Economia
Dólar abre em queda após Flávio Bolsonaro dizer que pode retirar candidatura
Ibovespa despenca e dólar dispara com anúncio de Flávio Bolsonaro
O dólar começou a sessão desta segunda-feira (8) praticamente estável, com leve queda de 0,04% por volta das 9h02, negociado a R$ 5,4312. No pré-mercado dos Estados Unidos, o EWZ — que replica o desempenho de grandes empresas brasileiras listadas lá fora — avançava 1,97%.
Os acontecimentos políticos voltam a ganhar peso no humor dos mercados neste início de semana. Depois da turbulência de sexta-feira, investidores seguem acompanhando de perto os movimentos de Flávio Bolsonaro, que chegou a dizer que “tem um preço” para desistir da candidatura à Presidência em 2026.
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▶️ A possibilidade de que Flávio abandone a disputa recolocou o cenário eleitoral no centro das análises. Ao admitir que poderia deixar a corrida em troca de anistia para o pai, Jair Bolsonaro, o senador elevou a incerteza e recolocou o cenário político no centro das atenções.
▶️ A pré-candidatura anunciada na sexta-feira surpreendeu investidores e provocou uma forte venda de ativos brasileiros. O Ibovespa tombou mais de 4%, interrompendo a sequência positiva dos últimos dias, impulsionada pelas expectativas de cortes de juros no Brasil e nos EUA.
▶️ Analistas avaliam que a entrada de Flávio enfraquece a oposição e, com isso, pode aumentar as chances de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Há a percepção de que Tarcísio de Freitas seria um nome mais competitivo, o que frustrou a expectativa de parte do mercado por uma eventual chapa Tarcísio–Michelle Bolsonaro, vista como mais unificadora para a direita.
▶️ No Brasil, o Boletim Focus é outro destaque desta segunda-feira. As projeções de inflação voltaram a recuar: para 2025, a estimativa passou de 4,43% para 4,40%, na quarta queda seguida. Para 2026, a previsão caiu de 4,17% para 4,16%, no terceiro ajuste consecutivo.
▶️ Mesmo assim, o foco principal da semana está nas decisões de política monetária. Copom e Federal Reserve anunciam suas resoluções na quarta-feira (10).
Por aqui, o mercado espera que a Selic seja mantida em 15%, enquanto busca sinais sobre quando o ciclo de cortes pode começar.
Nos EUA, cresce a aposta de mais um corte de 0,25 ponto, embora a decisão possa dividir opiniões dentro do Fed.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado:
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +1,83%;
Acumulado do mês: +1,83%;
Acumulado do ano: -12,09%.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
📈Ibovespa
C
Acumulado da semana: -1,07%;
Acumulado do mês: -1,07%;
Acumulado do ano: +30,83%.
Flávio Bolsonaro na corrida presidencial
A possibilidade de Flávio Bolsonaro disputar a Presidência em 2026, no lugar do pai, Jair Messias Bolsonaro, provocou uma reação imediata e negativa nos mercados nesta sexta-feira.
No começo da tarde, o dólar ganhou força frente ao real e o Ibovespa virou para queda, apesar do cenário externo mais positivo após o índice de inflação PCE dos Estados Unidos ter vindo em linha com o esperado.
👉 Preso por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro está impedido de disputar as eleições. A situação levou aliados de Bolsonaro a disputar, ao longo dos últimos meses, o capital político do ex-presidente.
👉 Até então, líderes do Centrão trabalhavam com outra formação: uma chapa encabeçada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), com Michelle Bolsonaro como vice. Essa composição era vista como mais competitiva e capaz de unificar o eleitorado de direita.
👉 No Palácio do Planalto, ela também era considerada a principal alternativa de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já confirmou a intenção de buscar a reeleição no próximo ano.
A sinalização de uma candidatura de Flávio, porém, foi mal recebida no mercado financeiro. A leitura predominante é que essa mudança pode fragmentar a base bolsonarista e aumentar a incerteza sobre o cenário eleitoral.
Após a notícia, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal positivo visto pela manhã e passou a operar em forte queda. Veja abaixo:
“A princípio, cogitava-se a candidatura de Tarcísio de Freitas, que, como governador de São Paulo, já contava com uma base eleitoral consolidada e uma projeção favorável”, afirma Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
Ele destaca que o apoio de Jair Bolsonaro tornaria essa configuração ainda mais competitiva, enquanto a escolha pelo filho muda as expectativas.
Para Praça, o movimento pode abrir espaço para disputas internas e dificultar a formação de uma frente unificada contra Lula, criando divisões entre os apoiadores e reduzindo a previsibilidade do quadro eleitoral.
Mesmo com a volatilidade do dia, alguns analistas seguem otimistas com o desempenho da bolsa no médio prazo. Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o pano de fundo continua favorável.
“Independentemente da volatilidade causada pela política, temos uma perspectiva de alta pra Bolsa Brasileira. Temos preços vantajosos, ciclo de cortes prestes a começar e ainda uma certa expectativa de mudança de ciclo político que viabilize uma agenda de reformas.”
Ele acrescenta que a última superquarta do ano, marcada para a próxima semana, pode reforçar esse movimento, especialmente se a diferença de juros beneficiar o câmbio e der novo impulso ao mercado acionário.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados americanos estão focados nos dados de inflação que serão divulgados hoje, já que eles podem confirmar a expectativa de corte nos juros pelo banco central dos EUA na próxima semana.
Na abertura, o Dow Jones subia 0,06% na abertura, para 47.879,6 pontos. O S&P 500 ganhava 0,13%, a 6.866,32 pontos enquanto o Nasdaq tinha alta de 0,27%, para 23.567,77 pontos.
As bolsas europeias fecharam mistos, acompanhando o otimismo com a expectativa de corte de juros nos EUA. Além disso, investidores seguem atentos às negociações para um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia.
No fechamento, o STOXX 600 avançou 0,01% e o DAX subiu 0,61%. Por outro lado, o FTSE 100 teve queda de 0,45% e o CAC 40 recuou 0,09%.
Já as bolsas asiáticas fecharam com resultados positivos, interrompendo uma sequência de quedas na China. O avanço foi impulsionado pelo otimismo com fabricantes locais de chips, em meio a tensões comerciais com os EUA e medidas para fortalecer a produção doméstica.
No fechamento: em Xangai, o índice SSEC subiu 0,70%, para 3.902 pontos, e o CSI300 avançou 0,84%, a 4.584 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,58%, aos 26.085 pontos.
Já o Nikkei, em Tóquio, caiu 1,05%, para 50.491 pontos. Em outros mercados, o Kospi subiu 1,78%; o Taiex, 0,67%; o Straits Times recuou 0,08%; e o S&P/ASX 200, na Austrália, avançou 0,27%.
Notas de real e dólar
Amanda Perobelli/ Reuters
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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