Economia
Empresas de tecnologia perdem US$ 1 trilhão em valor de mercado com ‘ameaça’ de IA chinesa
Modelo de inteligência artificial da startup DeepSeek, sediada na China, motivou a queda das ações de outras empresas do setor, como a gigante Nvidia, que atingiu perdas de US$ 600 bilhões. Logo do Deepseek
Dado Ruvic/Reuters
Um novo modelo de inteligência artificial (IA), produzido pela startup chinesa DeepSeek, fez empresas de tecnologia dos Estados Unidos e da Europa perderem cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado nesta segunda-feira (27). O cálculo é da agência Bloomberg.
As perdas aconteceram diante da disparada de downloads do assistente de IA da DeepSeek, que superou seu rival norte-americano ChatGPT na App Store. O aplicativo gratuito se tornou também o mais bem avaliado disponível na loja da Apple nos EUA.
O modelo de IA apresentado pela startup chinesa se destaca por ser uma alternativa viável e mais barata de inteligência artificial. (leia mais abaixo)
Isso fez investidores questionarem sobre a sustentabilidade de gastos e investimentos no setor por empresas dos Estados Unidos— incluindo a Microsoft, a Meta e a Alphabet. Também colocou em dúvida o domínio ocidental no setor.
Em outras palavras: o mercado se animou com o fato de a DeepSeek possivelmente igualar as capacidades dos modelos de IA dos EUA, mas com um orçamento muito menor.
Diante do cenário, a maior perdedora do dia foi a companhia norte-americana Nvidia. A fabricante de chips e semicondutores para IA chegou a perder mais de US$ 600 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira, informou o jornal britânico Financial Times.
As ações da empresa chegaram a recuar 17,8%, reduzindo em US$ 620 bilhões sua capitalização de mercado. Esse pode ser um novo recorde de perda em um único dia. Até agora, o pior resultado da Nvidia foi registrado em 3 setembro de 2024, quando caiu US$ 279 bilhões.
Impactos em Wall Street
Os principais índices de ações foram impactados pela novidade DeepSeek. Por volta das 17h, o índice tecnológico Nasdaq operava em baixa de 3,50%. O S&P 500 recuava 1,75% e o Dow Jones subia 0,48%.
“Os investidores estão desconcertados com esta nova reviravolta dos acontecimentos e pelo [temor] de que as empresas norte-americanas especializadas em IA percam influência”, disse Sam Stovall, da consultoria financeira CFRA, à agência AFP.
Outras gigantes que fizeram grandes investimentos no setor da IA também sofreram os reflexos. Por volta das 17h, a Oracle despencava 15,96%, e a Alphabet (Google), 4,35%. A Microsoft perdia 2,43%, enquanto a Amazon recuava 1,23%.
Já a Meta, que chegou a operar em perda de mais de 2%, tinha leve alta, de 0,08%.
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Por que a DeepSeek causou alvoroço?
A empresa atraiu a atenção nos círculos globais de IA após escrever, em um artigo no mês passado, que o treinamento do DeepSeek-V3 exigiu em poder de computação dos chips Nvidia H800 um valor abaixo de US$ 6 milhões.
A popularidade do DeepSeek repercutiu no Vale do Silício, derrubando teorias sobre o protagonismo dos EUA em IA e a eficácia dos controles de exportação de Washington visando os recursos avançados de chip e inteligência artificial da China.
Os modelos de IA (do ChatGPT ao DeepSeek), exigem chips avançados para alimentar seu treinamento. A partir de 2021, o então presidente dos EUA, Joe Biden, ampliou o escopo das proibições para impedir que esses chips fossem exportados para a China e usados para treinar os modelos de IA das empresas chinesas.
A startup chinesa alega que a qualidade e o custo eficiente dos modelos DeepSeek-V3 e DeepSeek-R1 renderam elogios de executivos do Vale do Silício e engenheiros de empresas de tecnologia dos EUA, colocando as tecnologias no mesmo nível dos modelos mais avançados da OpenAI e da Meta.
Mas alguns estão céticos sobre os custos totais de desenvolvimento da tecnologia. Analistas da gestora Bernstein, por exemplo, questionaram nesta segunda-feira a afirmação da empresa de que gastou US$ 5,58 milhões para os testes do modelo V3, dizendo que os custos teriam sido bem maiores.
É provável que os investidores questionem se os desenvolvimentos da DeepSeek têm o potencial de realmente desestabilizar o setor, diz Adam Sarhan, presidente-executivo da 50 Park Investments. Segundo ele, se isso acontecer, “todas essas ações de IA e o mercado como um todo serão reavaliados”.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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