Economia
Metade dos inadimplentes têm mais que 90 dias de atraso em dívidas; veja como melhorar seu score
Pesquisa da CNC aponta que quase 80% das famílias estavam endividadas no mês passado. O ambiente de juros altos e o crédito restrito continuam a pesar no orçamento das famílias – e têm piorado a situação para aqueles que já têm alguma dívida em atraso.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e compartilhada em primeira mão com o g1, apontam que aproximadamente 45% dos consumidores chegaram em março com dívidas atrasadas por mais de 90 dias.
A porcentagem representa um aumento tanto em relação ao observado em fevereiro (44,2%) quanto em comparação ao mesmo mês de 2022 (44%) e, segundo a economista responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, já indica uma maior dificuldade de pagamento por parte das famílias.
Veja o gráfico abaixo.
Para ela, apesar de alguns indicadores terem mostrado certa “moderação” na comparação mensal – como é o caso do volume de famílias com dívidas em atraso, que caiu pelo quarto mês consecutivo e saiu de 29,8% em fevereiro para 29,4% no mês passado, por exemplo – os níveis ainda altos de famílias endividadas e comprometimento da renda continuam a trazer preocupação.
De acordo com a pesquisa, 78,3% das famílias estavam endividadas no país em março (o mesmo percentual visto em fevereiro). Desse total, 17,1% consideravam-se “muito endividadas” e 11,5% afirmaram que não terão condições de pagar seus compromissos.
“Temos mais gente atrasando por mais tempo, e os indicadores mostram que apesar de o consumidor se esforçar para pagar suas contas em dia, quando ele atrasa, mais dificuldade ele tem para pagar”, explica a economista.
“Isso porque além de os juros estarem altos, esse consumidor não consegue linhas melhores porque o sistema financeiro está retraído na concessão para ele – ainda mais se ele já estiver com algum compromisso atrasado”, acrescenta Ferreira.
Qualidade do crédito é pior para famílias de baixa renda
Outro ponto levantado pela Peic de março é a qualidade do crédito voltado para famílias de baixa renda – e seus reflexos nos níveis de inadimplência e capacidade de pagamento.
Veja os gráficos abaixo.
Segundo Ferreira, parte desse cenário é explicado pela consolidação de linhas consideradas “ruins” – como é o caso do cartão de crédito e do cheque especial, por exemplo, que têm juros estratosféricos – como alternativa para essa população.
“O cartão se consolidou como alternativa para o consumo diário e temos visto que cada vez mais pessoas usando esse tipo de crédito para pagar contas do dia a dia. E não só farmácia e supermercado, mas muitas vezes o condomínio, a despesa com a escola ou universidade”, afirma a economista.
De acordo com dados do último relatório de crédito do Banco Central, as concessões feitas pelas modalidades de cheque especial, cartão de crédito rotativo e cartão parcelado – as três linhas com as maiores taxas de juros do mercado – responderam por mais de um terço de todos os empréstimos feitos com recursos livres no sistema financeiro.
“E é exatamente essa despesa corrente que vem sendo custeada pelo cartão que acaba sendo perigosa. Porque caso a pessoa perca o emprego ou tenha uma situação inesperada e precise realocar recursos, a primeira coisa que a maioria costuma deixar de pagar é a fatura do cartão”, completa.
Cenário à frente
Segundo especialistas consultados pelo g1, apesar de o mercado de crédito dar sinais de “acomodação”, ainda não é possível confirmar um quadro de queda sustentável de inadimplência e melhora das concessões à frente.
“Este é um cenário que ainda pede atenção e cuidado, principalmente porque ainda esperamos uma atividade fraca para este ano, com uma desaceleração nas contratações formais, investimento em queda e um varejo que já sofre bastante com a crise de crédito”, afirma Ferreira.
Além disso, outro ponto que também pode influenciar o mercado de crédito em 2023 é a tendência de que a taxa básica de juros (Selic) permaneça alta por mais tempo.
De acordo com o último relatório Focus do BC, por exemplo, a estimativa é que a Selic encerre este ano em 12,75% ao ano – uma queda de apenas 1 ponto percentual (p.p.) em relação aos atuais 13,75%.
Já para a inflação oficial do país (IPCA), a estimativa é que o indicador encerre 2023 com uma variação positiva de 5,96%, bem acima do teto da meta (4,75%).
