Economia
Professor universitário, ministro do ‘milagre econômico’ e conselheiro de presidentes: os feitos de Delfim Netto
Economista morreu nesta segunda-feira (12), aos 96 anos. Delfim Netto
Felipe Rau/Estadão Conteúdo
Antônio Delfim Netto, economista com grande presença na Economia brasileira, morreu nesta segunda-feira (12), em São Paulo, aos 96 anos, após passar uma semana internado por complicações no quadro de saúde.
Nascido em São Paulo em 1° de maio de 1928, Delfim foi um economista e professor universitário, mas se destacou, principalmente, por sua vida pública, onde começou em 1966, como Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.
Já no ano seguinte, em 1967, ele foi nomeado ministro da Fazenda, cargo em que permaneceu até 1974, como o mais longevo na função.
O economista esteve à frente da Economia brasileira no período da Ditadura Militar conhecido como “Milagre Econômico”, durante os governos de Artur da Costa e Silva e Emílio Médici.
Naquele período, a equipe econômica liderada por Delfim priorizava uma busca pelo crescimento econômico baseado no “aumento de investimentos em setores diversificados; uma diminuição do papel do setor público e o estímulo a um maior crescimento do setor privado; incentivos à expansão do comércio exterior e, finalmente, uma elevada prioridade para o aumento da oferta de emprego e outros objetivos sociais”, destaca o Atlas Histórico do Brasil da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A taxa média de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país entre 1967 e 1973 foi de cerca de 10% – alcançando cerca de 13% entre 1971 e 1973 – com as indústrias de bens de consumo duráveis, bens de produção, construção civil e bens intermediários como os setores que mais sucesso tiveram.
Delfim Netto foi figura central na vida política e econômica do Brasil nas últimas décadas
Também nesse período, o governo da ditadura fazia uma forte propagando sobre os chamados “projetos de impacto”, que foram desenvolvidos na época, como o Plano de Integração Nacional de 1970, que construiu a rodovia Transamazônica e o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural, de 1971.
Os investimentos feitos na época, no entanto, resultaram em um aumento significativo do endividamento brasileiro, que virou um dos principais problemas para as gestões posteriores. A dívida externa bruta do país de médio e longo prazo passou de US$ 3,666 bilhões em 1966 para US$ 12,572 bilhões em 1973.
O “milagre econômico” aconteceu no momento em que o país vivia a pior fase de sua ditadura. Em 1968, o governo militar decretou o Ato Institucional número 5 (AI-5), do qual Delfim foi um dos signatários.
Vida pública após o Ministério da Fazenda
Delfim Netto permaneceu na vida pública mesmo depois de sua saída do Ministério da Fazenda.
De 1975 a 1978 foi embaixador do Brasil na França. Após sua volta ao país, em 1978, foi ministro, também, da Agricultura e, depois, do Planejamento, até 1985.
Dois anos depois de deixar o cargo no Ministério do Planejamento, em 1987, foi eleito Deputado Federal pela primeira vez. Ele também foi eleito e assumiu outros mandatos em 1991, 1995, 1999 e 2003 – permanecendo no cargo até 2007.
Delfim também foi conselheiro econômico de diversos presidentes, inclusive de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ocupa a Presidência da República em seu terceiro mandato.
Vida acadêmica
Formou-se em 1951 como bacharel em Economia pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade de São Paulo (USP) e, já no ano seguinte, começou a lecionar como professor assistente na mesma instituição.
Ele continuou estudando e avançando na carreira acadêmica, primeiro com a tese “O Problema do Café no Brasil”, que o fez conquistar o título de Professor Livre-Docente, em 1959, e depois com a tese “Alguns Problemas do Planejamento para o Desenvolvimento Econômico”, em 1963, quando se tornou Professor Catedrático de Teoria do Desenvolvimento Econômico.
Dessa forma, segundo a USP, Delfim Netto foi o primeiro ex-aluno da faculdade e o primeiro economista formado após a regulamentação da profissão no Brasil a ocupar uma posição Catedrática na instituição.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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