Economia
Itaú propõe pagamento de até 10 salários extras a demitidos no home office, diz sindicato
Itaú demite funcionários após avaliar produtividade no home office
Após mediação com o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, o Itaú apresentou uma proposta de acordo para compensar os mais de mil trabalhadores afetados pela demissão em massa ocorrida em setembro.
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Segundo Sindicato dos Bancários, a proposta prevê pagamento de até 10 salários adicionais, além de R$ 9 mil fixos, 13ª cesta alimentação e manutenção da taxa diferenciada para quem possui financiamento imobiliário com o banco.
O Itaú também se comprometeu a manter o modelo de teletrabalho, um dos principais pontos defendidos pela categoria. O acordo propõe critérios diferentes conforme o tempo de casa:
Até 23 meses de empresa: 4 salários + R$ 9 mil + 13ª cesta alimentação.
A partir de 24 meses: 6 salários + ½ salário por ano trabalhado (limitado a 10 salários) + R$ 9 mil + 13ª cesta alimentação.
Nos dois casos, os demitidos com financiamento imobiliário mantêm as condições atuais. A adesão será individual, com quitação total do contrato de trabalho e prazo de até seis meses para assinatura.
O sindicato afirmou que as demissões ocorreram sem comunicação prévia e que muitos trabalhadores não sabiam dos critérios de monitoramento usados pelo banco. Também denunciou que o processo foi conduzido sem diálogo, expondo os empregados de forma “vexatória”.
Desde então, a entidade promoveu reuniões diretas com o Itaú, buscou intermediação da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e, diante da resistência, recorreu ao TRT, onde ocorreram audiências nos dias 1º, 3 e 6 de outubro.
Além disso, foram realizados protestos e paralisações em unidades do banco, além de plenárias com demitidos e funcionários ativos para discutir o futuro do home office e a privacidade no monitoramento.
“Após um mês da demissão em massa promovida pelo Itaú, conquistamos uma proposta que avaliamos como positiva para os bancários demitidos, que será avaliada em assembleia. Ainda assim, reafirmamos nossa indignação com a forma como tudo foi conduzido”, disse Neiva Ribeiro, presidente do sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
A diretora-executiva do sindicato e coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, destacou que o banco se comprometeu a reavaliar casos específicos, como gestantes e trabalhadores adoecidos:
“Queríamos a reintegração, não conseguimos, mas os trabalhadores terão reconhecimento e compensações pelo que aconteceu.”
A proposta ainda será analisada pelos trabalhadores demitidos em assembleia híbrida marcada para esta quinta-feira (9).
Em nota enviada ao g1, o Itaú afirmou que mantém um “diálogo permanente e estruturado” com as entidades sindicais e a mediação conduzida pelo TRT da 2ª Região contribuiu para o entendimento entre as partes.
O banco informou que os termos do acordo estão sob segredo de Justiça até a data da assembleia e reiterou que os desligamentos de setembro não configuram demissão em massa, mas sim demissões plúrimas, realizadas individualmente, “sem objetivo de redução de quadro” e “em conformidade com a legislação e políticas internas”. (veja posicionamento completo abaixo)
Fachada de agência do Itaú Unibanco
Divulgação
Dispensa sem aviso
Em setembro, o Itaú demitiu cerca de mil funcionários que atuavam em regime híbrido ou remoto, informou o Sindicato dos Bancários. A medida foi tomada após a instituição financeira avaliar a produtividade dos colaboradores no home office.
Procurado pelo g1, o Itaú não confirmou o número de demissões, mas informou em nota que a decisão foi tomada após uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada”.
A incompatibilidade estaria entre as atividades registradas nas plataformas e o registro de ponto dos trabalhadores — o que indicaria, na prática, que as horas efetivamente trabalhadas não foram corretamente registradas.
“Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco”, disse a instituição.
Ainda de acordo com o Itaú, a medida faz parte de um “processo de gestão responsável” e tem o objetivo de “preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade.”
Ao criticar a decisão, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região afirmou que os trabalhadores foram dispensados sem advertência prévia e sem diálogo com a entidade, “num claro desrespeito aos bancários e à relação com o movimento sindical”.
“O banco afirma que os desligamentos se baseiam em registros de inatividade nas máquinas corporativas, em alguns casos, períodos de quatro horas ou mais de suposta ociosidade”, disse Maikon Azzi, diretor da entidade e funcionário do Itaú, em nota.
“No entanto, consideramos esse critério extremamente questionável, já que não leva em conta a complexidade do trabalho bancário remoto, possíveis falhas técnicas, contextos de saúde, sobrecarga, ou mesmo a própria organização do trabalho pelas equipes”, acrescentou.
Segundo o dirigente do sindicato, o banco não tentou conversar com os funcionários ou corrigir condutas. “Nem mesmo [deu] oportunidade para que os empregados pudessem se defender.”
A entidade declarou que, nos últimos 12 meses, o Itaú já tinha cortado 518 postos de trabalho, reduzindo o quadro para 85.775 funcionários. Informou ainda que procurou o banco para pedir esclarecimentos sobre as novas demissões e que cobrará a reposição das vagas.
Para a presidente do sindicato, Neiva Ribeiro, “com o lucro nas alturas, o banco não tem nenhuma justificativa para demitir”.
“É inaceitável que uma instituição que registra lucros bilionários promova demissões em massa sob a justificativa de ‘produtividade’”, declarou.
O que diz o Itaú
“O Itaú Unibanco fomenta diálogo permanente e estruturado com as entidades que representam seus colaboradores, em linha com sua cultura e com absoluto respeito às instituições e às normas coletivas. Em atenção ao pedido protocolado pelo sindicato na Justiça do Trabalho, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), por meio da Vice-Presidência Judicial, com a mediação do desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto, conduziu as partes a um ambiente de conciliação e entendimento mútuo, contribuindo significativamente para a prevenção da judicialização coletiva e individual. Os termos finais do acordo ainda estão sob segredo de justiça por pedido da entidade sindical até a data da assembleia. O banco reitera, no entanto, que os desligamentos ocorridos em 08/09 não caracterizam demissão em massa. Trata-se de desligamentos plúrimos, nos quais foram consideradas as condições individuais de cada colaborador, sem objetivo de redução de quadro, e com fundamentação objetiva vinculada à aderência à jornada de trabalho e à atividade digital aferida em sistemas corporativos, sempre em conformidade com a legislação brasileira e com as políticas internas”.
Defender home office nas redes custou o emprego deles
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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