Economia
Irã adverte sobre retaliação ‘devastadora’ após ameaças e ultimato de Trump; petróleo volta a subir
Trump usa palavrão e ameaça ‘inferno’ sobre o Irã
O preço referência do barril de petróleo atingiu US$ 110 nesta segunda-feira (6) após a ameaça feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã no fim de semana.
O preço do Brent subiu inicialmente 1,6%, para US$ 110,85, antes de recuar ligeiramente durante as negociações da manhã na Ásia.
O aumento ocorreu depois que Trump ameaçou atacar pontes e usinas de energia iranianas caso o país não interrompa ataques contra navios que tentam cruzar o Estreito de Ormuz.
As principais bolsas de valores asiáticas registraram altas nesta segunda-feira. O índice Nikkei 225 do Japão subiu 1,6%, enquanto o índice Kospi da Coreia do Sul teve alta de 0,9%.
Donald Trump ameaça realizar uma nova grande onda de ataques ao Irã na próxima terça-feira (7/4), caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto.
O Irã zombou do ultimato, que classificou como “ameaça desesperada, nervosa e estúpida”.
Em uma postagem repleta de palavrões publicada no domingo em sua rede social Truth Social, Trump mencionou ataques à infraestrutura civil e disse que o Irã “viverá no inferno” se a importante rota marítima não for aberta.
“Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo junto, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram o maldito Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês viverão no inferno – AGUARDEM! Louvado seja Alá. Presidente DONALD J. TRUMP”, escreveu o republicano.
Posteriormente, em uma nova publicação, Trump escreveu: “Terça-feira, 20h, horário do leste dos EUA!”
Isso corresponde às 3h30 da manhã de quarta-feira, no horário de Teerã, capital do Irã (ou 21h de terça-feira pelo horário de Brasília).
Não está claro a que se refere a segunda publicação de Trump nas redes sociais. A BBC solicitou esclarecimentos à Casa Branca.
Trump havia estipulado anteriormente um prazo até 6 de abril para que o Irã fechasse um acordo. Mas o americano já adiou por diversas vezes prazos que ele mesmo estabeleceu para a reabertura do estreito.
Duas postagens de Donald Trump na rede Truth Social neste domingo (5/4)
Reprodução/Truth Social
Na última quinta (2/4), os EUA já haviam atacado uma ponte em construção em Karaj, cidade a oeste de Teerã, no que foi considerada por alguns analistas uma ampliação dos alvos americanos e um possível primeiro passo para novos ataques à infraestrutura de água, energia e transporte do país do Oriente Médio.
Ao jornal The Wall Street Journal, Trump disse neste domingo que, se o Irã quiser manter o estreito fechado, “perderá todas as usinas de energia e todas as outras instalações que possui em todo o país”.
À emissora Fox News, ele afirmou que está considerando “explodir tudo e tomar o controle do petróleo” do Irã se um acordo para encerrar a guerra não for alcançado rapidamente.
Mas, na entrevista com o correspondente-chefe de assuntos internacionais da Fox, Trey Yingst, o americano também disse que há uma “boa chance” de um acordo ser fechado na segunda-feira. “Eles estão negociando agora”, disse ele.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou no domingo que as “ações imprudentes de Trump estão arrastando os EUA para um inferno na Terra para todas as famílias”.
“Não se enganem: vocês não ganharão nada com crimes de guerra”, acrescentou.
Ghalibaf acusou Trump de seguir ordens do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e disse que “a única solução real é respeitar os direitos do povo iraniano e acabar com esse jogo perigoso”.
O general Ali Abdollahi Aliabadi, do comando militar central do Irã, disse que a ameaça de Trump é uma “ameaça desesperada, nervosa e estúpida”, acrescentando que “os portões do inferno se abrirão” para o líder americano.
Enquanto isso, Israel segue atacando instalações de infraestrutura civil iranianas — uma instalação petroquímica atacada no sábado (4/4) foi o alvo mais recente — e aguarda a aprovação dos EUA para atacar mais instalações de energia nesta semana, segundo autoridades de defesa.
