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Economia

Putin diz que sanções dos EUA contra a Rússia são ‘ato hostil’

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Vladimir Putin
Sputnik/Mikhail Tereshchenko/Pool via REUTERS
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, comentou, nesta quinta-feira (23), as novas sanções impostas pelos Estados Unidos a seu país e as classificou como um “ato hostil”.
Em uma coletiva de imprensa dada à mídia em Moscou, o russo afirmou que a decisão do governo de Donald Trump é uma “tentativa de pressionar a Rússia”, mas que “nenhum país que se respeite faz algo sob pressão” e que elas não “afetarão a economia russa”.
As sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atinge as petrolíferas russas Lukoil e Rosneft, as maiores do país. Em nota, o Tesouro dos EUA alertou também para o risco de “sanções secundárias”.
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Putin fala que, mesmo com algumas perdas financeiras sendo esperadas por causa da medida, o setor energético russo está confiante.
“Rússia e Arábia Saudita vendem mais petróleo do que consomem, ao contrário dos EUA. A contribuição da Rússia para o balanço energético global é muito significativa e substituir o petróleo russo no mercado levará tempo. Uma queda forte nessa oferta levará a aumento de preços”, acredita o russo.
Apesar das declarações, Putin colocou panos quentes ao falar de sua relação com Trump e os EUA, ao contrário de seu conselheiro, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev, que mais cedo declarou que o governo americano entrou de vez no caminho da guerra”.
Governo russo diz que EUA são inimigos e ‘entraram de vez no caminho da guerra’
O presidente russo disse que quer continuar o diálogo e que ele é “sempre melhor que a guerra”. Também ressaltou que os dois países têm muitas áreas de cooperação e que a cúpula que estava marcada entre ele e o presidente americano em Budapeste, “provavelmente” foi apenas “adiada”.
Sobre ataques que vêm ocorrendo no interior do país, ele garantiu:
“A resposta russa será muito séria e avassaladora”.
‘Caminho da guerra
O ex-presidente russo Dmitry Medvedev, aliado de Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira (23) que os Estados Unidos são inimigos da Rússia e que o governo de Donald Trump “entrou de vez no caminho da guerra” contra o país.
“O cancelamento da cúpula em Budapeste por Trump. Novas sanções contra o nosso país por parte dos EUA. O que mais? Haverá novas armas, além dos infames [mísseis] ‘Tomahawks’? (…) Os EUA são nosso inimigo, e o seu falastrão ‘pacificador’ [Trump] agora entrou de vez no caminho da guerra contra a Rússia. (…) As decisões tomadas são um ato de guerra contra a Rússia. E agora Trump se solidarizou completamente com a insana Europa”, afirmou Medvedev.
As novas ameaças de Medvedev, que também é vice-presidente do Conselho de Segurança russo, ocorrem após sanções econômicas do Tesouro americano contra as duas maiores empresas petrolíferas da Rússia, a Lukoil e a Rosneft, por conta “da recusa do presidente Putin em encerrar essa guerra sem sentido”, segundo o governo americano. (Leia mais abaixo)
As sanções econômicas foram adotadas após o cancelamento de um novo encontro entre Trump e Putin para discutir o fim da guerra da Ucrânia, que completará quatro anos em fevereiro, e podem conotar certa frustração do presidente dos EUA com a dificuldade de negociar com o líder russo.
Também na quarta-feira, a Rússia realizou um grande exercício militar com uso de armas nucleares. Segundo o governo russo, foram lançados mísseis balísticos com capacidade de carregar ogivas nucleares a partir de bases terrestres, submarinos e aeronaves. Alguns dos mísseis utilizados têm alcance para atingir os EUA.
Dmitry Medvedev dá entrevista coletiva durante visita oficial a Le Havre, oeste da França, em 24 de junho de 2019
Loïc Venance/AFP
Em julho, Medvedev havia dito que “cada novo ultimato de Trump é mais um passo em direção à guerra” contra os EUA após o republicano ter dado um prazo “de 10 a 12 dias” para a Rússia aceitar um cessar-fogo no conflito, sob ameaças de aplicar tarifas de 100% sobre o país. No final das contas, a trégua não foi aceita e as tarifas, aplicadas.
Dias depois, Medvedev também ameaçou os EUA com a “Mão Morta”, um sistema automático de disparo de mísseis nucleares desenvolvido na era soviética e considerada uma “arma apocalíptica”.
Sanções econômicas
Trump condiciona sanções à Rússia a fim de compra de petróleo pela Otan
As sanções econômicas impostas pelo governo dos EUA à Rússia na quarta-feira (22) atingiram as petrolíferas russas Lukoil e Rosneft — as maiores do país. A medida inclui o bloqueio de bens e a proibição de transações das empresas e de suas subsidiárias, segundo nota divulgada pelo Tesouro dos EUA.
Esta foi a primeira rodada de sanções aplicada à Rússia devido à guerra contra a Ucrânia no segundo mandato de Donald Trump.
O texto afirma que “todos os bens e interesses em bens” relacionados às duas empresas e que estejam nos EUA ou sob posse ou controle de pessoas em território norte-americano “estão bloqueados e devem ser comunicados à OFAC [Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA]”.
“Diante da recusa do presidente Putin em encerrar essa guerra sem sentido, o Tesouro está sancionando as duas maiores empresas de petróleo da Rússia, que financiam a máquina de guerra do Kremlin”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent. “Incentivamos nossos aliados a se unir a nós e a aderir a essas sanções.”
As sanções marcam uma mudança significativa na política de Trump, que até então não havia imposto restrições à Rússia por causa da guerra, optando por se basear em medidas comerciais. No início deste ano, ele aplicou tarifas adicionais de 25% sobre produtos da Índia em retaliação à compra de petróleo russo com desconto.
A União Europeia (UE) aprovou também na quarta-feira o 19° pacote de sanções contra Moscou, que incluíram a proibição de importações de gás natural liquefeito russo. Na semana passada, o Reino Unido já havia sancionado as petrolíferas Lukoil e Rosneft.
Reunião Trump-Putin frustrada
Foto de 15 de agosto de 2025 – Putin e Trump durante cúpula no Alasca
REUTERS/Kevin Lamarque
Trump busca terminar rapidamente a guerra na Ucrânia, mas enfrenta diversas dificuldades por conta da complexidade do conflito e das negociações.
Após meses de diplomacia estagnada, ele conversou na semana passada com o presidente Putin e anunciou planos para uma reunião em Budapeste, na Hungria, que ocorreria nas próximas semanas.
No entanto, após uma ligação telefônica na segunda-feira (20) entre os chefes da diplomacia dos dois países, a Casa Branca informou que Trump não tem planos de se reunir com Putin “no futuro imediato”.
O presidente americano disse que não quer “ter uma reunião desperdiçada”, algo que, segundo o Kremlin, Putin também busca evitar. Autoridades russas afirmaram, no entanto, que os preparativos para o encontro continuam.
“As datas ainda não foram definidas, mas é necessária uma preparação completa antes disso, e isso leva tempo”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Uma autoridade dos EUA declarou que a reunião não foi cancelada, mas que Washington está focado, por enquanto, na próxima viagem de Trump à Ásia.
O impasse ocorre depois que a Rússia reiterou aos EUA seus termos para um possível acordo de paz, incluindo a exigência de que a Ucrânia ceda o controle total da região de Donbas, disseram três fontes à Reuters.
A posição contrasta com a proposta de Trump, feita na semana passada, de que as negociações deveriam se basear nas linhas de frente atuais.
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, disse à agência estatal RIA que não poderia confirmar se Moscou havia transmitido sua posição, como relatado pela Reuters.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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