Connect with us

Política

Eleições 2026: analistas preveem campanhas ainda mais voltadas para viralizar nas redes; entenda efeitos

Published

on

Lula, Tarcísio de Freitas e Eduardo Bolsonaro são os principais nomes das eleições de 2026.
Reprodução
A eleição de outubro já movimenta os políticos de todo o país, e ações recentes — como eventos, gestos simbólicos e vídeos nas redes — indicam o tom da campanha de 2026: mais performática e pensada para viralizar, avaliam analistas ouvidos pelo g1.
“A política se torna o campo do espetáculo”, afirma a cientista política e pesquisadora da UnB, Isabela Rocha. “Os discursos feitos em plenário têm trechos ensaiados para saírem nas redes, e as ações são pensadas com base na repercussão prevista. A tendência é que essa estratégia se intensifique”, explicou.
Para viralizar, é preciso capturar a atenção do público em meio a um ambiente saturado de conteúdo. Isso incentiva políticos a apostar em atos cada vez mais chamativos, com forte apelo simbólico e potencial de mobilização.
Camarotti:TSE quer evitar questionamentos nas eleições
Isabela Rocha lembra a caminhada interestadual do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que saiu de Minas a Brasília em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos demais condenados por golpe de Estado.
O parlamentar percorreu os mais de 240 km que separam a cidade de Paracatu (MG) de Brasília (DF) a pé. Todos os seis dias de trajeto foram transmitidos pelas redes sociais dele.
“Eventualmente, você não sabe nada do Nikolas Ferreira até ele ir para a rua, até ele fazer isso. Aí ele passa 15 dias na rua, só se fala nisso, isso chega em outras pessoas”, analisa o cientista político da Universidade de São Paulo (USP), Glauco Peres.
A peregrinação de Nikolas foi ganhando espaço nas redes à medida em que ele avançava. Isso teve efeito na “vida real”. O último dia do ato, em Brasília, contou com cerca de 18 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios.
“Os políticos que são eleitos usando as redes sociais, como o Nikolas Ferreira, ou que depois passam a se apoiar muito nelas — embora tenham uma atuação fora delas, mas sistemática, como vários políticos da esquerda — passam a cultivar um exercício de performance”, explica o professor da USP.
Em greve de fome, Glauber Braga diz que vai passar fim de semana em plenário de comissão
Do outro lado do espectro político, o deputado da esquerda Glauber Braga (PSOL-RJ) fez uma greve de fome de oito dias na Câmara no ano passado para protestar contra um processo no Conselho de Ética, que poderia terminar com sua cassação.
Foi também uma forma de usar o esforço físico como ato de protesto. Durante esse tempo, o parlamentar ingeriu apenas água, soro e isotônico. O fim do que ele classificou de greve de fome foi anunciado em uma coletiva e se deu graças ao acordo feito com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“Essas ações atingem o público de uma forma mais emocional que racional”, pontua Isabela Rocha.
Ela defende que “a performance é a nova forma de fazer política” e que “o eleitor é muito emocionado”, por isso esses conteúdos ganham tanta visibilidade.
O que acontece com as propostas?
Estratégias para ganhar o olhar do público sempre fizeram parte da política. A viralização, no entanto, intensifica o desequilíbrio entre performance e propostas, segundo especialistas.
Políticos passaram a publicar com frequência vídeos que pouco ou nada têm relação direta com projetos ou pautas legislativas, como conteúdos sobre rotina pessoal, prática de esportes ou atividades na academia. O objetivo, segundo analistas, é manter presença constante nas redes e preservar o engajamento do público.
“Esses políticos estão tentando produzir mais material, mais conteúdo. Quem consome isso, na maior parte, é a própria base. Ele está falando com o próprio eleitor para manter esse público cativado, para mantê-lo mobilizado e continuar sendo lembrado”, explica o cientista político e professor da Universidade de São Paulo (USP), Glauco Peres.
O prefeito do Recife, João Campos (PSB) posta com frequência vídeos praticando atividades físicas, como futebol e corrida. São conteúdos sem nenhum teor político, mas que ajudam a engajar o público e favorecer a performance nas redes.
Esse tipo de estratégia tende a ampliar a visibilidade, mas não necessariamente amplia a discussão política. “O tempo todo elas vão estar preocupadas em produzir. E aí o material, sempre que vai ali, nunca é um debate completo”, reforça o especialista.
A lógica das redes
Ainda segundo a especialista, os materiais consumidos e compartilhados nas redes pelos usuários seguem a lógica da confirmação. As pessoas querem reforçar as próprias crenças e usam o espaço digital para isso. O que os políticos exploram “é um conteúdo muito emocional”, que toca o eleitor nesse ponto de reafirmação, acredita ela.
Um dos problemas é que isso limita o debate eleitoral. As pessoas não consomem conteúdos contrários às suas opiniões e os políticos tão pouco produzem conteúdos que geram uma visão completa do cenário político.
“Você nunca tem o debate inteiro, você nunca vê tudo do que está sendo dito. Então sempre tem a fala que vai ser criticada, o político critica, aquilo acaba. Você não vê a réplica”, ressalta o professor da USP, Glauco Peres.
Diferenças entre direita e esquerda
Embora a lógica das redes sociais influencie atores de diferentes espectros ideológicos, especialistas apontam que direita e esquerda costumam adotar estratégias distintas quando recorrem a ações performáticas.
Na direita, esses gestos tendem a estar associados a narrativas de enfrentamento ou denúncia contra instituições, com forte apelo emocional e linguagem direta. Caminhadas simbólicas, protestos individuais e discursos gravados em tom de alerta costumam ser usados para reforçar a identidade política e mobilizar apoiadores já engajados.
O vídeo viral sobre o PIX feito pelo deputado Nikolas Ferreira é um exemplo disso. Ele alcançou mais de 300 milhões de visualizações nas redes sociais ao atacar uma medida do governo. O vídeo é feito em tom de alerta e usa elementos que atingem o emocional dos espectadores.
Já na esquerda, as performances políticas aparecem com mais frequência vinculadas a ações coletivas e causas sociais, como greves, atos públicos e mobilizações organizadas. Nessas situações, o foco costuma recair sobre pautas estruturais e denúncias de desigualdades.
Recentemente o governo publicou nas redes sociais oficiais, por exemplo, um vídeo que divulga o fim do pagamento do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil com uma roupagem que visa a performance nas redes. No post, o assunto é explicado por meio de vídeos engraçados de gatinhos e uma metáfora de leões e gatinhos para explicar a atuação do Imposto de Renda.
A impressão que fica para Isabela Rocha, no entanto, é que essas pautas não tem a mesma repercussão dos conteúdos de direita. “Essa parte do que eu observo como uma dificuldade da esquerda política, de conseguir engajar, de conseguir realmente trazer bastante participação, engajamento nas plataformas, é algo que a direita já faz muito bem desde 2018”, opinou.
De toda forma, os dois lados convergem ao menos em um ponto: os políticos utilizam as redes para fazer uma “campanha” contínua, segundo Glauco Peres. Os mandatos não ficam mais restritos em Brasília, eles alimentam conteúdos para redes “o tempo todo”, acrescenta ele.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda

Published

on

By

A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.

Continue Reading

Política

Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja

Published

on

By

Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).

Continue Reading

Política

Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado

Published

on

By

Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP

O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).

Continue Reading

Trending

Copyright © 2022 InfoDourados