Economia
‘Pensava que era de um príncipe’: aos seis anos, brasileira recebia cartas de cobrança após família sujar seu nome; hoje combate golpes em Wall Street
Sujaram meu nome: brasileiros passam infância com dívidas de milhões de reais
Aos 6 anos, Renata Furst Galvão recebia uma série de cartas de cobrança em seu nome, mas a idade não permitia que compreendesse o conteúdo. Hoje, a especialista antifraude conta que descobriu a verdade só aos 12 anos: um parente havia convencido sua mãe a autorizar o uso do nome da filha em duas empresas. As companhias faliram, e os débitos passaram a ser cobrados no CPF da criança.
“Muitas cartas chegavam na minha casa e tinham meu nome. Eu pensava que era um príncipe escrevendo pra mim”, relembra.
Mas os envelopes não traziam histórias encantadas: eram cobranças judiciais, com palavras que ela não compreendia: “banco, dívida, violação”.
“Eu não tinha nada no meu nome, herdei apenas uma coisa: dívida e nome sujo”, diz.
Casos como o de Renata não são isolados. No Brasil, o Código Civil permite que menores de idade sejam sócios de empresas, desde que representados por responsáveis legais. Na prática, muitos acabam sendo vítimas de fraude familiar e responsabilizados judicialmente mesmo sem nunca ter assinado nada.
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Dados da Serasa mostram que cerca de 250 mil menores de idade já tiveram o nome envolvido em registros de dívida nos últimos anos, número que especialistas atribuem a brechas na legislação e falta de controle documental.
Durante a infância, Renata via adultos baterem à porta de casa e era instruída pela mãe a se esconder.
Aos 18 anos, enfrentou bloqueios judiciais ao tentar abrir conta bancária.
Já adulta e formada, Renata construiu uma carreira internacional: viveu 11 anos na África do Sul e hoje é especialista antifraude em uma empresa de gestão de riscos em Wall Street, o coração financeiro de Nova York.
Mas nem a carreira protegeu da sombra do passado. Ao monitorar casos de irregularidades no trabalho, viu seu próprio nome aparecer em um site de bloqueios judiciais. “Fui afastada por dois dias até entenderem que se tratava de uma fraude antiga”, conta.
A especialista antifraude Renata Furst Galvão recebia cobranças em seu nome quando tinha apenas 6 anos
Montagem/g1
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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