Política
Empresários assinam carta em defesa das urnas eletrônicas e da democracia
Manifesto criado por ex-alunos da faculdade de direito da USP soma 2,7 mil assinaturas e inclui de banqueiros a ex-ministros do STF até artistas e ex-jogadores de futebol. Urna eletrônica, que é usada no sistema eleitoral defendido pela carta
Paulo Pennafort/Rede Amazônica
Um grupo de empresários e banqueiros assina carta em defesa do processo eleitoral brasileiro e da democracia após seguidos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL). O texto tem como criadores ex-alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
A iniciativa reúne até o momento 2,7 mil assinaturas e deve chegar às 3 mil ainda nesta terça, segundo os responsáveis.
Constam na lista nomes como Walter Schalka, presidente da Suzano; Roberto Setúbal, ex-presidente do Banco Itaú; Natália Dias, CEO da Standard Bank; Pedro Moreira Salles, presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco; Pérsio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central; Tarcila Ursini, conselheira de administração da EB Capital, entre outros.
Agora candidato, Bolsonaro pode sofrer punição eleitoral se voltar a atacar as urnas
“Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral”, diz trecho do documento.
No campo jurídico, ao menos seis ex-ministros do Supremo Tribunal são signatários do manifesto, dentre os quais Carlos Ayres Britto, Celso de Mello, Cesar Peluso e Ellen Graice.
Também aparecem entre as assinaturas os artistas Chico Buarque, Arnaldo Antunes, a atriz Debora Bloch, os ex-jogadores de futebol Walter Casagrande e Raí, o cineasta João Moreira Salles e o Padre Júlio Lancellotti – que atua na defesa da população de rua em São Paulo.
Evento de leitura
O conteúdo será apresentado na sede da Faculdade de Direito da USP, no centro de São Paulo, em 11 de agosto, com Roberta Estrela D’Alva como cerimonialista. A data comemora o aniversário da criação dos cursos de direito no país.
A data coincide com a leitura de manifesto no mesmo local em 1977 para denunciar a ditadura militar, que subtraiu direitos e matou opositores do regime. Um grupo de 17 pessoas que assinaram o documento anterior constam na carta atual em favor da urna eletrônica e da democracia.
Juiz federal e ex-aluno da faculdade, Ricardo de Castro Nascimento é um dos organizadores da carta. Ele conta que a expectativa era juntar 500 assinaturas, mas vão sextuplicar a meta hoje e o total deve crescer mais.
“A coisa bombou porque o discurso é em defesa da democracia. Vamos instalar telão e estamos em contato com a Prefeitura abrir o evento para o Largo do São Francisco. Corremos o risco do fracasso do sucesso”, brinca, sobre a possibilidade de o local estar lotado no dia 11.
A partir das 17h desta terça, as pessoas interessadas em assinar o documento poderão fazê-lo online pelos sites da Faculdade de Direito da USP, da Associação de Juízes Federais, Associação do Ministério Público e do Grupo Prerrogativas.
Ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, Ciro Nogueira publicou em seu Twitter mensagem criticando os banqueiros e empresários ao dizer que “o Brasil passou a ter um Banco Central” independente. Contudo, a mudança ocorreu ainda na década de 1990, e não com Bolsonaro.
Já no governo Michel Temer, o presidente e o Conselho do BC passou a ter mandatos, sem interferência do presidente da República.
Confira uma lista com parte dos nomes que assinam a carta:
Natália Dias – CEO Standard Bank
Roberto Setúbal – ex-presidente do Banco Itaú e presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco
Fabio Barbosa – ex-presidente do Santander Brasil e da Federação Brasileira dos Bancos
Pedro Moreira Salles – presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco
Armínio Fraga – ex-presidente do Banco Central
João Paulo Pacifico – CEO Grupo Gaia
Pedro Malan – ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central
Fábio Alperowitch – sócio-fundador FAMA Investimentos
Horacio Lafer Piva – ex-presidente da Fiesp e integrante do conselho de administração da Klabin
Candido Bracher – ex-presidente do Itaú Unibanco
Pérsio Arida – economista, ex-presidente do BNDES e do Banco Central, integrou a equipe econômica que criou o Plano Real
Tarsila Ursini – Conselheira de Administração
Guilherme Leal – copresidente do conselho de administração da Natura
Gabriel Galípolo – economista
Pedro Parente – economista, ex-presidente da Petrobras
Affonso Celso Pastore – economista
Edmar Bacha – economista, integrou a equipe econômica que criou o Plano Real
Marcio Calvet Neves – socio CalvetNeves Advogados
Junia Nogueira de Sa – conselheira de empresas
Cristina Ponte – gerente de tecnologia
Marcel Fukayama – empreendedor
Fernando Becker Mau – advogado
José Onofre de Araújo Neto – empresário
Jorge Mauro Jauregui – arquiteto
Marco Gorini – empresário
Walter Schalka – presidente Suzano
Claudia Sender – conselheira de administração
Antonio Napole – administrador
Ana Paula pessoa – economista e conselheira independente
Luciana Costa – Executiva do Mercado Financeiro
Luís Barbieri – Raiar Orgânicos
Ronald Kapaz – CSO Playground Lab Design
Geraldo Luciano Mattos Júnior – Conselheiro de Empresas
Carlos Ayres Britto – ex-ministro do STF
Celso de Mello – ex-ministro do STF
Cesar Peluso – ex-ministro do STF
Ellen Graice – ex-ministra do STF
Marco Aurélio Mello – ex-ministro do STF
Sepúlvera Pertence – ex-ministro do STF
José Afonso da Silva – jurista
Sérgio Bermudes – advogado, assinou manifesto em 1977
Luiz Eduardo Greenhalgh – advogado, fundador do PT
Raí – ex-jogador de futebol
Walter Casagrande – ex-jogador de futebol, integrou a Democracia Corintiana
Padre Julio Lancellotti – padre que atua em defesa da população de rua em São Paulo
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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