Economia
É #FAKE vídeo que diz que governo federal condenou Serasa a pagar indenização de R$ 30 mil
Publicação falsa adultera conteúdo de telejornal para inserir áudio com alegações falsas. Decisão alegada não existe. Circulam nas redes sociais um vídeo segundo o qual o governo federal condenou a Serasa a pagar indenização de R$ 30 mil reais para cada consumidor por conta de vazamento de dados no ano de 2021. É #FAKE.
g1
Uma das publicações adultera conteúdo do Jornal Nacional: usando uma imagem de William Bonner e o cenário do telejornal, atribui uma declaração que o apresentador não disse: “O governo federal acaba de condenar a empresa Serasa a pagar, além de uma multa de R$ 200 milhões, uma indenização de trinta mil reais para cada consumidor por conta de vazamento de dados no ano de 2021. Você pode consultar se tem algum valor a receber da indenização no nosso site do g1: é só clicar abaixo em saiba mais.”
O vídeo usa um trecho do Jornal Nacional de 17 de julho de 2023; a reportagem não tinha nenhuma relação com uma eventual decisão envolvendo a Serasa —tinha a ver com um remédio contra o Alzheimer. No vídeo original, Bonner diz: “Um novo remédio experimental para pacientes de Alzheimer conseguiu retardar o avanço da doença. O laboratório americano Eli-Lilly publicou hoje o resultado dos testes com mais de 1.700 pacientes”.
O fraudador substituiu o áudio original por outro com alegações mentirosas.
O vídeo falso circula no WhatsApp, com indícios de que circulou antes a partir do perfil “Emily Cristina” —que contrata publicidade impulsionada nas redes sociais.
O vídeo não foi encontrado na biblioteca de anúncios da Meta. No entanto, publicações ativas têm em comum a legenda fraudulenta: “Vazamento de dados é confirmado por órgãos fiscalizadores e empresa está tendo que indenizar em até 30 mil todos aqueles prejudicados.”
As publicações falsas sugerem ao leitor clicar em um botão “saiba mais. Ao clicar, o consumidor corre o risco de ser induzido a golpe, fornecer acesso a dados privados e perder dinheiro.
Como é comum ocorrer, nesse caso a fake news distorce uma premissa verdadeira para conseguir atrair interessados: o Ministério Público Federal entrou, como coautor, com uma ação na Justiça para obrigar a Serasa a indenizar 223 milhões de brasileiros por vazamento de dados.
No processo, o MPF defende que cada pessoa afetada seja indenizada com R$ 30 mil e que a Serasa seja condenada a pagar multa, pelos danos causados a toda a sociedade, em valor equivalente a até 10% do seu faturamento anual no último exercício.
Ainda não há decisão de primeira instância, a cargo da 22a Vara Cível Federal de São Paulo.
Consultado pelo Fato ou Fake, o MPF afirma que ainda não houve julgamento dos pedidos de indenização formulados pelo MPF. Ou seja, até o momento, não houve determinação judicial para o pagamento de nenhum valor.
“Notícias que indiquem o contrário são falsas”, informou o órgão.
O processo segue em tramitação na Justiça Federal. O número é 5002936-86.2021.4.03.6100. O andamento pode ser consultado em no link https://pje1g.trf3.jus.br/pje/ConsultaPublica/listView.seam
Também autor da ação, o Instituto Sigilo afirma ter pedido indenização de R$ 15 mil para cada titular de dados supostamente vazados. Também esclarece que a ação civil pública contra o Serasa ainda está em produção de provas periciais.
“A nossa orientação é não acreditar em sites ou mídias sociais que não são do Instituto Sigilo ou de órgãos oficiais. Por conta do apelo social de nossas causas, muitas pessoas estão tentadas a receber dinheiro sem que haja uma efetiva execução de sentença coletiva ainda em andamento.”
A Serasa afirma que a alegação contida na peça que circula em redes sociais é completamente falsa.
“Notícias que mencionam suposta multa e indenização de R$ 30 mil são enganosas e confundem o consumidor. Não existe nenhuma condenação nesse sentido.”
A empresa disse ainda:
“Em relação aos anúncios falsos sobre a indenização nas redes sociais, a Serasa Experian verificou que a maioria foi veiculada pelos mesmos perfis, falsos, criados recentemente, muitos já inativos, com poucas ou apenas essa publicação. A Serasa Experian esclarece que monitora e atua no combate a contas falsas ou publicações que citam indevidamente seu nome em redes sociais, sites, aplicativos e canais digitais em geral. É importante que os consumidores fiquem alertas para golpes e campanhas oportunistas que estão sendo realizadas sobre esse assunto na internet. Nenhum valor é devido. Os veículos de comunicação têm se mostrado atentos aos fatos e prestado informação clara e verdadeira em relação ao tema. A Serasa Experian reafirma a regularidade de suas condutas e o rigoroso cumprimento da legislação brasileira”.
É #FAKE vídeo que diz que governo federal condenou Serasa a pagar indenização de R$ 30 mil
Reprodução
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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