Economia
França limita importações agrícolas em resposta à indignação com o acordo UE-Mercosul
O presidente francês Emmanuel Macron participa de cúpula de líderes da União Europeia em Bruxelas, Bélgica, em 18 de dezembro de 2025.
Reuters/Stephanie Lecocq
A França decretou, nesta quarta-feira (7), a suspensão temporária das importações de certos produtos agrícolas, especialmente sul-americanos, que recebem tratamento com substâncias proibidas na União Europeia.
A medida é vista como uma resposta à indignação dos agricultores franceses em relação ao acordo comercial UE-Mercosul. Ela já havia sido anunciada pelo governo do país no último domingo (4).
Com a iminência da assinatura deste tratado, França e UE buscam maneiras de tranquilizar seus agricultores e pecuaristas, que temem o impacto da chegada de produtos das potências agrícolas de Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.
Os ministros da Agricultura europeus devem se reunir na tarde desta quarta-feira em Bruxelas para abordar as preocupações do setor agrícola, que mantém seus protestos na França bloqueando estradas com tratores.
Para atender a essas preocupações, a França anunciou no domingo a suspensão de certos produtos agrícolas. A medida, que entrará em vigor na quinta-feira por um período de um ano após sua publicação nesta quarta-feira no Diário Oficial, deve receber também a aprovação da Comissão Europeia.
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Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e até batatas, entre outros, não poderão mais entrar na França se contiverem cinco fungicidas e herbicidas proibidos na Europa e utilizados no tratamento de frutas, verduras e cereais: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
Dado o perfil dos produtos, a suspensão afeta “principalmente a América do Sul”, embora “não seja um decreto dirigido contra a América do Sul, mas contra qualquer país” que processe frutas e vegetais com essas substâncias, afirmou o Ministério da Agricultura no início desta semana.
Bruxelas tem dez dias para analisar a suspensão, que pode ser aplicada enquanto isso. “Ao final desse período, a Comissão Europeia poderá optar por não se opor a ela e, portanto, mantê-la em vigor, ou estendê-la ao resto da UE (…) ou opor-se a ela”, explicou o ministério.
O decreto, que se aplica a produtos importados de fora da UE, também exige que as empresas do setor alimentício implementem controles para garantir que os produtos importados não contenham as substâncias proibidas em questão.
‘Salvar a agricultura’
O governo francês do presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, está sob pressão do setor agrícola, que já realizou protestos significativos nos últimos invernos (na Europa, verão no Brasil) para chamar a atenção para sua situação precária e lançou uma nova mobilização.
Há também pressão política. Se Macron votar a favor do Mercosul, “ele corre o risco de enfrentar uma censura” de seu governo, alertou o líder conservador Bruno Retailleau sobre esse acordo que é rejeitado por todos os partidos.
Mas mesmo com a oposição francesa, cujo ministro para a Europa, Benjamin Haddad, reiterou que o esboço do acordo comercial permanece inaceitável apesar das “melhorias obtidas”, sua assinatura poderá ocorrer em 12 de janeiro, caso seja aprovado pela maioria qualificada do Conselho Europeu.
Para tranquilizar o setor, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs na terça-feira um financiamento adicional para os agricultores de cerca de 45 bilhões de euros (283 bilhões de reais), no âmbito de sua futura Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034.
Os agricultores europeus temem o impacto de uma entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos na Europa, considerados mais competitivos devido às suas normas de produção, em troca da exportação de veículos e máquinas europeias para o Mercosul.
Além disso, muitos agricultores franceses estão insatisfeitos com a forma como a dermatose nodular bovina, uma doença animal, está sendo tratada. O governo exige o abate do rebanho quando um caso positivo é confirmado e se opõe a um programa nacional de vacinação.
“Precisamos mesmo encontrar uma solução para salvar a agricultura francesa”, disse à AFP o pecuarista Pierre Solana, de 37 anos, enquanto participava de um comboio de cerca de 100 veículos, incluindo cerca de 40 tratores, perto de Toulouse, no sul da França.
“É uma guerra de desgaste. Estamos determinados a fazer o que for preciso para obter respostas e sermos ouvidos”, acrescentou.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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