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Economia

Guerra no Oriente prejudica envio de pimenta e café, e exportadores têm dificuldade de negociar produtos

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Em 2025, o Espírito Santo exportou US$ 186,2 milhões para o Oriente Médio, com destaque para o café e a pimenta-do-reino.
TV Gazeta
O cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos, Israel e Irã nesta terça-feira (7) durou pouco e o cenário de guerra continua causando mortes e gerando incertezas econômicas que afetam também o Espírito Santo. Produtores de pimenta e café têm enfrentado dificuldades de exportar e fazer novos negócios com países daquela região.
O cessar-fogo de terça trouxe certo alívio aos mercados internacionais. Mas a trégua, que deveria ser de duas semanas, durou menos de 24 horas. O Irã acusou os Estados Unidos de fazer novos ataques. Como consequência, o país árabe voltou a fechar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global.
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E essa tensão só aumenta as incertezas para exportadores do Espírito Santo. Especialistas avaliam que o cenário segue instável e pode mudar rapidamente, mantendo o ambiente de cautela para quem depende do comércio exterior.
O Oriente Médio é um mercado estratégico para o agronegócio capixaba. Em 2025, o Espírito Santo exportou US$ 186,2 milhões para a região, com destaque para o café (US$ 119,6 milhões) e a pimenta-do-reino (US$ 56,1 milhões).
Em 2026, até fevereiro, as vendas somaram US$ 29,2 milhões, alta de 34,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. As possíveis perdas do conflito ainda não foram contabilizadas.
Porto de Vitória.
TV Gazeta
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Segundo o analista de mercado Marcus Magalhães, o cessar-fogo anunciado no início da semana até representou um alívio momentâneo, mas não garantiu estabilidade. A situação muda tão rápido que as falas do especialistas foram feitas minutos antes de o cessar-fogo ter sido novamente interrompido.
“A dinâmica da guerra é muito rápida. O que aconteceu agora não assegura que o cenário vai se manter, mas traz, num primeiro momento, a sensação de que algo positivo pode acontecer”, afirmou.
Horas após o início da trégua, a movimentação no Estreito de Ormuz voltou a ser intensa, navios também voltaram a circular pela região, o que poderia reduzir custos de frete e riscos nas operações.
O abre e fecha do estreito elevam o preço do petróleo, encarecendo o transporte e pressionando os insumos como fertilizantes. E tudo isso afeta diretamente a competitividade dos produtos exportados pelo Espírito Santo.
“O que acontece num primeiro momento é que o preço do petróleo desaba. Na semana passada, vimos o barril a US$ 120; nesta terça (7) à noite, chegou a US$ 93. O dólar também foi para R$ 5,06, uma cotação não vista há pelo menos dois anos no Brasil. A gente pode ter a ansiedade da economia global perdendo força e, quem sabe, os bancos centrais pelo mundo mais seguros. Podemos ter também uma redução na pressão sobre fertilizantes e outros custos de produção. Isso ajuda a aliviar as expectativas negativas na economia global”, explicou o analista.
“Cristal trincado”
O tempo de viagem entre portos capixabas e o Oriente Médio pode chegar a 30 dias, o que significa que cargas já embarcadas ainda enfrentam reflexos do período de instabilidade.
“Para um navio sair de Vitória e chegar ao Oriente Médio é, no mínimo, 30 dias. Muitas das cargas que estavam e estão a caminho podem chegar ao porto de destino se as coisas continuarem como estão. O fluxo marítimo pode voltar à sua normalidade nas próximas semanas”.
O especialista fez uma analogia com um “cristal trincado” para se referir à sensação de incerteza que deve permanecer nos próximos dias.
“Podemos dizer que vivemos hoje um ‘cristal trincado’. Você pode polir, mas a marca não sai. A região sempre vai ficar com o receio do que pode acontecer. Podemos ter, mais pra frente, um petróleo mais baixo do que os US$ 120, porém mais alto do que o praticado antes da guerra, tudo pelo cristal trincado que ficou para as questões energéticas”, explicou.
Em 2025, cerca de 15% da pimenta-do-reino exportada pelo Espírito Santo teve como destino o Oriente Médio, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura
TV Gazeta
Desafios para a pimenta-do-reino
A situação é mais delicada no mercado de pimenta-do-reino. O Espírito Santo é o maior produtor do país, com mais de 12 mil propriedades, principalmente no norte do estado. A safra de 2026 já foi colhida e está pronta para exportação, mas parte da produção enfrenta dificuldade para encontrar destino.
Exportadores relatam que, desde o início do conflito, têm buscado novos mercados fora da área afetada, como Europa, África e Ásia.
“Estamos dando preferência a outros continentes para continuar vendendo nossas especiarias”, afirmou o exportador José Tarcísio Malacarne Júnior.
Guerra no Oriente dificulta exportações de pimenta do ES
O principal entrave é a qualidade do produto destinado ao Oriente Médio, que costuma ser menos exigente. Redirecionar essa mercadoria para mercados mais rigorosos é um desafio.
“É um produto de menor qualidade. O grande desafio é encontrar novos compradores que aceitem essas características”, explicou o exportador Frank Moro.
Em 2025, cerca de 15% da pimenta-do-reino exportada pelo Espírito Santo teve como destino o Oriente Médio, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura.
Além da queda na demanda, exportadores também enfrentaram aumento no custo do frete marítimo e do seguro das cargas, já que embarcações passaram a buscar rotas alternativas para evitar áreas de risco.
“Se o cliente precisar muito da mercadoria, ele paga mais caro pelo transporte. Caso contrário, precisamos redirecionar ou até trazer o produto de volta”, disse Malacarne.
Mesmo com a trégua, a avaliação do mercado é de que a instabilidade deixou marcas. Para especialistas, o cenário ainda exige cautela, já que qualquer nova escalada no conflito pode voltar a pressionar custos e afetar o fluxo de exportações.
Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz
Reuters
Fim definitivo
Durante a trégua, delegações dos Estados Unidos e do Irã vão se reunir no Paquistão para negociar um fim definitivo da guerra entre os dois países.
A reunião para discutir o fim definitivo da guerra entre os países ocorrerá na sexta-feira (10) e foi anunciada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito. As negociações ocorrerão na capital paquistanesa Islamabad.
O Governo do Espírito Santo disse segue monitorando os desdobramentos do conflito e seus reflexos sobre o comércio exterior, acompanhando os dados para avaliar os impactos e orientar a atuação diante de um cenário internacional mais volátil.
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
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