Política
Governo Lula quer ampliar parcerias na Ásia e mira equilíbrio na guerra comercial entre China e EUA
Lula fará giro por Japão e Vietnã no final deste mês. Brasil valoriza parceria com a China, mas tenta evitar dependência em excesso do seu principal parceiro comercial. Lula embarca em viagem
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá ao Japão e ao Vietnã no final deste mês nas primeiras paradas de uma agenda internacional planejada para ampliar parcerias na Ásia e sinalizar que o Brasil busca uma posição equilibrada em meio às disputas comerciais por hegemonia entre China e Estados Unidos.
Segundo fontes do governo, o Brasil não deseja fazer parte do campo de interesse americano ou chinês. Por isso, Lula planejou a agenda com a intenção de sinalizar que o Brasil é um país com múltiplos parceiros.
A busca por novos aliados na Ásia visa diminuir a dependência comercial da China e dos Estados Unidos, primeiro e segundo parceiros do Brasil, que no momento travam uma guerra comercial, iniciada por Donald Trump, por meio da taxação de produtos.
Vice-presidente Geraldo Alckmin defende diálogo sobre taxação das importações americanas de aço e alumínio
Japão e Vietnã
Lula ficará uma semana entre Tóquio (24 a 27) e Hanói (27 a 29). No Japão, será recebido para uma visita de “primeira categoria”, a mais alta da diplomacia local e realizada uma vez por ano, que prevê audiência com o imperador Naruhito.
O presidente tentará ampliar o acesso da carne brasileira ao mercado japonês e participará de um fórum empresarial. Também há perspectiva de venda de aeronaves da Embraer.
Lula decidiu aproveitar a viagem para visitar o Vietnã, um país de economia emergente e que é visto por auxiliares do presidente com potencial de ampliar a corrente comercial com o Brasil.
China, Malásia e Indonésia no radar
Lula também negocia um roteiro em maio com passagens pela Rússia e pela China, dois parceiros do Brics, bloco de economias emergentes que também reúne Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Irã e Arábia Saudita.
Chefes de Estado do Brasil, China, África do Sul e Índia e o chanceler russo em encontro do Brics de 2023.
Getty Images via BBC
Em Moscou, o presidente deve participar das celebrações pela Dia da Vitória ao lado de Vladimir Putin, em 9 de maio.
Na sequência, pode seguir a Pequim para uma cúpula da China com países da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), caso seja oficializado o convite.
Em outubro há possibilidade de um giro por Malásia e Indonésia. Lula aguarda um convite oficial para o encontro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), sediado na Malásia. O roteiro, a exemplo da ida ao Vietnã, é discutido para ampliar os parceiros comerciais na região.
Outra viagem que depende de convite é ao Canadá, para encontro do G7, em junho.
Estados Unidos
Em setembro, Lula deve fazer a tradicional viagem a Nova York para o discurso na abertura do debate da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Será a terceira participação neste mandato, em um evento que marcará o retorno de Trump ao palanque que reúne todos os países-membros do organismo multilateral.
Na abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula fala sobre desastres climáticos e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio
Mike Segar/ Reuters
Em paralelo ao debate de líderes globais, o governo brasileiro prepara, ao lado do Chile e da Espanha, uma nova reunião sobre defesa da democracia.
Não há definição sobre convite aos Estados Unidos, que, no ano passado, ainda na gestão Joe Biden, enviou um representante de escalão inferior.
Brics e COP 30
A agenda internacional do presidente foi desenhada também para conseguir apoio aos interesses do Brasil nos dois principais eventos que o país sediará neste ano: a cúpula do Brics, em julho no Rio de Janeiro, e a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP 30, em novembro em Belém.
Auxiliares de Lula negociam viagens à França em junho e à Colômbia em agosto. Na França, o presidente pode participar da cúpula sobre oceanos, em Nice, e ter encontro com o presidente Emmanuel Macron, aliado nos debates sobre clima.
A Colômbia deve sediar um encontro com países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), no qual Lula pretende ajustar as posições da região para a COP 30.
Um dos temas prioritários para o Brasil na conferência em Belém é acertar mecanismos para que países mais ricos ajudem a financiar ações de transição energética e preservação ambiental.
Já em novembro, após a COP, o presidente retoma as atenções ao Brics, com a previsão de participar da cúpula do bloco na África do Sul.
Mercosul
A agenda do ano reserva duas cúpulas do Mercosul, uma na Argentina no meio do ano, e outra no Brasil, em dezembro.
No momento, o bloco sul-americano está no comando semestral da Argentina. Os atritos com a gestão de Javier Milei fazem o governo brasileiro apostar em uma estratégia de não incentivar discussões importantes, já que Lula sucederá o colega argentino no segundo semestre.
A expectativa é similar na União Europeia, cujo bloco será liderado no segundo semestre pela Dinamarca.
A diplomacia brasileira avalia que a atual guerra comercial, em um cenário de mercados mais fechados, pode acelerar a tramitação do acordo comercial com o Mercosul.
O acordo precisa passar pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia, os dois principais órgãos de decisão do bloco.
Diante do cenário atual, há otimismo entre auxiliares de Lula para um desfecho da tramitação até dezembro.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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