Economia
Petróleo sobe mais de 4% com escalada de tensões entre Israel e Irã; bolsa dos EUA recua
Principal preocupação é se os ataques vão afetar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do consumo total de petróleo do mundo. Israel e Irã intensificam bombardeios no quarto dia de guerra
Os preços do petróleo subiram mais de 4% nesta terça-feira (17), em meio à escalada de tensões no conflito entre Israel e Irã. O quinto dia de guerra foi marcado por bombardeios nos dois países, o que elevou os temores de interrupção no fornecimento global da commodity.
▶️ O barril tipo Brent (referência global) subiu 4,52%, cotado a US$ 76,54.
▶️ O petróleo WTI (referência nos EUA) avançou 4,46%, negociado a US$ 74,97.
A principal preocupação é se o conflito afetará o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do consumo global de petróleo.
Essa importante hidrovia já vinha sendo considerada vulnerável devido à crescente instabilidade regional. Mas, até o momento, não foi afetada.
Embora não haja registro de interrupção no fornecimento, a notícia de uma colisão entre dois navios no Golfo de Omã nesta terça também causou um abalo temporário no mercado de petróleo, com reflexos nos preços.
Impactos na bolsa dos EUA
A intensificação da guerra também afetou o mercado de ações nos Estados Unidos. Investidores esperavam que o presidente Donald Trump avançasse em seus acordos tarifários durante as reuniões da cúpula do G7, no Canadá.
O republicano, no entanto, retornou a Washington um dia antes do fim da cúpula, à medida que o conflito entre Israel e Irã se intensificava.
“O mercado estava ansioso para ouvir atualizações sobre acordos comerciais vindos do G7, e a notícia da saída antecipada de Trump foi decepcionante, embora todos saibamos o motivo”, afirmou Eric Sterner, diretor de investimentos da Apollon Wealth Management, à agência Reuters.
“O mercado está atento ao conflito no Oriente Médio, mas sente que ele está restrito àqueles dois países”, disse. “Isso causa preocupação, especialmente se o Irã fizer algo no Estreito de Ormuz”, acrescentou, observando que cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo passa pelo local.
Veja o desempenho dos principais índices de ações dos EUA nesta terça:
Dow Jones caiu 0,70%, aos 42.215,80 pontos;
S&P 500 caiu 0,85%, aos 5.981,67 pontos;
Nasdaq caiu 0,91%, aos 19.521,09 pontos.
O que querem Israel e Irã
5º dia de conflito
O conflito entre Irã e Israel entrou no quinto dia nesta terça. Desde sexta-feira (13), as trocas de ataques deixaram 248 mortos nos dois países, segundo autoridades locais.
Ao deixar a cúpula do G7, no Canadá, Donald Trump firmou que o Irã rejeitou um acordo para conter o desenvolvimento de armas nucleares e voltou a dizer que o país não pode ter armamento atômico. Ele também declarou que Teerã precisava ser evacuada imediatamente, sem dar detalhes.
Segundo a imprensa americana, Trump deve se reunir nesta terça com o Conselho de Segurança Nacional para tratar do assunto.
Na madrugada desta terça, a imprensa iraniana informou que explosões foram registradas em Teerã. Bombardeios também foram reportados em Natanz, cidade onde ficam importantes instalações nucleares — a cerca de 320 km da capital.
Já em Israel, sirenes de alerta soaram após a meia-noite, pelo horário local. Em Tel Aviv, foram ouvidas explosões causadas por novos ataques do Irã, segundo autoridades israelenses.
O governo iraniano afirma que a ofensiva israelense provocou 224 mortes no país, a maioria civis. Do lado israelense, as autoridades declararam que bombardeios iranianos mataram 24 civis e afetaram mais de 3 mil pessoas, que precisaram deixar suas casas.
Os dois países mantêm o discurso de que continuarão atacando e retaliando um ao outro. Enquanto isso, fontes ouvidas pela agência Reuters afirmam que o Irã pediu a Omã, Catar e Arábia Saudita que pressionem os EUA a convencer Israel a aceitar um cessar-fogo imediato.
Consumo mundial de petróleo deve cair
A Agência Internacional de Energia (AIE) informou nesta terça-feira que o consumo mundial de petróleo deve registrar uma “leve baixa” em 2030, o primeiro sinal de declínio deste combustível fóssil desde 2020, início da pandemia de covid-19.
Em relatório, a agência estima que o consumo deverá diminuir ligeiramente em 2030, após atingir o pico no ano anterior, para cerca de 105,5 milhões de barris por dia.
Nos EUA, o maior consumidor mundial de petróleo, esse declínio deverá ocorrer em 2026, e na China, o segundo maior consumidor, em 2028, apontam as estimativas.
Embora, por enquanto, “o conflito entre Israel e o Irã chame a atenção para os riscos imediatos à segurança energética, a nova perspectiva de médio prazo da AIE prevê que a oferta mundial de petróleo crescerá muito mais rápido do que a demanda nos próximos anos”, observa o relatório.
Fumaça é vista em refinaria de petróleo após um ataque israelense na capital iraniana, Teerã, em 17 de junho de 2025.
Photo by Atta Kenare/AFP
* Com informações das agências de notícias Reuters e France-Presse.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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