Economia
O petisco ‘humilde’ da Coreia que virou febre global e atingiu preço recorde em 2026
A Coreia do Sul é conhecida como a maior produtora e exportadora mundial de ‘gim’, uma alga marinha seca, preta, crocante, geralmente em folha e de formato quadrado
Getty Images via BBC
Preta, crocante, geralmente em folha e de formato quadrado, a alga marinha seca, conhecida também como “gim”, é um alimento básico e modesto presente nas mesas do dia a dia em toda a Coreia do Sul. Mas, à medida que a sua popularidade global cresce, a alta dos preços começa a preocupar os apreciadores do produto no país.
Lee Hyang-ran vende “gim” há 47 anos.
“No passado, as pessoas de países ocidentais achavam que os coreanos comiam algo estranho que parecia um pedaço de papel preto”, disse a vendedora, que está na casa dos 60 anos, falando de uma pequena barraca de mercado no centro de Seoul.
“E nunca achei que venderia ‘gim’ para eles. Mas agora todos vêm aqui e compram”.
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A Coreia do Sul é conhecida como a maior produtora e exportadora mundial de “gim”, abastecendo mercados da Ásia, da América do Norte e da Europa. Alguns chegam a se referir ao produto como o “semicondutor preto” do país, uma referência à grande participação sul-coreana na indústria global de semicondutores (fundamentais para abastecer tudo, de máquinas de lavar a iPhones, de jatos militares a veículos elétricos).
As exportações cresceram de forma constante nos últimos anos e, em 2025, as exportações sul-coreanas de algas marinhas secas da Coreia do Sul atingiram o recorde de US$ 1,13 bilhão (cerca de R$ 5,65 bilhões), segundo o Korea Maritime Institute (KMI).
E, à medida que a demanda aumenta, os preços também sobem.
Conhecido localmente como um lanche ou ingrediente acessível, o “gim” costumava custar cerca de 100 won (cerca de R$ 0,30) por folha em 2024, sendo normalmente vendido em pacotes de 10 folhas ou mais, por cerca de US$ 0,60 por pacote (aproximadamente R$ 3).
Mas, no mês passado, o preço de uma única folha “gim” ultrapassou 150 won (cerca de R$ 0,55), um recorde histórico no país.
“Os produtos premium custam agora até 350 won por folha [em torno de R$ 1,30]”, disse Lee.
Lee Hyang-ran vende ‘gim’ há 47 anos na Coreia do Sul
BBC
Kim Jaela, na casa dos 30 anos, costuma comprar “gim” em grandes quantidades, cerca de 500 folhas pequenas por vez, o suficiente para durar vários meses.
Mas ela disse que talvez isso precise mudar, diante de como o “gim” ficou caro.
Ela faz a maior parte das compras de supermercado pela internet e checava os preços no celular durante a entrevista.
“Meu Deus, realmente ficou mais caro em alguns dólares! Felizmente, eu consigo aguentar mais algumas semanas com dois pacotes de “gim”, mas, se eu vir o mesmo preço ou um valor ainda maior depois, provavelmente não vou repor”, disse.
Um alimento básico coreano
O apetite mundial por “gim” reflete uma crescente demanda global por produtos sul-coreanos, impulsionada por influências culturais como o K-pop (música coreana) e os K-dramas (séries de televisão).
À medida que públicos de diferentes países se envolvem mais profundamente com esse tipo de entretenimento, cresce também o interesse pela culinária coreana, um movimento que as empresas ao redor do mundo já perceberam.
Em 2023, o gimbap da rede americana de supermercados Trader Joe’s, um rolinho de arroz coreano envolto em alga, viralizou e teve os estoques esgotados em todo o país pouco depois do lançamento.
“Eu conheci o ‘gim’ porque é uma comida típica coreana que aparece com frequência nos K-dramas”, disse Miki, uma visitante japonesa de 22 anos, em entrevista à BBC.
“No Japão, temos algo parecido chamado ‘nori’, mas o sabor é totalmente diferente. O ‘gim’ é mais leve e crocante e geralmente é grelhado com óleo de gergelim e sal, enquanto o nori costuma ser temperado com molho de soja.”
Viola, uma visitante de 60 anos do Brooklyn, em Nova York (EUA), afirmou que come o “gim” como um lanche. “Eu simplesmente coloco na boca como se fosse uma batata frita”, disse, acrescentando que o produto parece uma “alternativa mais saudável”.
“De países asiáticos a ocidentais, mais pessoas estão se familiarizando com o ‘gim’, o que aumenta a demanda global”, disse Lee Eunhee, professora de estudos do consumidor da Inha University (Coreia do Sul). “Para atender à demanda externa, os preços no mercado interno estão sendo pressionados para cima.”
Kim Namin, de 29 anos, administra uma fábrica de processamento de “gim” temperado com 30 anos de tradição familiar em Wando, uma ilha no sul da Coreia do Sul conhecida pela produção de abalones (moluscos marinhos) e algas marinhas.
A fábrica compra a alga crua, grelha com óleo e sal e a corta no formato retangular familiar vendido nas lojas.
Nos últimos cinco anos, a maior parte da produção foi exportada para mercados internacionais.
“Não há fábricas de ‘gim’ suficientes para acompanhar o aumento da demanda”, disse Kim, acrescentando que a família agora considera expandir as operações.
Ele afirmou ainda que o “gim” é um alimento altamente sensível a preço na Coreia do Sul, historicamente associado à acessibilidade. Mesmo aumentos marginais no custo são fortemente percebidos pelos consumidores e tendem a provocar resistência pública, outro motivo para o foco crescente em mercados externos.
Autoridades governamentais e especialistas afirmam que o aumento de preços é impulsionado por múltiplos fatores, incluindo a inflação geral, a alta dos custos de mão de obra e a queda da produção em outros países.
Ainda assim, muitos concordam que o crescimento da demanda global continua sendo o principal motor da alta.
Em uma tentativa de apaziguar os consumidores domésticos, as empresas, em conjunto com o governo, estão adotando medidas para conter os custos.
O Ministério dos Oceanos e da Pesca da Coreia do Sul prometeu monitorar de perto a situação para estabilizar os preços. Empresas alimentícias sul-coreanas como a Pulmone também planejam criar um centro de pesquisa e desenvolvimento de algas em terra firme, permitindo a colheita ao longo de todo o ano.
De volta a Seul, o mercado fervilha de turistas, e os negócios vão bem para Lee.
“O ‘gim’ está vendendo como água… especialmente o usado para fazer gimbap”, disse.
“Fico feliz que o ‘gim’ coreano esteja ficando popular.”
Economia
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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