Connect with us

Economia

Mesmo com arcabouço e tributária, OCDE vê dívida brasileira em alta e sugere novas reformas

Published

on

Entidade divulgou relatório econômico sobre o Brasil nesta segunda-feira. OCDE recomendou ao país limitar gastos com saúde e educação. E não conceder aumento real para aposentadorias. Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em imagem de dezembro de 2023
Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) avaliou nesta segunda-feira (18) que a dívida pública brasileira continuará a crescer nos próximos anos, podendo atingir 90% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2047.
Para a entidade, o avanço da dívida do Brasil continuará mesmo com a aprovação neste ano da nova regra para as contas públicas – o arcabouço fiscal – e da reforma tributária sobre o consumo.
A estimativa consta do relatório econômico sobre o Brasil da OCDE – grupo formado principalmente por nações mais desenvolvidas. Para enfrentar a situação, a entidade recomenda novas reformas.
“Um pacote mais ambicioso de reformas estruturais impulsionaria o crescimento potencial e conduziria a uma diminuição da relação dívida/PIB”, acrescentou a OCDE, no relatório.
O reequilíbrio das contas públicas, buscado pela atual equipe econômica por meio do arcabouço fiscal, é considerado importante pelo mercado financeiro para evitar uma disparada da dívida brasileira
A aprovação da reforma tributária também é vista como um fator importante de controle da dívida, pois há a expectativa de forte impacto no crescimento do PIB brasileiro – o que atenua a expansão do endividamento brasileiro
Em outubro deste ano, a dívida do setor público consolidado somou 74,7% do PIB, cerca de R$ 7,9 trilhões (entenda a relação entre dívida e taxa de juros aqui).
Na comparação com o final do ano passado, quando a dívida estava em R$ 7,22 trilhões, ou 72,9% do PIB (dado atualizado), porém, houve uma alta de 1,8 ponto percentual.
O Brasil ingressou em 2017, durante o governo do presidente Michel Temer, com um pedido formal de adesão à OCDE, que foi mantido nos governos do presidente Jair Bolsonaro e, mais recentemente, de Luiz Inácio Lula da Silva.
Reformas adicionais
De acordo com a OCDE, um pacote ambicioso de reformas pode estimular a economia nos próximos anos e, se implementadas, reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública brasileira que, mesmo assim, atingiria 80% do PIB em 2047.
Entre as reformas propostas, estão:
Redução de barreiras ao empreendedorismo e à concorrência reduzindo, por exemplo, encargos administrativos e simplificando requisitos de licenciamento
Uma maior abertura comercial, por meio da redução de tarifas, que permitiria uma integração global mais forte
Medidas para fortalecer a governança das instituições e reduzir a corrupção
Aumentar permanentemente o investimento público em 2 pontos percentuais do PIB
Regras para as contas públicas
De acordo com a OCDE, o reforço das regras para as contas públicas será fundamental para a sustentabilidade da dívida e a confiança dos investidores.
A recomendação da entidade é que o Brasil mude o formato dos atuais pisos de gastos em saúde e educação, que estão ligados ao crescimento da receita – algo que a equipe econômica do governo Lula já indicou que buscará fazer para o ano de 2025.
A proposta da OCDE é que essas despesas passem a ser corrigidas pela inflação. Com isso, esses gastos em saúde e educação cresceriam menos nos próximos anos.
“Embora garantir financiamento suficiente para a saúde, a educação e a segurança social seja compreensível a partir de uma política social perspectiva, isso limita a flexibilidade da política fiscal [das contas públicas] para dar conta das mudanças demográficas ou ajustar-se a choques econômicos adversos”, opina a OCDE.
A entidade também recomendou que o Brasil “repense” algumas indexações automáticas das regras de gastos, o que permitiria uma flexibilidade maior para ajustar as políticas a novas prioridades.
A recomendação da OCDE é que benefícios sociais, como aposentadorias, sejam atrelados à inflação, e não mais ao salário mínimo – que, pelo novo formato aprovado, subirá mais do que variação dos preços.
“O valor mínimo de benefícios previdenciários, que a esmagadora maioria dos beneficiários de pensões recebe, são indexados ao salário mínimo, levando a aumentos do salário mínimo com implicações fiscais consideráveis. A indexação levou a um aumento considerável nas despesas obrigatórias e à redução do espaço fiscal”, avaliou a OCDE.
A entidade também avaliou que há espaço para consolidar vários programas de proteção social para reduzir duplicação de benefícios e poupar recursos que poderiam ser redirecionados para proteger os mais vulneráveis.
E considerou que novas reformas da Previdência Social podem ser necessárias para estabilizar as despesas com pensões nos próximos anos e conter o aumento do déficit.
Ao mesmo tempo, também informou que uma reforma administrativa poderia gerar uma redução de gastos de até 8% do PIB em dez anos.
Todas essas recomendações já haviam sido feitas por analistas do setor privado, que avaliam que a equipe econômica do governo tem falhado ao não dar ao corte de gastos o mesmo peso que tem dado à elaboração de medidas de aumento de arrecadação.
A organização também julgou que é essencial manter as expectativas de inflação “ancoradas” com as metas definidas pelo governo para preservar a credibilidade da moeda. E recomendou limitar as pressões de demanda, ou seja, os gastos públicos.
Para a OCDE, o aumento da credibilidade da política para as contas públicas no longo prazo apoiaria a política monetária (definição dos juros pelo Banco Central) no controle da inflação e permitiria uma redução mais agressiva da taxa básica de juros – atualmente em 11,75% ao ano.
O secretário de Politica Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou que o arcabouço fiscal, ao limitar despesas, busca a estabilização da dívida pública no futuro. “A discussão é sobre a velocidade do processo”, declarou.
Ele acrescentou que o governo está atento à agenda de redução de gastos, além de benefícios fiscais, para estimular o crescimento da economia e a redução dos juros pelo BC. “A redução dos juros é o elemento mais decisivo, junto com o crescimento econômico, para redução da dívida”, concluiu.
Dívida pública sobe 2,9% em junho e atinge R$ 6,19 trilhões, informa Tesouro Nacional
Entenda a relação entre o endividamento e a taxa de juros
A relação entre dívida e PIB é um indicador relevante para o mercado financeiro, interpretado como um sinal da capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros de curto, médio e longo prazo. Quanto maior a dívida em relação ao PIB, maior o risco de um calote em momentos de crise.
As projeções para a dívida pública no futuro, junto com outros indicadores como no ritmo de crescimento do país e os resultados das contas públicas, são usados pelo mercado para fixar a taxa de juros no mercado futuro, que serve de referência para o que o governo paga nas emissões de títulos públicos – a chamada “rolagem” da dívida.
Se há uma percepção de que o endividamento será maior, assim como o risco nas contas públicas, o mercado costuma reagir cobrando uma taxa maior de juros. E isso impulsiona o endividamento do país, e também tem impacto nas taxas cobradas pelos bancos das pessoas físicas e empresas.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

Published

on

By

Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

Continue Reading

Trending

Copyright © 2022 InfoDourados