Política
Em alta no país, mortes cometidas por policiais sobem em 17 estados em 2025
Mortes cometidas por policiais crescem 4,5% no Brasil
A quantidade de pessoas mortas pelas polícias cresceu em 17 estados brasileiros ao longo de 2025, indica levantamento do g1 com números do Ministério da Justiça e Segurança Pública atualizados na última terça-feira (3). Outros nove estados registraram queda, enquanto o Distrito Federal manteve os mesmos números de 2024.
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O caso mais expressivo é Rondônia: foram 8 mortes em 2024 e 47 no ano passado, um aumento de 488%. Em números absolutos, a Bahia lidera, com 1.569 mortes.
Os dados são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao ministério, responsável pela divulgação. No geral, o Brasil teve alta de 4,5% nas mortes cometidas por policiais em 2025.
O gráfico abaixo mostra os dados de cada estado.
Mortes cometidas pelas polícias dos estados
Dhara Pereira/Arte g1
O indicador de letalidade policial vai em direção contrária às estatísticas de mortes violentas.
Em 21 de janeiro, levantamento do g1 com a mesma base de dados revelou que o Brasil registrou queda no número de mortes violentas pelo quinto ano seguido, o que indica tendência de queda.
São consideradas mortes violentas os homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte.
As mortes cometidas por policiais são contadas separadamente e, em 10 anos, houve um aumento de 170% nos casos.
Situação por estado
Em números brutos, Bahia (1.569 casos), São Paulo (835) e Rio de Janeiro (798) são os estados que registraram a maior quantidade de mortes cometidas por policiais em 2025.
No fim de outubro, uma megaoperação policial contra criminosos do Comando Vermelho terminou com 121 mortos, sendo 117 suspeitos e quatro policiais, o que contribuiu para a alta de casos no Rio, que registrou aumento de 13%.
Imagem de drone mostra corpos levados a praça no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 29 de outubro de 2025.
Ricardo Moraes/Reuters
Já as maiores taxas de mortes a cada grupo de 100 mil habitantes foram verificadas no Amapá (17,11), na Bahia (10,55) e no Pará (7,28).
A maior alta foi registrada em Rondônia, de 488%. No final do ano, Ministério Público do estado criou um grupo especial para estudar a segurança pública.
Segundo o promotor Pablo Viscardi (MPRO), o aumento das mortes em Porto Velho está relacionado a conflitos entre facções criminosas, o que levou a polícia a reforçar operações e o patrulhamento.
“A crescente intervenção policial, seja na realização de operações decorrentes de investigações, seja no policiamento ostensivo, aliada à extensão territorial do município, que é um dos maiores do Brasil, ajuda a explicar esse cenário”, afirma o promotor.
Janeiro foi o mês mais violento de 2025 no estado, com 12 mortes em Porto Velho, em meio a uma onda de ataques e confrontos entre a polícia e o Comando Vermelho. A escalada começou após a morte de um líder da facção em uma ação policial e, dias depois, o assassinato de um cabo da PM.
O g1 procurou o governo de Rondônia e aguarda posicionamento sobre o assunto.
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Persiste lógica de eliminar pessoas indesejadas, diz policial aposentado
Tenente-coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo, Adilson Paes de Souza avalia que os números de letalidade policial indicam que há a “continuidade de uma lógica de política de segurança pública cujo foco é a eliminação de pessoas classificadas como marginais, criminosas, bandidos”.
“Persiste também a ideia de que não se trata de algo ideológico de uma determinada corrente política. Esquerda e direita navegam nas mesmas águas, apostam na letalidade”, diz.
Souza destaca que o estado com maior letalidade policial, a Bahia, é governado pelo PT, enquanto o segundo (Rio de Janeiro) e o terceiro (São Paulo) têm governadores do PL e do Republicanos, respectivamente, ambos aliados de Jair Bolsonaro (PL).
Diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo considera que políticas públicas para dar alternativas de armas não-letais aos policiais têm tido pouco efeito por decisão dos estados.
“Continuamos tendo no Brasil patamares muito altos de uso da força policial, ainda que tenham projetos para ter recursos alternativos à força letal. Mas essa não é uma preocupação dos estados em geral”, afirma.
Mortes e suicídios de policiais
Enquanto as mortes cometidas por policiais cresceram, as mortes de agentes de segurança registraram queda em 2025: foram 185 casos, uma redução de 8% comparando a 2024.
O Rio de Janeiro registrou 77 mortes, quase 42% do total e uma alta de 35% comparado aos 57 casos do ano anterior.
Em 2024, o estado representava 28% dos policiais mortos em todo o país (foram 57 dos 202 casos registrados).
Em relação a ações com mortes de pessoas e policiais, Carolina Ricardo cita a megaoperação com 121 mortos (117 suspeitos e 4 policiais) nos Complexos da Penha e Alemão, no Rio de Janeiro, em outubro do ano passado.
“Ações que expõe os policiais, ações violentas, operações em comunidades conflagradas, tudo isso pode expor, sim, os policiais. Como vimos na operação Contenção no ano passado”, afirma. “Junto a isso, [vivemos em] uma sociedade que de uma forma geral muitas vezes tolera a ideia de que não tem muito o que fazer e a polícia tem que matar, mesmo”.
O número de suicídios de policiais também apresentou queda: passou de 151 para 131, redução de 13%. No entanto, os números indicam que um agente de segurança comete suicídio a cada três dias no Brasil.
São Paulo apresentou alta de 65% nesse tipo de ocorrência, que passaram de 17 para 28.
Já o Rio de Janeiro teve queda de 60%, de 18 para 7 suicídios registrados em 2025.
Nos últimos dez anos, o Brasil perdeu 1.303 agentes de segurança pública vítimas de suicídio. A maioria era policial militar (865 casos, ou 64% do total) e policiais civis (237, ou 18% do total).
“Em resumo, continua matando muita gente, continua morrendo muitos policiais e ninguém está ficando seguro. Nós temos uma espetacularização das mortes produzidas pela polícia e temos cada vez mais a aposta na letalidade no confronto, como sinônimo de eficiência de uma política estatal de segurança pública”, afirma Adilson Paes de Souza.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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