Economia
Polinizadoras ‘profissionais’: entenda por que as abelhas impactam na produção agrícola e a importância de preservá-las
Nesta terça-feira (3) é celebrado do Dia Nacional das Abelhas. O g1 conversou com a pesquisadora Denise Alves do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq, o campus da USP em Piracicaba (SP). Espécie de abelha ‘Epicharis’ do maracujá doce
Cristiano Menezes/Reprodução Fototeca/Arquivo pessoal
As abelhas, por serem os principais agentes polinizadores, impactam diretamente a quantidade e a qualidade da produção agrícola. Segundo pesquisadores, elas são conhecidas como ‘polinizadoras profissionais’ porque são adaptadas exatamente para esse objetivo.
A espécie faz o elo entre produção agrícola e conservação ambiental. “As abelhas estão na interface da biodiversidade e da agricultura”, conforme conforme explica a bióloga pesquisadora, doutora em ecologia, Denise A. Alves, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).
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A existência de culturas agrícolas como a do cacau, laranja, melancia, maracujá, girassol, e café, por exemplo, dependem em algum grau das abelhas, enfatiza a especialista.
Dia Nacional das Abelhas
Nesta terça-feira (3) é celebrado o Dia Nacional da Abelha. O g1 Piracicaba e região conversou com pesquisadores sobre a importância da espécie, por serem os principais agentes polinizadores, na produção de alimentos e quais riscos afetam a preservação desses insetos.
Em alguns casos, o aumento no rendimento da produção agrícola varia entre 28%, a exemplo do café, a 40% com a existência de abelhas no ecossistema. 👇Veja, exemplos, na reportagem.
A pesquisadora explica que polinização nada mais é do que a transferência de pólen da estrutura masculina da flor para a estrutura feminina de outra flor ou da mesma.
“A polinização mediada pelas abelhas é extrema importância para diversas culturas agrícolas. No mundo, estima-se que 80% de importantes culturas agrícolas são polinizadas pelas abelhas. Entre elas, estão os alimentos, os medicamentos, plantas que são usadas como chás, produtos dessas plantas são usados como medicamento em si, e até biocombustível, a exemplo da canola, a mamona. Sem falar das fibras, como algodão, e de materiais de construção, como por exemplo, a madeira”, ressalta Denise.
A produção do maracujá, especialmente, depende 100% das abelhas. “Sem abelha, não tem maracujá. Na produção do café, a inexistência de abelhas podem significar uma redução de 28%. A dependência de polinizadores é variável, mas também inegável a importantes culturas agrícolas no Brasil”, analisa.
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Craig Chaddock/iNaturalist
🐝Qualidade aos alimentos e lucro aos produtores
Quando se fala de polinizadores, se fala das abelhas, enfatiza a pesquisadora.
A bióloga explica que, além de aumentar a produção agrícola, em termos de quantidade, a polinização bem realizada por essas abelhas resulta também em frutos com maior valor estético, com frutos maiores e mais vistosos, com coloração mais robusta, com mais micronutrientes, vitaminas, minerais e mais durabilidade na prateleira.
“Isso confere também maior lucro para os produtores. Quando as abelhas estão presentes nos sistemas agrícolas, o produtor tem uma maior quantidade de muitas de suas culturas e também maior valor agregado em relação a aspectos nutricionais e estéticos, de prateleira”, afirma.
Espécie ‘Centris’ fêmea fechando o ninho
Cristiano Menezes/Fototeca/Arquivo pessoal
No mundo, segundo Denise, o serviço de polinização foi estimado em 390 bilhões de dólares por ano. No Brasil, é de 12 bilhões de dólares por ano. “Então, 30% do nosso rendimento agrícola, da nossa receita agrícola, vêm das atividades das abelhas nas culturas”, analisa.
“Das 140 culturas que dependem de polinizadores, analisadas em estudo, 85 delas dependem das abelhas. Essa atividade de polinização contribui com 40% do rendimento agrícola”, exemplifica.
Outra estimativa mais recente, de 2019, apontada pela pesquisadora, em que se considerou apenas os alimentos, a retenção foi ainda mais significativa. Na casa dos R$ 43 bilhões por ano isso.
“Considerando que 30% da nossa receita agrícola vêm da atividade de polinizadores, é importante pensarmos em como o produtor lida com essa questão no planejamento de suas práticas nas áreas agrícolas”, observa. “Ter abelhas também significa ter uma paisagem ou práticas agrícolas ligadas a esses polinizadores”, conclui.
Os produtores precisam considerar a importância de suas práticas. “Buscar as menos agressivas, ou não agressivas, de menos manipulação no ambiente em relação a deixar recursos no entorno ou mesmo dentro das suas propriedades”, alerta.
“Quando temos fragmentos florestais perto ou dentro das propriedades agrícolas, temos comida para esses polinizadores ou local eles morarem”, acrescenta.
🐝Risco à existência das abelhas
Em relação aos riscos à existência das abelhas, a pesquisadora aponta que as ameaças aos polinizadores são diversas e listou algumas como:
desmatamento
mudanças climáticas
uso indiscriminado de agrotóxicos, inseticidas, herbicidas e fungicidas
diminuição da quantidade de ninhos
existência de monoculturas
presença de parasitas e doenças que afetam o sistema imunológico das abelhas
Consequências
Como consequência da diminuição das populações das abelhas, alerta Denise, são previstas baixas a toda cadeia produtiva e também de consumo, pelo encarecimento do alimentos e produtos ao consumidor nas prateleiras, em resultado de um recuo na produção, ao próprio setor de criação de abelha e também à indústria.
“E, concomitantemente, haverá também a redução dos lucros para os produtores. Esse é o impacto direto, mas também tem um indireto, por exemplo, no alimento processado. É toda uma cadeia produtiva que vai ser afetada”, analisa.
Além disso, o declínio de polinizadores, pensando em abelhas manejadas, impacta as economias rurais. “Por exemplo, a própria criação das abelhas, para a apicultura e meliponicultora no Brasil e de seus produtos, com impacto financeiro à venda do mel, da própolis e da cera”, finaliza.
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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