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Economia

O que é a ‘estagflação’ mencionada por Milei em primeiro discurso como presidente da Argentina

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Termo combina inflação elevada com estagnação econômica e veio do inglês ‘stagflation’; uma de suas consequências diretas é aumento do desemprego. “Estagflação” é uma tradução do inglês “stagflation”
GETTY IMAGES via BBC
Após assumir a presidência da Argentina, Javier Milei — o primeiro economista a liderar o país — deu um discurso nas escadas do Congresso no qual fez um duro diagnóstico da economia e alertou que faria um corte drástico nos gastos públicos que geraria “estagflação”.
“Não há alternativa ao ajuste e não há alternativa ao choque. Naturalmente, isto terá um impacto negativo no nível de atividade, no emprego, nos salários reais e no número de pessoas pobres e indigentes”, disse ele durante a sua primeira mensagem como chefe de Estado.
“Haverá estagflação, é verdade, mas não é algo muito diferente do que aconteceu nos últimos 12 anos”, acrescentou.
O que é a estagflação e por que a Argentina sofre com isso há tanto tempo, segundo Milei?
É uma palavra que combina inflação elevada com estagnação econômica. Uma de suas consequências diretas é o aumento do desemprego.
O termo é uma tradução do conceito inglês “stagflation”, que foi cunhado na década de 1960, quando o fenômeno impactou a economia do Reino Unido.
É considerado pelos especialistas como um desafio de difícil solução visto que o custo de vida encarece e, ao mesmo tempo, não há crescimento — com efeitos devastadores para as famílias.
Por outro lado, as políticas para romper a estagnação tendem a exacerbar a inflação.
Foi o que alertou Milei, que disse aos seus apoiadores na Plaza de Mayo que “no curto prazo a situação vai piorar”.
Milei tomou posse no domingo, 10 de dezembro
REUTERS via BBC
No entanto, o novo presidente garantiu que a sua fórmula para resolver o problema — um ajuste fiscal profundo — será “a última bebida amarga para iniciar a reconstrução da Argentina”.
“Então, veremos os frutos dos nossos esforços, tendo criado as bases para um crescimento sólido e sustentável ao longo do tempo”, acrescentou.
O novo presidente destacou ainda que na realidade o país sofre de estagflação desde 2011, desde então o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos por um país) per capita “caiu 15% num contexto em que acumulamos 5.000% de inflação”.
“Portanto, vivemos em estagflação há mais de uma década”, explicou.
Ajuste ‘organizado’
Durante seu discurso, Milei enumerou as dificuldades econômicas que recebe do governo liderado por Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, e que — em sua opinião — representam “a pior herança” da história argentina.
O maior obstáculo, disse, é o déficit fiscal e externo, que equivale a 17% do PIB.
“Portanto, não há solução viável que evite atacar o déficit fiscal”, esclareceu, antes de explicar que o seu plano é cortar os gastos públicos em 5 pontos percentuais e parar a emissão de dinheiro, “única causa da inflação empiricamente certa e válida em termos teóricos.”
Milei prometeu que será “um ajuste organizado que recairá com toda a sua força sobre o Estado e não sobre o setor privado”.
“Sabemos que será difícil”, acrescentou, citando uma frase do ex-presidente Julio Argentino Roca.
“Nada de grande, nada de estável e duradouro é alcançado no mundo quando se trata da liberdade dos homens e da gratidão das pessoas, se não for à custa de esforços supremos e sacrifícios dolorosos.”
Milhares de apoiadores de Milei se reuniram em frente à Casa Rosada, sede da presidência argentina
REUTERS via BBC
Desemprego
Os críticos de Milei alertam que suas políticas afetarão um dos poucos índices “positivos” que a Argentina tem: a taxa de desemprego, que, segundo os dados mais recentes (do segundo trimestre de 2023), é de 6,2%, um dos mais baixos em sua história.
Muitos temem que a estagflação prevista por Milei aumente dramaticamente o desemprego.
Ainda está fresca na memória dos argentinos aquela que foi a pior crise da história do país, há duas décadas, quando o desemprego atingiu o recorde de 24,1%.
No entanto, os apoiadores do novo governo destacam que a atual taxa de emprego esconde outra realidade: embora haja postos de trabalho, os salários são tão baixos que um terço dos trabalhadores hoje são pobres, salientam, algo que nunca aconteceu antes no país.

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Economia

Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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