Economia
Maioria do Copom vê ‘porta aberta’ para corte de juros em agosto, mas decisão depende de indicadores, diz Campos Neto
Previsão do mercado, até o momento, é de início do processo de cortes dos juros em agosto. Nesta quinta-feira, presidente Lula fez novas críticas ao patamar da taxa de juros. Ex-executivo do mercado financeiro, Campos Neto é presidente do BC e seu mandato termina no fim de 2024
Reuters via BBC
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira (28) que a maioria dos integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom), formado por ele e pelos diretores da instituição, deixou a “porta aberta” para um possível corte de juros em seu próximo encontro – no começo de agosto.
Campos Neto lembrou, porém, que uma sinalização do que poderá acontecer em agosto não quer dizer, necessariamente, que isso será feito. E que as decisões sobre a taxa de juros são tomadas somente nas reuniões do Copom, baseadas nos indicadores econômicos, como inflação e capacidade de crescimento econômico.
“Tinha um grupo [de membros do Copom] que entendeu que não tinha como deixar a porta aberta, e teve outro, maioria, que achava. E isso foi explicado na ata do Copom”, declarou Campos Neto.
“Temos lá os itens que vamos avaliar. A gente tinha uma visão predominante que podia deixar a porta aberta, e outro que o processo deveria ser feito com parcimônia”, completou.
Atualmente, a taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 13,75% ao ano, o maior nível em seis anos e meio. A taxa foi mantida estável na semana passada pelo Banco Central.
Até o momento, a previsão do mercado é justamente de que os juros comecem a recuar em agosto, quando passariam para 13,50% ao ano. Para o fim deste ano, a previsão é que que a Selic cai para 12,25% ao ano.
Campos Neto também explicou que os comunicados do Copom, divulgados logo após as reuniões, informando sobre o patamar definido para a taxa de juros, diferem da ata do encontro – que é tornada pública somente na terça-feira da semana seguinte.
Segundo ele, os comunicados têm de mostrar consenso sobre decisões tomadas pelo Copom sobre a taxa de juros e sobre avaliações, e que as atas das reuniões têm uma função mais ampla “de elaborar cenários, explicar o que foi discutido”. “Se for dividida [uma avaliação], a gente explica na ata”, declarou.
Nesta semana, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, criticou o fato de o BC não ter sinalizado claramente, no comunicado da última reunião do Copom, um possível corte de juros em agosto.
Divergência sobre sinalização
Na ata de sua última reunião, a maioria dos integrantes do Copom avaliou que a continuidade da queda da inflação, e seu impacto sobre as expectativas do mercado para o IPCA, pode possibilitar uma queda dos juros no começo de agosto.
O BC também informou, entretanto, outro integrantes do Copom, embora em minoria, mostraram-se mais cautelosos, avaliando que a dinâmica de queda da inflação “ainda reflete o recuo de componentes mais voláteis e que a incerteza sobre o hiato do produto [capacidade de a economia crescer sem gerar inflação] gera dúvida sobre o impacto do aperto monetário [alta dos juros] até então implementado”.
“Para esse grupo, é necessário observar maior reancoragem das expectativas longas [projeções de inflação do mercado para os próximos anos em linha com as metas] e acumular mais evidências de desinflação nos componentes mais sensíveis ao ciclo”, informou a instituição.
Metas de inflação
Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, no sistema de metas de inflação, o BC olha para frente.
Neste momento, a instituição já está mirando na meta do ano que vem. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
A meta de inflação do próximo ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Na semana passada, os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de inflação deste ano, de 5,12% para 5,06%, e passaram a projetar uma inflação de 3,98% para 2024.
Pressão de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem pressionado o Banco Central a iniciar o processo de redução da taxa básica de juros da economia, e critica o efeito de juros altos sobre o crescimento da economia e a geração de empregos.
Sem citar o nome do presidente do BC, Roberto Campos Neto, Lula disse nesta quinta-feira (29) que a instituição tem um “cidadão que não entende nada de povo”. Lula deu as declarações em entrevista à Rádio Gaúcha, do Rio Grande do Sul.
“Você tem um cidadão que me parece que não entende absolutamente nada de país, não entende nada de povo, não tem sentimento com o sofrimento do povo, e mantém uma taxa de juros para atender os interesses de quem? A quem que esse cidadão está servindo neste momento?”, questionou o petista.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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