Economia
Entenda como se antecipar aos cortes de juros e preparar sua carteira de investimentos
Entenda como se antecipar aos cortes de juros e preparar sua carteira de investimentos
A expectativa de que o Banco Central do Brasil (BC) deve começar a cortar juros ainda no primeiro trimestre deste ano abre uma nova janela de oportunidade para que os investidores revisem suas carteiras de renda fixa.
Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a principal projeção do mercado é de que a reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) ainda mantenha os juros inalterados, com sete em cada 10 bancos estimando uma redução apenas em março.
Entenda nesta reportagem o que esperar dos juros e como montar sua carteira de investimentos.
Corte à vista
Segundo especialistas consultados pelo g1, parte do que explica a postura mais cautelosa do BC na condução dos juros são as incertezas geopolíticas e os riscos da condução do governo brasileiro com as contas públicas.
“O cenário global desse ano começou um pouco conturbado, e algumas dessas questões podem afetar a avaliação de risco por parte do BC”, explica a estrategista de investimentos da XP, Rachel de Sá.
É o caso, por exemplo, das tensões no Oriente Médio, que podem acabar afetando os preços do petróleo no mercado internacional. Sempre que o petróleo sobe, há impactos na inflação global e brasileira.
Outra questão é da sequência de embates entre o governo americano e o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). O mercado segue cauteloso em relação a quem será o nome indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a liderança do Fed ao fim do mandato do atual presidente, Jerome Powell.
Já por aqui, o possível aumento de gastos ante o ano eleitoral e as dúvidas sobre quem poderá ser o novo presidente do Brasil também ficam no radar dos investidores.
“Por um lado, temos a perspectiva de enfraquecimento do dólar, por exemplo, o que pode ajudar a inflação. Mas também temos dúvidas sobre quais devem ser as reformas fiscais propostas pela nova gestão do Brasil”, acrescenta a estrategista da XP.
Mesmo diante de todas as incertezas, o mercado financeiro estima que o ciclo de cortes de juros por parte do BC comece neste ano.
Segundo o Boletim Focus, divulgado semanalmente pela instituição, a estimativa é que a Selic encerre o ano em 12,25% ao ano — ou seja, com uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao atual patamar.
Como antecipar o corte de juros na carteira de investimentos?
Esse cenário, segundo especialistas, abre espaço para que investidores montem uma estratégia voltada para a diversificação em ativos de renda fixa.
Segundo um estudo elaborado pela XP Investimentos e compartilhado em primeira mão com o g1, períodos de queda de juros costumam ser favoráveis principalmente para títulos prefixados e indexados à inflação (IPCA+).
Títulos prefixados têm uma taxa de rendimento definida no momento da aplicação, o que permite ao investidor saber quanto receberá no vencimento do título.
Títulos indexados à inflação são aqueles que rendem a inflação do período acrescida de uma taxa fixa.
De acordo com o documento, esses ativos tendem a apresentar um desempenho superior ao CDI (taxa que serve como referência para boa parte dos investimentos de renda fixa no Brasil) não apenas em períodos de queda de juros, mas também nos meses que antecedem o início do ciclo.
Segundo o estudo, que analisou ciclos de queda desde 2005, o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo de cortes, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período.
O relatório também mostra que, para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, a estimativa é que os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês.
Nesse último caso, foram considerados o índice IMA-B 5 — que mostra o desempenho de títulos públicos atrelados à inflação com vencimento de até 5 anos — e o IRF-M, que acompanha o desempenho de títulos prefixados.
Segundo Sá, da XP, esse é o momento ideal para o investidor “rebalancear o mix de indexadores” da carteira, combinando ativos prefixados, atrelados à inflação e pós-fixados.
“Isso não significa que o investidor precisa sair do CDI, que é um investimento que também tem o seu papel caso o ciclo de cortes seja menor e traz um pouco menos de volatilidade. O importante é entender que a diversificação de indexadores vai trazer um equilíbrio maior para a carteira”, comenta a estrategista.
Como preparar minha carteira de investimentos?
Segundo o planejador financeiro certificado pela Planejar, Carlos Castro, é importante que o investidor aloque seus recursos de forma estratégica, independentemente do ciclo econômico do país.
Castro afirma que uma boa estratégia de investimentos deve seguir três passos:
Defina um horizonte de tempo e separe os objetivos de curto, médio e longo prazo. Dessa forma, o investidor consegue entender se deve montar uma carteira com perfil de risco mais conservador, moderado ou agressivo.
Com base no perfil de risco, defina como a carteira será dividida entre ativos de renda fixa, renda variável, multimercados e alternativos.
Depois de dividir a carteira, escolha quais produtos financeiros irão compor cada classe de ativos.
Os especialistas alertam, ainda, que é preciso atenção ao horizonte de investimentos. De acordo com o especialista de renda fixa do Inter Rafael Winalda, essa definição de prazo pode impedir prejuízos por conta da marcação a mercado.
🔎 Marcação a mercado é o preço calculado do investimento como se ele fosse vendido naquele dia. Esse valor é atualizado diariamente.
“O erro mais comum é não alinhar o horizonte do investimento à necessidade de liquidez. Investidores que aplicam em títulos longos (como IPCA+ 2035 ou 2045) sem ter a certeza de que podem manter o dinheiro investido até o vencimento podem ser obrigados a vender com prejuízo em momentos de necessidade”, explica Winalda.
O especialista destaca ainda que é necessário separar os investimentos estratégicos da carteira daqueles destinados à reserva de emergência, voltada para imprevistos.
Veja dicas de como separar os investimentos da carteira daqueles que formam a reserva de emergência:
Separe a reserva de emergência em ativos líquidos e conservadores;
Investa em títulos longos apenas com recursos que comprovadamente não serão necessários no curto/médio prazo; e
Diversifique os vencimentos, evitando concentração excessiva em um único prazo ou estratégia.
Como montar uma carteira de investimentos diversificada
Divulgação
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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