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Economia

Grifes, lojas da Rolex e concessionária da Ferrari: vestido de presidente revela ‘ilha’ de luxo na Venezuela

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Delcy Rodriguez em 5 de janeiro de 2026
Marcelo Garcia/Palácio Miraflores/via REUTERS
Quando entrou no Palácio Federal Legislativo para prestar juramento e ser empossada presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez usava um vestido verde que chamou a atenção de muita gente fora do país: tratava-se de um modelo da grife italiana Chiara Boni La Petite Robe, à venda por cerca de 550 euros (aproximadamente de R$ 3.800).
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Embora a cifra esteja abaixo do que posts de oposicionistas especularam nas redes sociais, o valor ainda é muito superior ao poder de compra do venezuelano médio – o salário mínimo atual do país, congelado em 130 bolívares desde 2022, é equivalente a meros R$ 2,46.
O vestido de grife de Delcy Rodríguez revela uma realidade pouco conhecida do país, mergulhado em uma crise econômica de mais de uma década: a existência de um resistente mercado de luxo.
Em Caracas, existem cinco distribuidores oficiais da marca de relógios de luxo Rolex. Para roupas das mais diversas marcas, a capital venezuelana dispõe da Galeria Avanti. A algumas quadras dali, no andar térreo da torre Jalisco, é possível ver carros da Ferrari expostos em uma concessionária da fabricante italiana.
Delcy Rodríguez toma posse como presidente da Venezuela 
Na capital, a maior parte desse mercado de luxo fica concentrada no bairro Las Mercedes e seu entorno, reduto que forma uma “ilha” de riqueza na cidade. A região também é o epicentro de um “boom” gastronômico que chama a atenção no país, com restaurantes de alta gastronomia abrindo às dezenas nos últimos anos.
Quem se senta às mesas deles, muitos dos quais comandados por chefs venezuelanos com passagens por estabelecimentos estrelados da Europa, se depara com os preços do cardápio em dólar.
A escolha da moeda não é um acaso: em 2020, em meio à pandemia, o regime de Nicolás Maduro relaxou as restrições para o uso corrente de moeda americana, beneficiando quem tem acesso a ela – ou seja, as classes alta e média alta.
Quem compra
Em uma entrevista à BBC, ao ser questionado sobre a origem do dinheiro dos consumidores de alto poder aquisitivo no país, o economista venezuelano Luis Vicente León, respondeu que “o que muitas pessoas não entendem é que a classe alta da Venezuela continua sendo relativamente grande e ainda tem muito dinheiro”.
A estimativa de sua consultoria, a Datanálisis, é que cerca de 6% da população pertençam às classes alta e média alta, constituindo um grupo de cerca de 2 milhões de pessoas.
Segundo a análise de León para a BBC, o mercado de luxo é impulsionado por uma elite que gasta seu dinheiro por medo de que seus recursos sejam congelados, além de empresários e políticos vinculados ao governo, alvos de sanções e sem acesso a mercados no exterior.
Há também fortunas ligadas à corrupção, embora não seja correto “acusar todos os que compram em Las Mercedes de corrupção”, nas palavras de León.
Fachada da concessionária da Ferrari em Caracas
Google Street View/Reprodução
História de contrastes
A desigualdade de renda não é uma novidade na história da Venezuela.
A partir dos anos 1920, a economia do país cresceu vertiginosamente atrelada à exploração do petróleo. Com o choque da commodity nos anos 1970, a desigualdade disparou no país. O cenário piorou após mais uma sequência de crises econômicas ligadas à dívida externa e aos preços do petróleo nos anos 1980.
Apelidado de “Venezuela Saudita”, o país produzia uma riqueza imensa que não chegava à população. Prédios de luxo eram erguidos em meio a favelas.
Desigualdade na Caracas dos anos 70: favelas e prédios modernistas
Reprodução / Fantástico
Foi nesse contexto que Hugo Chávez emergiu como figura política. Após ser eleito, em 1998, o líder financiou uma maior distribuição de renda no país com os royalties do petróleo. A situação passou a se deteriorar, já com seu sucessor, Nicolás Maduro, com uma crise alimentada pelas sanções dos EUA e a decadência da estatal PDVSA, corroída por corrupção e falta de manutenção de seu parque industrial.
Ferrari e Venezuela
A história da Ferrari no país ajuda a contar essa história. Os carros da marca, criada na Itália em 1947, começaram a circular já nos anos 1950 por Caracas, na época uma rica capital frequentemente comparada a Paris, com boutiques de marcas como Dior em suas ruas.
Uma revendedora foi aberta naquela mesma década, e uma prova de carros esporte na capital chegou a atrair alguns dos melhores pilotos do mundo daquela época, como Juan Manuel Fangio, Stirling Moss e Jean Behra, para a cidade.
Depois de restrições à importação nos anos 1970, uma concessionária autorizada abriu em 1993. O local funcionou até 2007, quando um bloqueio comercial à Venezuela tornou impossível a operação.
O retorno à ativa só foi possível novamente em 2021, quando o mesmo empresário que detinha os direitos de venda da marca reabriu a loja, desta vez em seu endereço atual, no térreo da Torre Jalisco. Enquanto a maior parte da população enfrenta dificuldades para fechar as contas, o veículo mais barato da marca não sai por menos de US$ 255 mil, ou R$ 1,37 milhão.

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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Governo propõe aumentar limite do MEI para R$ 140 mil e ampliar contratação de funcionários

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Simples Nacional.
Simples Nacional/Divulgação
Um projeto de lei complementar enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (29) propõe ampliar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) e permitir a contratação de até dois funcionários.
A proposta prevê um reajuste progressivo do teto, que hoje é de R$ 81 mil por ano. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028. A medida atinge mais de 13 milhões de microempreendedores registrados no país.
Agora no g1
O projeto foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e faz parte de uma articulação do governo federal para atualizar as regras do regime simplificado.
Atualmente, o teto do MEI não é reajustado desde 2018. Segundo o governo, a defasagem acumulada ao longo dos anos — causada pela inflação e pelo aumento natural das receitas — tem dificultado a permanência de empreendedores na categoria.
A proposta busca justamente evitar que pequenos negócios precisem migrar para regimes tributários mais complexos à medida que crescem. Com o novo modelo, a ideia é permitir que os empreendedores ampliem suas atividades sem sair da formalização.
Além do aumento do teto, o projeto também altera as regras de contratação. Hoje, o MEI pode ter apenas um funcionário. Com a mudança, será possível contratar até dois empregados, o que, na avaliação do governo, deve dar mais flexibilidade à organização dos negócios e estimular a geração de empregos formais.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que a iniciativa tem caráter estratégico para a economia.
“Esse conjunto de medidas foi construído para remover obstáculos, ampliar oportunidades e dar condições para que milhões de empreendedores possam crescer, contratar e prosperar”, disse.
A proposta foi elaborada em conjunto com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Agora, o texto começa a tramitar no Congresso e ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de entrar em vigor.
Simples Nacional
Criado em 2006, o Simples Nacional tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. O regime especial consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor.
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI.
Atualmente, podem aderir ao Simples:
microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano;
transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano;
microempresas com até R$ 360 mil por ano; e
empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais.
De acordo com estimativas da Receita Federal, o governo vai deixar de arrecadar R$ 136 bilhões em 2026 com o Simples Nacional.

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