Política
Investigadores usam PIX para identificar financiadores de atos terroristas em Brasília
Sistema se tornou um pilar financeiro fundamental que sustenta o movimento de negacionismo eleitoral capitaneado por Bolsonaro, permitindo que seus apoiadores mais radicais financiem seus meios de comunicação alternativos e manifestações de extrema-direita. Acampamento golpista em Brasília
Reprodução
Com a bandeira do Brasil pendurada no pescoço e os pés apoiados em uma mesa de madeira escura, Samuel Faria recostou-se na cadeira cerimonial do presidente do Senado que ele acabara de tomar para si e observou o caos no gramado fora.
“O pau (tá) quebrando lá”, disse ele, observando de seu posto no Senado enquanto outros apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro vestidos de verde e amarelo vandalizavam as sedes dos Três Poderes da República em Brasília no último dia 8 de janeiro. Ele então agradeceu a seus patronos.
“O dinheiro está na conta”, disse ele, enquanto transmitia ao vivo a pior crise política do Brasil em uma geração. “Obrigado a vocês, amigos patriotas… que nos ajudaram, muitos amigos nos patrocinando com o PIX.”
Sistema de pagamentos extremamente bem-sucedido e popular no Brasil e administrado pelo Banco Central, o PIX se tornou um pilar financeiro fundamental que sustenta o movimento de negacionismo eleitoral capitaneado por Bolsonaro, permitindo que seus apoiadores mais radicais financiem seus meios de comunicação alternativos e manifestações de extrema-direita que culminaram no caos do dia 8 de janeiro.
Mas agora, enquanto as autoridades buscam identificar os financiadores dos distúrbios em Brasília, a mesma ferramenta que ajudou a forjar o movimento insurgente será usada pelos investigadores para derrubá-lo, disseram à Reuters cerca de uma dúzia de policiais e autoridades especialistas em combate à lavagem de dinheiro.
“Estamos com uma linha segura de investigação consistente justamente no rastreamento das movimentações financeiras realizadas através do PIX”, disse um policial federal de alto escalão envolvido na extensa investigação, falando sob condição de anonimato por se tratar de uma investigação em andamento. “Certamente chegará a vez dos financiadores.”
O ministro do Supremo Tribunal Alexandre de Moraes, que está conduzindo a investigação criminal sobre a invasão, e o ministro da Justiça, Flávio Dino, disseram que planejam priorizar a descoberta dos financiadores dos atos, que provavelmente enfrentarão acusações semelhantes aos 1.398 invasores presos. Eles são acusados de crimes como terrorismo e tentativa de golpe.
Um policial federal que trabalha na investigação da Suprema Corte disse que os primeiros achados sugerem que o quebra-quebra foi financiado por fazendeiros e magnatas do ramo dos caminhões em importantes redutos bolsonaristas no interior do Brasil. No entanto, a polícia ainda não identificou um peixe grande, disse o policial, que falou sob condição de anonimato: “Ninguém relevante ainda”.
A assessoria de imprensa da Polícia Federal se recusou a falar sobre uma investigação em andamento.
Expectativa para o depoimento de Andersom Torres sobre minuta do golpe
Faria, o invasor do Senado natural da cidade de Socorro, no Estado de São Paulo, não respondeu à solicitação de entrevista.
Lançado em novembro de 2020 e administrado pelo Banco Central do Brasil, o PIX é gratuito para pessoas físicas, permitindo que elas transfiram dinheiro instantaneamente para outras pessoas.
Tem sido um enorme sucesso, usado por todos, de pedintes a bilionários. Desde o seu lançamento, mais de 133 milhões de brasileiros e quase 12 milhões de empresas já fizeram ou receberam transferências do PIX, segundo o BC. As transações até o momento totalizaram cerca de 16 trilhões de reais e ultrapassaram os pagamentos com cartão de crédito e débito no ano passado.
O PIX entrou em todas as facetas da vida cotidiana brasileira, incluindo o vasto e indisciplinado universo de blogs e canais do Youtube que servem como incubadores para os principais apoiadores de Bolsonaro.