Ataques conjuntos de EUA e Israel também atingiram o Aeroporto Internacional Qasem Soleimani, no sudoeste do Irã, no domingo.
O Irã, por sua vez, continuou a disparar drones e mísseis contra Israel e seus aliados no Golfo ao longo do fim de semana.
Um prédio residencial na cidade israelense de Haifa foi atingido diretamente por um míssil balístico no domingo. Quatro pessoas ficaram feridas.
Mais cedo, autoridades de Abu Dhabi informaram que estavam combatendo incêndios em uma instalação petroquímica operada pela empresa Borouge, causados por destroços de um míssil iraniano.
O Kuwait afirmou que ataques com drones iranianos danificaram gravemente instalações de petróleo e petroquímicas. Usinas industriais e de combustíveis também foram alvejadas no Bahrein.
Histórico de ameaças
Esta não é a primeira vez que Trump dá um ultimato a Teerã, na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, ele já estabeleceu diferentes prazos para o regime dos aiatolás fechar um acordo.
Relembre esse histórico de ultimatos:
1º prazo: Em 21 de março, Trump disse que “atacaria e obliteraria” usinas de energia, “começando pelas maiores”, se o Irã não reabrisse a hidrovia em 48 horas.
2º prazo: Dois dias depois, ele disse que houve “conversas muito boas e produtivas” entre os países e adiou os ataques contra a infraestrutura energética por cinco dias.
3º prazo: Em 27 de março, Trump disse que adiaria os ataques às usinas de energia por 10 dias, “conforme solicitação do governo iraniano”, estendendo o prazo para 6 de abril.
Aviso de 48 horas: No sábado (4/4), com o prazo de 6 de abril se aproximando, o presidente americano avisou que o Irã tinha “48 horas” antes que ele desencadeasse “o inferno”.
Mais recente ameaça: Em uma postagem repleta de linguagem ofensiva, Trump reiterou essa ameaça neste domingo (5/4).
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante
O Estreito de Ormuz é uma importante via comercial por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Desde o início da guerra entre os EUA e Israel com o Irã, inúmeros navios foram atacados na região.
Cerca de 3 mil navios costumam navegar pelo estreito todos os meses, mas esse número diminuiu drasticamente no período recente, com o Irã ameaçando atacar petroleiros e outras embarcações.
Cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes também passa pelo estreito, que é um canal vital para as importações do Oriente Médio, incluindo alimentos, medicamentos e suprimentos tecnológicos.
O bloqueio efetivo do estreito fez com que os preços do barril de petróleo disparassem. Há receios de que isso possa levar a uma forte alta da inflação mundial.
Anistia Internacional critica ameaças de Trump
A secretária-geral da organização de direitos humanos Anistia Internacional, criticou a publicação repleta de palavrões de Trump, com novas ameaças à infraestrutura civil do Irã.
“Que mensagem revoltante”, escreveu Agnes Callamard, em uma publicação no X (antigo Twitter). “Os civis iranianos serão os primeiros a sofrer com a destruição de usinas de energia e pontes”, acrescentou.
“Sem eletricidade, aquecimento ou água; sem poder fugir dos ataques. Potencial para uma série de crimes de guerra em cascata.”
A mensagem de Callamard vem a público dias depois de um grupo de mais de 100 especialistas em direito internacional ter assinado uma carta aberta expressando “profunda preocupação” com o que consideram graves violações do direito internacional pelos EUA, Israel e Irã na guerra.
Em resposta ao relatório, a Casa Branca disse que Trump estava tornando toda a região mais segura e desconsiderou o que chamou de “os ditos especialistas”.
Em postagem no domingo (5/4), líder americano ameaçou atacar pontes e usinas de energia no Irã, se o Estreito de Ormuz não for reaberto até terça-feira
Reuters via BBC
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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