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Economia

Do sex toy ao podcast erótico: mercado de bem-estar sexual cresce com novas gerações e lideranças femininas

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Número de empresas abertas no setor bate recorde em 2022 e empresários projetam entrada cada vez maior em grandes marcas do varejo. Tangerina cortada que lembra, em aparência, a vulva.
Pexels
O mercado erótico está de “cara nova”. Com embalagens mais discretas, produtos que passam a integrar a lista de recomendações médicas e uma forma mais “aberta” de enxergar (e abordar) a sexualidade – principalmente entre mulheres –, o segmento recebeu até um novo nome: mercado de bem-estar sexual.
O movimento não é de agora, mas ganhou força durante a pandemia e, para especialistas e empresários, passa a ser uma forte tendência no setor. Segundo um levantamento feito pela Cortex Intelligence, por exemplo, o número de empresas de bem-estar sexual abertas no Brasil bateu um novo recorde em 2022, com 1.068 novos empreendimentos – uma alta de 34,7% em comparação ao ano anterior.
E o quadro não muda muito lá fora. Dados recentes publicados pela Allied Market Research apontam que o segmento já movimenta mais de US$ 70 bilhões por ano ao redor do globo – e a expectativa é que alcance os US$ 108 bilhões até 2027.
Mas o que é o mercado de bem-estar sexual?
Para alguns empresários, o mercado de bem-estar sexual é o próximo passo na evolução dos negócios eróticos. Voltado principalmente para mulheres, os produtos e serviços que surgem no setor são focados no prazer, na saúde e no cuidado íntimo – e muitos até mesmo passaram a ser recomendados por médicos ginecologistas.
De acordo com Lídia Cabral, fundadora da Tech4Sex, plataforma de tendências e pesquisas em sextechs (startups que criam soluções para o mercado de bem-estar sexual), o segmento chega a ser holístico, já que combina o estado físico, mental, espiritual e emocional para tratar da intimidade e da sexualidade.
“O mercado erótico sempre existiu, mas de uns três anos para cá, principalmente durante a pandemia, começou a ganhar novos contornos e características. E a bandeira que esse segmento levanta vai além do erótico: ela traz à tona a questão de vivermos nossa sexualidade a partir da nossa perspectiva de bem-estar”, explica.
Mais que sex toys
Parte do que caracteriza a mudança vista nesse mercado é o surgimento de produtos e serviços mais inovadores na indústria do sexo. Além dos já conhecidos brinquedos eróticos – que passaram a ser mais tecnológicos e inteligentes – especialistas também destacam a chegada de cosméticos para a região íntima (como hidratantes e colônias), lubrificantes, massageadores, plataformas e aplicativos para educação, autoconhecimento e monitoramento da vida sexual e até podcasts eróticos.
Produtos da marca Dona Coelha Sex Shop
Divulgação
Segundo Paula Aguiar, pesquisadora e consultora do mercado erótico, esses produtos deixam de servir apenas para o prazer e passam a tratar da saúde e do bem-estar de forma geral. “Hoje, em um sex shop, você tem produtos para vaginismo, menopausa e secura vaginal, por exemplo, ou até lubrificantes com componentes como aloe vera, colágeno e ácido hialurônico”, conta.
Além disso, especialistas afirmam que o avanço do setor também acompanha a maneira com a qual as novas gerações lidam com a sexualidade – mas reforçam que ainda há vários preconceitos e tabus que envolvem o mercado e que ainda impedem um crescimento mais forte do segmento.
Para os fundadores da Pantynova, parte dessa evolução também inclui atender públicos de diferentes corpos e faixas etárias. “Falamos muito das novas gerações, mas também temos um público mais maduro que começa a se interessar e até a mudar a forma como enxerga a sexualidade e o prazer”, afirma Heloisa Etelvina, uma das cofundadoras da companhia.
Izabela e Heloísa, cofundadoras da Pantynova.
Kamilla Nunes