Os influenciadores pró-Bolsonaro anunciam suas “chaves” do PIX em vídeos do Youtube e transmissões ao vivo do Instagram, pedindo aos seguidores que enviem contribuições instantâneas para suas contas bancárias.
Enzo Leonardo Suzin, um Youtuber conservador conhecido como Enzuh, disse que a maior parte de sua receita ainda vem de anúncios, mas as contribuições do PIX agora representam até 20% da receita.
“Sempre usei crowdfunding para melhorar a qualidade do canal”, disse Suzin, que foi alvo em 2020 de uma investigação do Supremo Tribunal Federal sobre supostas fake news, mas nunca foi indiciado.
O PIX tornou-se onipresente graças ao fato de ser gratuito e instantâneo. Seu alcance tem sido uma benção para os arrecadadores de fundos, que podem facilmente receber transferências de todo o Brasil.
Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição no dia 30 de outubro, Suzin percebeu que o PIX estava sendo amplamente usado pelos partidários mais radicais de Bolsonaro que agitavam um golpe em acampamentos do lado de fora de bases militares em todo o Brasil, incluindo o quartel-general do Exército em Brasília.
Muitos deles pararam suas vidas e estavam usando a mídia social para solicitar contribuições de “patriotas” com ideias semelhantes.
“Muitos influenciadores e algumas pessoas comuns se financiaram exclusivamente pelo PIX lá”, disse Suzin.
Exclusivo: a investigação de um dos principais suspeitos de financiar os atos terroristas
Trilha investigativa
A polícia, especialistas em lavagem de dinheiro e funcionários do Banco Central disseram que as doações via PIX serão fundamentais para os esforços dos investigadores na descoberta de quem orquestrou a invasão. Vários especialistas e funcionários públicos pediram anonimato para discutir as investigações em andamento.
“É uma ferramenta extremamente poderosa dentro desse contexto investigativo e não tenho dúvidas de que será usada”, disse Bernardo Mota, ex-funcionário do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
As transferências via PIX são cobertas por leis de sigilo bancário, e a polícia só pode acessar o histórico de transações de um suspeito mediante autorização judicial.
Embora o PIX não ofereça mais rastreabilidade do que os sistemas anteriores, especialistas dizem que o fato de ele ser administrado pelo Banco Central remove uma camada de burocracia, permitindo que os investigadores evitem lidar com bancos privados.
Isso é particularmente útil em uma investigação como esta, disse Mota, com a necessidade de rastrear rapidamente o que podem ser centenas ou mesmo milhares de diferentes financiadores pelo Brasil.
Um dos tipos mais comuns de chave PIX é o número de telefone celular de uma pessoa, oferecendo aos investigadores um atalho para buscar escutas telefônicas e requisitar judicialmente registros de conversas por aplicativos de mensagem.
“Acho que essa rapidez permite identificar as relações entre as pessoas envolvidas e, principalmente, quem financiou tudo isso”, disse Mota. “Você pode ter pessoas que financiaram e não estavam lá (em Brasília) naquele dia. Pelas ligações financeiras você pode identificá-los.”
O Banco Central disse em comunicado que “todas as operações do PIX são rastreáveis”, acrescentando que “sempre atua em estreita colaboração com as autoridades competentes na apuração de quaisquer crimes envolvendo o sistema financeiro”.
O PIX também tem suas desvantagens investigativas, dizem os especialistas. Com uma parcela crescente das transações diárias agora sendo realizadas via este sistema, pode ser demorado para os investigadores separarem as transferências suspeitas dos gastos diários.
Um funcionário atual do Banco Central disse que uma série de novas empresas de tecnologia financeira e processadores de pagamentos digitais aumentaram o acesso aos serviços bancários no Brasil, ao mesmo tempo em que facilitaram a abertura de contas com pouca informação ou mesmo informações falsas.
Com o PIX, os manifestantes poderiam “reunir recursos para tudo o que precisamos”, disse Oswaldo Eustaquio, outro bolsonarista de destaque. “Dinheiro nunca foi um problema para nós.”
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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