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Política

Quem está por trás de campanha por voto jovem postada por Leo DiCaprio e que irritou Bolsonaro?

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Fãs de K-pop, coletivos de meninas e organizações sociais viralizaram campanhas com linguagem jovem e levaram a um recorde de engajamento com mais de dois milhões de adolescentes brasileiros alistados para votar em 2022. Leonardo DiCaprio e Bolsonaro
Reuters/João Gabriel Rodrigues/Fatopress/Estadão Conteúdo
Três meses atrás, a história traçada para as eleições de 2022 seria a do pleito com menor participação dos jovens entre 16 e 18 anos desde o retorno à democracia brasileira. Em fevereiro deste ano, apenas 830 mil jovens tinham tirado seu título de eleitor – o equivalente a 13,6% da atual população brasileira nesta faixa etária. Para jovens de 16 e 17 anos, o voto não é obrigatório.
No entanto, depois de uma mobilização que levou ao engajamento até de dois astros hollywoodianos, Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo, e que irritou o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL), a tendência foi revertida em cerca de 90 dias.
Nesta quinta-feira (5/5), um dia após o fim do prazo para o alistamento eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou que, no total, 2,04 milhões de novos eleitores nessa faixa de idade se registraram para votar em 2022. Esse número, ainda parcial, já é 47,2% maior do que a adesão registrada em 2018 e 57,4% superior ao número de 2014.
“É com orgulho e satisfação que anuncio o resultado parcial de todo esse esforço, que superou todos os recordes já registrados pela Justiça Eleitoral brasileira em 90 anos. Vimos, como há muito não se via, um país unido pelo bem, pela concórdia, pelo fortalecimento da democracia. Agradeço a cada um e a cada uma, influenciador ou não, famoso ou não, jovens de todas as idades que participaram e criaram conteúdos nas redes sociais para chamar a atenção de todos”, afirmou o presidente do TSE, ministro Edson Fachin.
As postagens de DiCaprio e de outras celebridades, com seus milhões em impressões e engajamento, reuniram material de gente anônima e que se declara apartidária, que trabalhou silenciosamente por meses, em busca de conteúdo capaz de viralizar. Entenda:
Disputa Leo DiCaprio e Bolsonaro ganha novo ‘round’
Leonardo DiCaprio no tapete vermelho do Oscar 2020
Jordan Strauss/Invision/AP
Os últimos lances dessa história chamaram a atenção porque levaram ao confronto virtual de dois já velhos antagonistas. Em 28 de abril – uma semana antes do fim do prazo de registro eleitoral -, o ator e ambientalista americano Leonardo DiCaprio foi ao Twitter e postou, em inglês, aos seus 19,6 milhões de seguidores:
“O Brasil abriga a Amazônia e outros ecossistemas críticos para as mudanças climáticas.
O que acontece lá é importante para todos nós e o voto dos jovens é fundamental para impulsionar a mudança em direção a um planeta saudável”. A mensagem terminava com o site da campanha “Olha o barulhinho”, relembrava o prazo de 4 de maio e promovia a hashtag #tiraotitulohoje.
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A postagem teve quase 50 mil likes. Pouco mais de 24 horas depois, a mensagem de DiCaprio foi repostada por Bolsonaro, que tem quase 8 milhões de seguidores, com uma resposta irônica do presidente brasileiro (também em inglês):
“Obrigado pelo apoio, Léo! É muito importante ter todos os brasileiros votando nas próximas eleições. Nosso povo decidirá se quer manter nossa soberania na Amazônia ou ser governado por bandidos que servem a interesses estrangeiros. Bom trabalho em O Regresso!”, escreveu o candidato à reeleição, mencionando o filme de 2015 e angariando mais de 92 mil likes.
