Economia
Investidores que seguiram ‘dica’ de Trump lucraram com disparada de ações nos EUA; entenda
Pela manhã, o republicano havia afirmado que era um ‘ótimo momento para comprar’. Durante a tarde, ele anunciou uma redução no ‘tarifaço’ detalhado na semana passada, o que animou os mercados e fez índices dispararem. Donald Trump discursa durante um evento com campeões de automobilismo no Pórtico Sul da Casa Branca
AP/Seth Wenig
Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu alguns conselhos financeiros na manhã de quarta-feira (9), as ações nas bolsas de valores oscilavam entre ganhos e perdas. Mas isso estava prestes a mudar.
“ESTE É UM ÓTIMO MOMENTO PARA COMPRAR!!! DJT”, escreveu o republicano em sua plataforma de mídia social Truth Social, às 9h37.
Menos de quatro horas depois, Trump anunciou uma pausa de 90 dias em quase todas as suas tarifas.
As ações dispararam com a notícia, fechando em alta de 9,5% ao final do pregão. O mercado, medido pelo S&P 500, recuperou cerca de US$ 4 trilhões, ou 70%, do valor que havia perdido nos quatro pregões anteriores. Foi uma previsão do presidente. Talvez até demais.
“Ele está adorando isso, esse controle sobre os mercados, mas é melhor ter cuidado”, disse Richard Painter, crítico de Trump e ex-advogado de ética da Casa Branca, observando que a lei de valores mobiliários proíbe negociar com base em informações privilegiadas ou ajudar terceiros a fazê-lo.
“As pessoas que compraram quando viram aquela publicação ganharam muito dinheiro.”
🤔 A questão é: Trump já estava pensando em suspender tarifas quando fez aquela postagem?
Questionado sobre quando tomou sua decisão, Trump deu uma resposta confusa.
“Eu diria que foi esta manhã”, disse ele. “Nos últimos dias, tenho pensado nisso.” Ele então acrescentou: “Bem cedo esta manhã”.
Questionado posteriormente sobre o momento em um e-mail enviado à Casa Branca, um porta-voz não respondeu diretamente, mas defendeu a postagem de Trump como parte de seu trabalho.
“É responsabilidade do presidente dos Estados Unidos tranquilizar os mercados e os americanos sobre sua segurança econômica diante do medo incessante da mídia”, escreveu o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai.
Outra curiosidade da postagem foi a assinatura de Trump com suas iniciais. DJT também é o símbolo de ações do Trump Media and Technology Group, empresa controladora da plataforma de mídia social do presidente, Truth Social.
Não está claro se Trump estava se referindo à compra de ações em geral ou à Trump Media em particular. A Casa Branca foi questionada, mas também não abordou esse assunto.
Trump não incluiu “DJT” em suas outras postagens na quarta-feira, mas o utiliza de forma intermitente, normalmente para enfatizar que escreveu pessoalmente a mensagem.
A ambiguidade sobre o que Trump quis dizer não impediu as pessoas de investir dinheiro naquela ação. A Trump Media fechou em alta de 22,67%, subindo duas vezes mais que o mercado em geral, um desempenho impressionante para uma empresa que perdeu US$ 400 milhões no ano passado e aparentemente não foi afetada pela imposição ou suspensão de tarifas.
A participação de 53% de Trump na empresa, agora em um fundo controlado por seu filho mais velho, Donald Trump Jr., aumentou em US$ 415 milhões no dia.
A Trump Media foi superada, embora por apenas duzentos pontos percentuais, por outra escolha de ação do governo Trump — a Tesla de Elon Musk.
No mês passado, Trump realizou uma coletiva de imprensa extraordinária em frente à Casa Branca elogiando a empresa e seus carros. Em seguida, seu secretário de Comércio apareceu na Fox TV incentivando os telespectadores a comprarem as ações.
A alta da Tesla na quarta-feira adicionou US$ 20 bilhões à fortuna de Musk.
Kathleen Clark, especialista em direito ético governamental da Faculdade de Direito da Universidade de Washington, diz que as postagens de Trump em outras administrações teriam sido investigadas, mas provavelmente não desencadeariam nenhuma reação, exceto talvez por mais espectadores do Truth Social.
“Ele está enviando a mensagem de que pode manipular o mercado de forma eficaz e impune”, disse ela. “Por exemplo: fique de olho aqui para dicas futuras sobre ações.”
Assista
Trump eleva para 125% tarifas contra China
Economia
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Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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