“É um cenário econômico delicado para o consumidor, já que embora a gente acredite que o pior já tenha ficado para trás, ainda temos sinais de juros e inflação ainda altos por mais tempo. E levando em consideração todo o cenário de endividamento e comprometimento de renda, a indicação é que as concessões sejam mais rigorosas”, diz o economista da Boa Vista, Rafael Ciampone.
Como melhorar meu score de crédito?
Mesmo com perspectivas não tão otimistas para o mercado de crédito, os especialistas destacam que os consumidores ainda têm alternativas para melhorar o score e conseguir taxas menores em empréstimos.
Score de crédito é uma pontuação que vai de 0 e 1 mil e indica se um consumidor é bom pagador. Quanto maior é a pontuação, melhores são os hábitos de pagamento e o relacionamento do cidadão com o mercado de crédito – e, portanto, maior é a chance de conseguir empréstimos por juros mais atrativos.
Veja abaixo as principais dicas dos especialistas.
1) Faça um planejamento orçamentário
Segundo os economistas consultados pelo g1, o primeiro passo é organizar a vida financeira. Para isso, os primeiros passos são:
Anote as despesas e receitas em uma planilha ou bloco de notas;
Coordene as contas que são prioritárias e que precisam ser pagas primeiro (gastos essenciais, como aluguel, luz, gás, condomínio, por exemplo, têm prioridade);
Anote, também, os empréstimos contratados e as compras parceladas – considerando, inclusive, as parcelas que ainda precisam ser pagas.
Segundo Ferreira, da CNC, a ideia, aqui, é que o consumidor consiga fazer uma melhor gestão de tudo o que a família gasta.
“É importante anotar até os pequenos gastos, porque muito do dinheiro das pessoas vai no dia a dia, sem que ela perceba. E quando esse padrão de comportamento se repete ao longo do mês, pode deixar o consumidor deficitário [gastando mais do que recebe]. Então anote, desde o cafezinho depois do almoço até as pequenas corridas de carro por aplicativo”, alerta a economista.
Além disso, Ferreira ainda destaca a importância de ter autocontrole. “Quem está endividado muitas vezes precisa saber dizer não para as próprias vontades. É uma dieta financeira, para evitar gastos supérfluos a qualquer custo”, afirma, reiterando que uma boa maneira para se manter consciente dessas despesas é adicionar pequenos lembretes sobre o que ainda é preciso pagar.
“Para quem usa muito cartão, por exemplo, uma dica é sempre andar com um lembrete no cartão ou no celular do valor que tem a vencer na fatura seguinte porque, quando você olha e lembra, a compra por impulso muitas vezes acaba sendo repensada. É preciso ter conscientização financeira”, acrescenta.
2) Conheça seu score
Outra dica importante dada pelos especialistas é para que o consumidor saiba a sua nota de crédito.
Vale lembrar que o score de crédito não aumenta de uma hora para a outra, já que ele leva em consideração o histórico de pagamento de seus clientes – o que significa que é preciso hábito e consistência como bom pagador para que a nota cresça gradativamente.
“De qualquer forma, é importante que o consumidor conheça sua própria nota e, da mesma forma, saiba se há alguma restrição ligada ao seu CPF para que consiga resolver o quanto antes”, diz Ciampone, reiterando que outro ponto importante é fazer com que as próprias instituições financeiras também saibam da sua nota de crédito.
“Esse é um passo importante rumo a conseguir juros melhores, já que quanto melhor uma instituição sabe do seu histórico, melhor ela consegue avaliar seu perfil. Nesse sentido, acho que o open banking [sistema de compartilhamento de dados financeiros] pode ajudar bastante, principalmente se você é um bom pagador e não tem nenhum empecilho de compartilhar suas informações com outras instituições”, diz o economista.
Open banking: entenda o que é e como funciona
3) Busque a renegociação
Por fim, outra indicação importante dada pelos especialistas é que as famílias busquem a renegociação de suas dívidas. Para isso, a dica é que o consumidor consolide todos os seus débitos (incluindo os pagamentos parcelados e que ainda precisam ser feitos) e entre em contato com a instituição financeira.
“Nesse momento em que há mais pessoas com restrição no CPF, vemos que a recuperação de crédito nas instituições também cresceu bastante. E para o consumidor que dificilmente conseguira quitar suas contas em atraso, a melhor opção é a renegociação. Mas é preciso cuidado para não atrasar de novo”, completa Ciampone.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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