Connect with us

Economia

Os fatores que emperram desenvolvimento humano do Brasil em ranking da ONU

Published

on

País subiu cinco posições no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mas está estagnado quando o assunto é educação. As Nações Unidas alertam para riscos de desaceleração do crescimento e veem na inteligência artificial um caminho para a retomada do desenvolvimento. Os indicadores relacionados à educação no Brasil aparecem estagnados nos relatórios sobre IDH
Getty Images via BBC
O Brasil subiu cinco posições no ranking de desenvolvimento humano atualizado todos os anos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O relatório divulgado nesta terça-feira (6/5) leva em conta os indicadores relativos ao ano de 2023.
Na tabela que compara os resultados de 193 países, o Brasil aparece ao lado de Palau na 84ª posição, com um IDH de 0.786.
LEIA TAMBÉM
Desigualdade no Brasil: rendimento mensal do 1% mais rico é 40 vezes maior que dos 40% mais pobres
Bolsa Família diminui a desigualdade em regiões em que está mais presente, aponta IBGE
O IDH é a sigla para Índice de Desenvolvimento Humano e considera questões como expectativa de vida, anos de escolaridade e renda per capita.
A partir desses números, os pesquisadores fazem uma equação que dá um resultado que varia entre 0 e 1 — e, quanto mais próximo do 1, melhor a situação ou o IDH daquele país.
“O IDH foi criado para enfatizar que as pessoas e suas capacidades devem ser o critério final para avaliar o desenvolvimento de um país, não apenas o crescimento econômico”, contextualiza o PNUD em seu site oficial.
No relatório anterior, que considerava os dados de 2022, o Brasil aparecia na 89ª posição do ranking.
Rendimento do 1% mais rico do Brasil é 40 vezes maior que dos 40% mais pobres
Uma nota de 0.786 no IDH coloca o país numa classificação de desenvolvimento humano considerada “alta”, um pouco acima da média mundial e dos resultados da América Latina e do Caribe.
No entanto, outras nações da região aparecem bem à frente, como Chile (45ª posição, IDH de 0.878), Argentina (47ª posição, IDH de 0.865) e Uruguai (48ª posição, IDH de 0.862).
O topo do ranking global é liderado por Islândia (IDH de 0.972), Noruega (0.970), Suíça (0.970), Dinamarca (0.962), Alemanha (0.959) e Suécia (0.959).
Já as últimas colocações são ocupadas por Sudão do Sul (0.388), Somália (0.404), República Centro-Africana (0.414), Chade (0.416), Níger (0.419) e Mali (0.419).
A expectativa de vida ao nascer tem crescido ano após ano no Brasil
Getty Images via BBC
Avanços e dificuldades do Brasil
O Brasil tem apresentado crescimentos no IDH desde o início dos anos 1990 — as únicas três exceções foram 2015, 2020 e 2021.
Em 2015, a queda aconteceu na renda bruta per capita e na expectativa de anos na escola.
Já entre 2020 e 2021, os dois primeiros anos da pandemia de covid-19, houve uma redução na expectativa de vida — algo que impactou o mundo todo.
De 2022 para 2023, o Brasil avançou em dois dos quatro fatores analisados para o cálculo do IDH.
A expectativa de vida ao nascer saltou de 74,87 anos para 75,85.
Esse, aliás, é o maior número alcançado na série histórica e supera o pico conquistado em 2019, último ano antes da crise de saúde pública causada pelo coronavírus, quando a expectativa de vida estava em 75,81 anos.
Já a renda bruta per capita nacional subiu de US$ 17,5 mil para US$ 18 mil.
No entanto, os dois números relacionados à educação permaneceram inalterados de um ano para o outro: a expectativa de anos na escola ficou em 15,79, enquanto os anos de escolaridade seguiram em 8,43.
Aliás, os anos de escolaridade estão congelados em 8,43 no país por três anos consecutivos, desde 2021.
IA como tábua de salvação?
O relatório da PNUD recém-divulgado alerta para a “desaceleração sem precedentes” no desenvolvimento humano.
A expectativa era que o mundo passasse por uma fase de recuperação sólida após as perdas relacionadas à pandemia de covid-19, entre 2020 e 2021.
Mas os últimos resultados revelam um “progresso frágil”, com o menor crescimento no IDH desde o início dos anos 1990.
Os dados também revelam que as desigualdades entre países ricos e pobres continuam a aumentar, uma tendência que se consolidou nos últimos quatro anos.
“Por décadas, estivemos num caminho para alcançar um desenvolvimento humano no mundo muito alto a partir de 2030, mas a desaceleração recente sinaliza uma grande ameaça”, alertou Achim Steiner, um dos coordenadores do PNUD, em materiais divulgados junto com o relatório deste ano.
“Se em 2024 essa tendência continuar e se tornar o ‘novo normal’, a meta estabelecida para 2030 ficará inalcançável por décadas — e fará do mundo um lugar menos seguro, mais dividido e mais vulnerável aos choques econômicos e ecológicos”, complementou ele.
Mas o estudo da PNUD aponta um caminho para retomar um crescimento sólido nos indicadores do IDH: a inteligência artificial.
“No meio dessa turbulência global, precisamos urgentemente explorar novas maneiras de incentivar o desenvolvimento. Como a inteligência artificial continua a avançar rapidamente sobre muitos aspectivos de nossa vida, precisamos considerar o potencial que ela representa”, justifica Steiner.
“Novas possibilidades surgem praticamente todos os dias e, embora a IA não seja uma panaceia, as escolhas que fazemos hoje têm o potencial de reacender o desenvolvimento humano e abrir novos caminhos e possibilidades”, acredita ele.
Agência das Nações Unidas pede que aplicação da inteligência artificial seja centrada no ser humano
Getty Images via BBC
Um levantamento conduzido pela PNUD que foi incluída no relatório sobre o IDH aponta que metade das pessoas acreditam que seus empregos serão automatizados.
No entanto, 60% esperam que a IA traga um impacto positivo no mundo do trabalho, ao criar novas oportunidades e profissões que ainda não existem no mundo de hoje.
Mesmo em países com um IDH baixo ou médio, dois terços dos respondentes antecipam que essas novas tecnologias vão ter um impacto em setores como educação, saúde e trabalho já no próximo ano.
O relatório recém-publicado da PNUD propõe uma abordagem da IA “centrada no humano” por meio de ações como “criar uma economia em que as pessoas colaboram com as novas tecnologias, em vez de competir com elas” e “modernizar os sistemas de educação e saúde para suprir as demandas do século 21”.
“As escolhas que fizermos nos próximos anos vão definir o legado dessa transição tecnológica para o desenvolvimento humano”, acredita Pedro Conceição, um dos diretores do PNUD.
“Com as políticas corretas e o foco nas pessoas, a IA pode ser uma ponte crucial para novos conhecimentos, habilidades e ideias que empoderam todo mundo”, conclui ele.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

Published

on

By

Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

Continue Reading

Trending

Copyright © 2022 InfoDourados