Política
Lula deve abordar desigualdade, clima e paz na abertura da Assembleia-Geral da ONU
Presidente retorna ao debate de líderes globais em Nova York após 14 anos. Por tradição, governante brasileiro é o primeiro chefe de Estado a discursar no evento. O presidente Lula em imagem de setembro de 2023
REUTERS/Anushree Fadnavis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre na manhã desta terça-feira (19) o debate de líderes da 78ª edição da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU). O representante do Brasil costuma ser o primeiro a discursar no encontro realizado todos os anos em Nova York (EUA).
Lula retorna ao palco da ONU após 14 anos – discursou como presidente pela última vez na Assembleia-Geral de 2009. Ele deverá destacar temas que tem abordado em reuniões com outros líderes ao longo de 2023, conforme informou a colunista do g1 Julia Duailibi:
Combate à fome e à desigualdade;
Defesa da paz e do fim da guerra na Ucrânia;
Combate às mudanças climáticas;
Cobrança por recursos de países ricos para preservar florestas;
Defesa da democracia;
Mudanças na governança global, como a reforma do Conselho de Segurança da ONU.
Lula chegou no sábado a Nova York, na sua segunda viagem aos Estados Unidos neste terceiro mandato presidencial.
O petista aproveita a assembleia-geral para ter uma série de reuniões com outros líderes.
Na quarta-feira (20), ele tem previsão de se encontrar, em agendas separadas, com os presidentes dos EUA, Joe Biden, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Lula discursa nesta terça na abertura da Assembleia Geral da Onu e deve falar sobre clima e guerra na Ucrânia
Discursos anteriores
Realizada anualmente em Nova York, a Assembleia-Geral é um espaço no qual chefes de Estado e de governo e ministros dos países que integram a ONU apontam realizações, prioridades e preocupações de suas gestões. Os líderes também apresentam suas visões para o desenvolvimento global.
Lula retorna à ONU na condição de presidente brasileiro que mais discursou na abertura da Assembleia-Geral. Está é a oitava participação do petista no encontro. Nos mandatos anteriores, ele só não esteve no debate-geral em 2010.
Apesar da tradição de abrir o debate desde a década de 1940, o primeiro presidente brasileiro a discursar na assembleia-geral da ONU foi João Baptista Figueiredo, em 1982. Desde a redemocratização, somente Itamar Franco (1992-1994) não compareceu à reunião de líderes globais.
Lula estreou na ONU em 2003 com um convite aos países para um esforço global de combate à fome.
Ao longo de sete participações, o presidente citou os esforços do Brasil para reduzir o desmatamento na Amazônia e defendeu a necessidade da busca por energias renováveis, como etanol e biodiesel.
“O Brasil tem feito esforços notáveis para diminuir os efeitos da mudança do clima. Basta dizer que, nos últimos anos, reduzimos a menos da metade o desmatamento da Amazônia. Um resultado como este não é obra do acaso. Até porque o Brasil não abdica, em nenhuma hipótese, de sua soberania e nem de suas responsabilidades sobre a Amazônia”, declarou o petista em 2007.
Dois anos depois, Lula cobrou empenho de países desenvolvidos para combater as mudanças climáticas e defendeu um Conselho de Segurança “renovado” e “aberto a novos membros permanentes”.
“Não é possível que as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança sejam regidos pelos mesmos parâmetros que se seguiram à Segunda Guerra Mundial”, disse Lula.
Presidente Lula está em Nova York, onde vai discursar, na terça-feira (19), na ONU
O que dizem os especialistas
Na avaliação do secretário de Assuntos Multilaterais do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Márcio Cozendey, a presença de Lula na assembleia-geral “coroa” uma atuação “intensa” do presidente para “recolocar o Brasil no cenário internacional e retomar a participação ativa nos fóruns multilaterais”.
Lula já esteve neste ano em encontros da Celac (América Latina e Caribe), União Europeia, Mercosul, G7, G20, G77 e Brics.
Para especialistas ouvidos pelo g1, no retorno à ONU Lula tentará resgatar temas considerados “pilares” da sua política externa, como a redução da pobreza, cooperação entre países e a busca por auxílio financeiro para combate ao desmatamento.
Ele também deve defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU – o Brasil pleiteia há décadas uma vaga permanente no colegiado.
“O presidente volta à Assembleia-Geral da ONU, para resgatar temas que são pilares da sua política externa, mas sem qualquer possibilidade de sensibilizar aqueles que, definitivamente, conduzem a ordem internacional, que são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança”, diz Marcelo Rech, analista do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa.
Ainda segundo Rech, Lula discursará em um momento de “desconfiança” dos países ocidentais motivada por acenos do presidente à Rússia e à China.
Professor e diplomata, Paulo Roberto de Almeida afirma que o impacto do retorno de Lula à Presidência foi maior logo no começo do governo em razão da “deterioração extraordinária da imagem externa do país” na gestão de Jair Bolsonaro (2018-2022).
“Lula deverá ler, com o rigor que o Itamaraty sempre imprime a essas ocasiões, uma sucessão de posturas mais frequentes na pauta de interesses do Brasil e algumas mais ligadas à visão política do PT: a reforma da ordem internacional; a mudança da Carta das Nações Unidas com o ingresso de novos membros permanentes no seu Conselho de Segurança; e as reivindicações mais agressivas quanto à responsabilidade dos países ricos no fenômeno do aquecimento global”, afirmou Almeida.
“E também pedidos mais insistentes para que esses países financiem não só os programas de combate ao desmatamento nos grandes países em desenvolvimento como a transferência de tecnologias para a transição energética e até industrialização sustentável”, completou o especialista.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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