um empréstimo a prazo de US$ 200 milhões. Assim, os recursos disponíveis para tomada nessa linha rotativa foram reduzidos.
A empresa ainda explica que a novidade no contrato também estabelecia juros progressivos ao longo do tempo para os créditos tomados pela empresa. Estava prevista a possibilidade de um adicional de 4,75 pontos percentuais (p.p.) a depender do índice de alavancagem da companhia — a alavancagem é um indicador que mostra o quanto a empresa depende de capital de terceiros para manter sua operação.
Com o caixa apertado e perspectiva ruim com o cenário econômico desafiador, a empresa sinalizou que pode descumprir as cláusulas, o que a tornará inadimplente. A inadimplência confere ao credor a possibilidade de exigir o reembolso dos empréstimos pendentes e restringir futuras concessões de recursos.
“Se a exigência de reembolso ocorrer, a companhia não dispõe de recursos financeiros para saldar tais obrigações. A companhia ainda depende dos recursos para financiar suas operações e cumprir com demais obrigações”, disse a empresa no comunicado.
Plano de reestruturação
Diante desse cenário, a empresa formulou um plano de reestruturação de negócios, indicando que contratou consultores financeiros e que participa de discussões com potenciais investidores para encontrar um financiamento e seguir com as atividades.
Além disso, a empresa ainda informou que está “revisando seu portfólio de imóveis” e avalia possíveis vendas, alienações ou arrendamentos (quando a empresa cede o direito de uso do imóvel por um determinado período), como forma de tentar monetizar seus ativos.
“No entanto, o valor e a capacidade de efetuar tais disposições ainda são incertos”, disse a Tupperware em comunicado.
Caso a companhia não consiga negociar com credores ou caso não obtenha os recursos suficientes para manter suas operações, a empresa afirma que precisará “modificar suas operações e reduzir os gastos a um nível sustentável”.
De acordo com a Tupperware, para isso, a empresa precisaria “reduzir ou eliminar alguns ou todos os investimentos contínuos ou planejados” em diversas áreas, o que poderia afetar as operações ou forçar a companhia a encerrar totalmente suas atividades.
Notificação da NYSE
Além disso, a empresa também informou que recebeu uma notificação da NYSE, indicando que a companhia não está em conformidade com as normas de listagem e que pode ter o seu registro cancelado na Bolsa de Valores de Nova York.
Isso aconteceu porque a empresa deixou de publicar seu relatório anual referente ao ano de 2022 junto à SEC (Comissão de Valores Mobiliários norte-americana).
Com isso, a Tupperware tem seis meses para publicar o documento e recuperar a conformidade com os padrões de listagem. Esse prazo pode ser prorrogado por mais seis meses, dependendo das circunstâncias do atraso. A NYSE informou a companhia, no entanto, que pode iniciar o processo de cancelamento do registro a qualquer momento, se julgar justificado.
Com a notícia, os papéis da companhia recuaram mais de 48% na última segunda-feira (10). Nesta terça, tinham alta de mais de 7%, em um movimento de ajuste.
A história da companhia
A história da companhia começa há mais de 50 anos, quando o químico e empresário Earl Tupper decidiu criar moldes com vedação hermética para recipientes de armazenamento de plástico.
Mas a história da companhia só mudou realmente quando o empresário conheceu Brownie Wise, uma ex-representante de vendas que criou um sistema de marketing chamado “planos de festas”, onde mulheres convidavam amigas e vizinhas e faziam uma combinação de evento social e apresentação de vendas.
Com isso, nasceram as demonstrações conhecidas como “Reuniões Tupperware®”, onde as consultoras da companhia mostravam e ensinavam suas clientes a utilizar os produtos. No Brasil, a empresa chegou em 1976. Atualmente, os recipientes vendidos por aqui são produzidos em uma fábrica no Rio de Janeiro.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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