Economia
HotMilhas: sem informações, milheiros se reúnem após empresa suspender atividade temporariamente
Em grupos no Facebook, no WhatsApp e no Telegram, há relatos de pessoas com pagamento em atraso. Empresa do grupo 123Milhas publicou no site o aviso de suspensão temporária do serviço.
Reprodução
No último fim de semana, a HotMilhas anunciou a suspensão temporária de seus serviços. A medida deixou clientes que venderam milhas para a empresa apreensivos nas redes sociais, com a possibilidade de não receberem valores que têm direito.
Muitos milheiros têm se reunido em grupos no Facebook, no WhatsApp e no Telegram em busca de informações. Algumas pessoas relatam que o pagamento está em atraso desde a semana passada (leia relatos abaixo).
“O meu [pagamento] era para o dia 25 e nada. Reclamei no chat e alegaram problema de processamento, já que os meus dados bancários estavam ok”, disse um consumidor no Facebook.
“Eu recebi um pagamento na sexta, normalmente, quando ainda não tinha estourado essa ‘bomba’. Tinha outro para receber dia 22 na mesma conta e não recebi. A desculpa é de erro de pagamento”, reclamou outro na semana passada.
Por meio de nota enviada ao g1, no último domingo (27), a HotMilhas informou que, “por conta de uma forte queda das vendas de sua controladora, a 123milhas”, atrasou o pagamento a clientes previsto para sexta (25) e suspendeu temporariamente o serviço de compra de milhas em sua plataforma.
“A empresa está fazendo todos os esforços possíveis para regularizar a situação e honrar os compromissos firmados. A HotMilhas é referência no mercado e espera contar com a confiança de seus clientes para superar essa situação”, diz a nota.
Nesta terça-feira (29), o g1 voltou a entrar em contato com a empresa em busca de mais detalhes, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
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‘Não sei se vou receber esse dinheiro’
Wallison Mata, de 35 anos, cliente da HotMilhas que teme não receber seus valores por direito
Arquivo Pessoal
O mineiro Wallison Mata, de 35 anos, já vendeu pontos de compras on-line algumas vezes e nunca teve problema com o negócio.
Em maio de 2023, ao comprar um celular no valor de R$ 4.799,64, Mata obteve cerca de 40 mil milhas. Ele autorizou a HotMilhas a ter acesso a essas milhas para emitir passagem aérea a outra pessoa.
Com a transação, Wallison ia receber R$1.020 de volta e pretendia usar esse dinheiro para pagar parte do celular. Agora, ele não sabe se vai receber para quitar a dívida.
“Eu já tinha percebido que a HotMilhas estava com problema quando ela aumentou o prazo de recebimento. Antes ela pagava com 90 dias, de repente virou 120 dias e, depois, 150 dias”, completa.
“A minha frustação é por não saber se vou receber esse dinheiro. Meu recebimento é para novembro e estou acompanhando os desdobramentos porque isso me afeta de alguma forma”, conta.
‘Meu sentimento é de indignação’
Matheus Tusikas Schutz
Arquivo pessoal
Matheus Tusikas Schutz, de 37 anos, mora em Iracemápolis-SP, e também enfrenta problemas com a HotMilhas.
Após uma compra on-line com o cartão de crédito, ele vendeu 10 mil pontos para a empresa. O pagamento por essas milhas seria de R$ 2.300 que, segundo o Matheus, deveria ter sido efetuado na terça-feira (22).
Ao entrar em contato com a HotMilhas, o cliente foi informado que tinha ocorrido um erro com o pagamento via Pix e que o dinheiro seria transferido na modalidade Ted. Após este contato na quarta-feira (23), a empresa não deu mais detalhes sobre o pagamento.
“Comecei a ficar preocupado quando a HotMilhas atrasou o pagamento. Eu usaria esse dinheiro para pagar contas que tenho, como a fatura do cartão de crédito”, conta.
“Meu sentimento é de indignação. Porque combinamos uma coisa e quando não é cumprido gera revolta. E não tenho com quem reclamar. Estou há 3 horas no chat [nesta segunda-feira (28)] para atendimento e nada até agora”, diz.
Qual a diferença entre HotMilhas, MaxMilhas e 123 Milhas?
A HotMilhas é uma plataforma de venda de milhas, que são adquiridas através dos programas de fidelidade com companhias aéreas para os clientes que viajam com mais frequência. As milhas (ou pontos) também podem ser acumuladas através de compras on-line utilizando cartão de crédito.
Há pessoas que possuem milhas acumuladas, mas nenhuma pretensão de viajar nos próximos meses. Para elas, seria vantajoso trocar os pontos por dinheiro. Só que esse tipo de operação não pode ser feito direto pela companhia aérea. É aí que entram serviços como HotMilhas.
Já a 123 Milhas, responsável pela HotMilhas e pela MaxMilhas, é uma agência de viagens on-line, que oferece a compra de passagens, hospedagens e outros serviços e produtos de viagens.
A MaxMilhas, por sua vez, é uma plataforma de viagens, assim como a 123, mas que também trabalha com milhas, assim como a HotMilhas. A empresa anunciou nesta terça-feira (29) que foi impactada pela crise e que pagará pelas vendas de milhas em parcelas.
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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