“Nós acabamos de viver uma grande revolução com a popularização do sugador clitoriano e isso foi um divisor de águas nesse mundo, com vibradores que deixam de ter apenas um formato fálico e passam a ter uma forma mais divertida, muitos até mesmo comandados por aplicativos”, diz Izabela Starling, cofundadora da Pantynova.
“Mas acredito que a grande revolução que ainda precisamos ter é sobre a criação de hábitos, com produtos que te acompanhem no dia a dia e possibilitem várias formas de uso”, acrescenta Starling.
A entrada no varejo
O crescimento do mercado de bem-estar sexual também está associado à chegada desses produtos em grandes marcas de varejo. Nos últimos anos, por exemplo, nomes como Amaro, Renner, Beleza na Web, Magazine Luiza e Beautybox aderiram ao movimento e lançaram em suas plataformas uma categoria específica para os produtos do setor.
Para Cabral, da Tech4Sex, o movimento reflete as mudanças vistas nos produtos que, além de novas fórmulas, ganham também versões diferentes de suas embalagens tradicionais e passam a ter um maior valor agregado.
“Essas marcas trabalham em uma comunicação diferente com o consumidor. Diferente do que víamos entre o cliente e o mercado erótico antes, que era uma relação mais escondida, essas companhias estão muito mais preocupadas em criar uma comunidade e explicar o uso desses produtos, para que eles servem e como podem ser benéficos, o que também ajuda muito o setor”, afirma.
Para Starling, da Pantynova, no entanto, ainda há um desafio a ser enfrentado pelo segmento no que diz respeito ao varejo físico. “É um movimento que acontece, mas muito voltado para o ambiente virtual. No Brasil, ainda há um tabu muito grande em levar produtos para uma gôndola física no meio da loja. Acredito que a educação sexual ainda é um grande obstáculo nesse sentido, mas é uma questão que tende a ser derrubada”, diz.
Liderança feminina
Outro ponto levantado pelos especialistas para explicar a ascensão do segmento é o maior número de mulheres na liderança. Segundo dados da Cortex Intelligence, mais da metade (51,1%) das empresas de bem-estar sexual abertas no setor até o ano passado possuem mulheres como sócias.
De acordo com Marina Ratton, cofundadora e presidente na Feel e Lilit, parte do crescimento do mercado acontece exatamente pelo avanço em soluções que correspondam às expectativas e necessidades específicas do público que tem vulva.
Marina Ratton, presidente e cofundadora da Feel e Lilit.
Divulgação
“Em nossas pesquisas, percebemos que a maioria dos produtos do setor foram desenvolvidos por homens. Então vemos muitos lubrificantes com sabor de morango e chantilly, por exemplo, mas que não abrangem coisas simples que o corpo com vulva precisa. Além disso, investimos muito em educação, porque percebemos que muitas mulheres não compravam esses produtos por não saberem utilizar ou por acharem que eram inseguros”, conta.
Nesse sentido, além da criação de produtos mais específicos, a chegada das mulheres na liderança desses empreendimentos também tem dado “cara nova” às informações disponíveis sobre sexualidade e prazer.
Para Natali Gutierrez, fundadora da Dona Coelha Sex Shop, parte do trabalho das novas empreendedoras é de “trabalhar com o tabu” que ainda existe em relação ao sexo e de ensinar as pessoas a “reconectarem-se com o próprio corpo”, de maneira que nova plataformas sobre o tema ganham um espaço cada vez maior no segmento.
Natalie Gutierrez, fundadora da Dona Coelha Sex Shop
Divulgação
“É um tabu brasileiro que aos poucos vamos quebrando e mostrando que falar sobre sexualidade vai além do pornô: é falar sobre saúde, doenças, cuidado íntimo e até mesmo levanta a importância sobre como identificar um abuso. Nem tudo se resume à penetração”, afirma.
“Muitas pessoas veem esse movimento como uma afronta à família tradicional brasileira, mas não é assim. Na Europa, por exemplo, vemos vibradores e lubrificantes sendo vendidos em farmácias e até no banheiro do aeroporto. Evoluímos bastante nos últimos dez anos, mas é um mercado que ainda engatinha”, conclui.

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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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