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Economia

IA pode eliminar até 92 milhões de empregos, mas essas profissões devem sobreviver

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Microsoft, Shopify, mais recentemente Amazon, não fazem segredo: IA possibilitará cortes profundos em seus quadros. Políticos e até o papa advertem para riscos à sociedade, enquanto economistas estão mais otimistas. Fórum Econômico Mundial prevê: reviravolta tecnológica vai eliminar 92 milhões de empregos até 2030, mas também criar 170 milhões novos
Christian Ohde/CHROMORANGE/picture alliance
O diretor executivo da Amazon, Andy Jassy, anunciou que a companhia reduzirá sua força de trabalho, à medida que a inteligência artificial (IA) vai substituindo os funcionários humanos, acrescentando que a tecnologia afetará um grande número de empregos e setores.
Diversas outras firmas têm expedido advertências semelhantes. Em maio, o presidente da startup de IA Anthropic comentou ao website de notícias Axios que, dentro de um a cinco anos, essa tecnologia talvez elimine a metade de todas as vagas para iniciantes em setores não manuais.
(Abaixo, veja quais profissões estão mais ameaçadas pela IA e quais devem resistir)
Desde 2022, as empresas públicas dos Estados Unidos reduziram seu pessoal de escritório em 3,5%, e um quinto das companhias cotadas no S&P 500 encolheram, informou Wall Street Journal, citando o serviço Live Data Technologies.
Nos últimos anos, grandes firmas como Microsoft, Hewlett Packard e Procter & Gamble têm anunciado milhares de demissões.
A plataforma de vendas online Shopify explicou recentemente que suas equipes que solicitem pessoal adicional terão antes provar que a IA não é capaz de executar as tarefas em questão. E a firma do aplicativo de aprendizagem de idiomas Duolingo planeja substituir gradualmente seus empregados externos por inteligência artificial.
Faca de dois gumes
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que um quarto dos postos de trabalho em todo o mundo enfrentam grave risco de se tornar obsoleto devido à IA. Contudo também há expectativas de que ela vá criar novas oportunidades e aumentar a produtividade.
Segundo uma previsão do Fórum Econômico Mundial, divulgado no início de 2025, a reviravolta tecnológica poderá eliminar 92 milhões de empregos existentes até o ano 2030, mas, ao mesmo tempo, também criar 170 milhões de novos postos.
Presidente da Amazon, Andy Jassy, não tem receio de anunciar cortes de pessoal futuros devido à IA
Patrick Fallon/ZUMA Wire/picture alliance
O maior impacto seria para as economias desenvolvidas, com 60% dos empregos afetados, segundo análise de 2024 do Fundo Monetário Internacional (FMI) – a metade deles de modo negativo, a outra, positivamente.
Já nas economias emergentes, 40% das vagas sentiriam os efeitos da IA, e, nos países de baixa renda, 26%. Por outro lado, apesar de afetados em menor escala, esses mercados também se beneficiariam menos do aumento de produtividade que prometem as novas tecnologias.
Nos avanços tecnológicos passados, os mais prejudicados foram os empregados menos qualificados e trabalhadores manuais, como os operários de fábricas substituídos por robôs.
Porém agora a expectativa é de que a adoção ampla da IA vá atingir os empregados de nível educacional mais alto, nas tarefas de escritório, sobretudo onde o desempenho dos algoritmos seja comparável ou melhor do que o humano.
Um estudo do think tank Pew Research Center revelou que:
Entre as mais ameaçadas, estão as ocupações envolvendo coleta de informações e análise de dados, como programação de websites, textos técnicos, contabilidade e inserção de dados (data entry).
Entre os mais resistentes, em contrapartida, estariam os empregos envolvendo trabalho manual intenso, mais difíceis de automatizar, como operário de construção, cuidador infantil ou bombeiro.
Otimismo de economista
Empregos de escritório para iniciantes: espécie em extinção
picture alliance / abaca
A possibilidade de desemprego em massa colocou em foco os efeitos desagregadores da IA sobre o mundo profissional e a sociedade, atraindo a atenção de políticos e até de líderes religiosos. O papa Leão 14, que assumiu o pontificado em maio, já alertou para os riscos da inteligência artificial para a subsistência e dignidade humanas.
Por sua vez, o especialista em mercado de trabalho Enzo Weber, do Instituto de Pesquisa sobre o Trabalho (IAB) alemão, sediado em Nuremberg, argumenta que tais apreensões não procedem: para ele, os atuais progressos tecnológicos abririam uma ampla gama de possibilidades econômicas, mais provavelmente ajudando os trabalhadores do que causando desemprego em massa.
“A IA primariamente transforma o trabalho, mas não o elimina fundamentalmente”, afirma: na maioria dos casos, ela assistiria os humanos para “desenvolverem novas tarefas e executá-las melhor, ao invés de substituí-los”.
Um estudo publicado em janeiro de 2025 defende um ponto de vista semelhante: a automação de tarefas no trabalho “não reduz necessariamente a ocupação”, podendo até resultar em “ganhos de postos em alguns setores” da economia.
“Em princípio, poder automatizar uma tarefa antes laboriosa pode tornar os trabalhadores tão mais produtivos, que o output adicional compensa o fato de que parte de seu trabalho agora é feito por uma máquina”, afirmam os economistas David Deming, Christopher Ong e Lawrence H. Summers, da Universidade de Harvard.
Reconhecendo que o impacto da IA provavelmente será “abrangente e duradouro”, eles ressalvam que “a história nos ensina que, mesmo que a IA desestabilize o mercado de trabalho, seu impacto se desdobrará ao longo de muitas décadas”.
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Cooperar com o progresso – ou tornar-se obsoleto
É difícil determinar qual o real impacto de longo prazo das tecnologias de inteligência artificial sobre os mercados de trabalho globais, uma vez que ela ainda está em seus estágios iniciais.
A eficácia de diversas ferramentas de IA também dependerá de uma boa integração nos locais de trabalho, assim como da disposição e capacidade dos funcionários de empregá-las. Se eles se recusarem a utilizá-las integralmente, temendo por seus postos, isso poderá comprometer o aumento de produtividade que a nova tecnologia promete.
O especialista alemão em mercado de trabalho Weber urge as empresas e os funcionários a se adaptarem ao panorama tecnológico em mutação e a aproveitarem as oportunidades.
Para ele, a IA é um “game changer”: “Ela apresenta oportunidades, mas elas precisam ser agarradas. É essencial mais desenvolvimento e treinamento ativo dos funcionários. Não só para acompanhar o passo, mas para avançar o máximo possível.”
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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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