Na sequência, Bolsonaro acusou DiCaprio de usar uma foto de 2003 para se referir à crise das queimadas na Amazônia em 2019. “Tem gente que quer prender brasileiros que cometem esse tipo de erro aqui em nosso país. Mas sou contra essa ideia tirânica”, afirmou Bolsonaro, em referência às ações judiciais contra fake news de que seus apoiadores têm sido alvo. “Então eu te perdoo. Abraços do Brasil!”, finalizou Bolsonaro.
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A desavença entre DiCaprio e Bolsonaro não é nova. Em 2019, o ator doou cerca de US$ 5 milhões para a conservação da Amazônia e se tornou crítico aberto do atual governo brasileiro conforme os índices de desmatamento do bioma foram aumentando. O americano se posicionou abertamente contra a assinatura de acordos comerciais entre o governo de seu país e o Brasil dadas as políticas ambientais adotadas por Bolsonaro. Em resposta, o presidente do Brasil chegou a acusar DiCaprio de dar dinheiro para “tacar fogo na Amazônia”.
Quer seja pela resposta provocativa do presidente, quer seja pelo seu próprio interesse no assunto, DiCaprio postou mais cinco vezes sobre as eleições brasileiras e o voto jovem nos sete dias seguintes. A maioria delas em português.
Uma de suas postagens, mencionando uma conversa com a cantora brasileira Anitta durante o MetGala, ultrapassou 116 mil likes.
Anitta, que também se engajou nas campanhas pelo voto dos adolescentes, tem quase 17 milhões de seguidores e recentemente bloqueou Bolsonaro de seu perfil, para evitar que ele obtivesse projeção por meio de interações online com ela.
A musa do pop brasileiro tem se mostrado crítica ao presidente. Ela criou suspense em sua conta para dizer que tinha conversado “por horas” com Leonardo DiCaprio “sobre a importância dos jovens tirarem seu título de eleitor”. “Vocês sabiam que ele (DiCaprio) sabe mais sobre a importância da nossa floresta Amazônica do que o presidente do Brasil? Pois sabe”, disparou Anitta e amealhou 147 mil likes.
Bolsonaro usou um print da postagem de Anitta para responder (e recolher quase 113 mil likes): “Fico feliz que tenha falado com um ator de Hollywood, @Anitta, é o sonho de todo adolescente. Eu converso com milhares de brasileiros todos os dias. Não são famosos, mas são a bússola para nossas decisões, pois ninguém defende e sabe mais sobre o Brasil do que seu próprio povo”.
Os autores por trás do viral
As postagens de DiCaprio, Anitta e Bolsonaro, com seus milhões em impressões e engajamento, reuniram material de gente anônima, que trabalhou silenciosamente por meses, para fazer o conteúdo viralizar, muito longe dos ambientes em que esses três personagens costumam circular.
“Acho muito curioso uma reação dessas de um presidente que foi eleito democraticamente”, comentou a advogada Mariana Faciroli, de 30 anos, do interior de São Paulo.
Projeção do Army Help the Planet em São Paulo
Divulgação/Army Help The Planet
Faciroli faz parte de um grupo de 53 mulheres, entre 17 e 45 anos, unidas pelo apreço à banda de K-pop BTS e pela verve para o ativismo socioambiental. Em 2019, elas fizeram viralizar uma hashtag sobre as queimadas na Amazônia que recebeu endosso de DiCaprio. Agora, o grupo, batizado de Army Help the Planet, capitaneou a campanha “Tira o Título Army”.
“Fãs de K-pop são uma força poderosa! Eles esvaziaram comícios de (Donald) Trump e combateram trolls nas eleições do Chile. Fãs de K-pop sabem que a juventude pode votar para construir um futuro melhor. Eles estão instigando jovens brasileiros de 16 e 17 anos a se registrarem para votar! Estou com eles”, postou o ator americano Mark Ruffalo, intérprete do super-herói Hulk no filme “Vingadores”, fazendo circular a campanha entre seus 8 milhões de seguidores no Twitter.
Questionada sobre se entraram em contato diretamente com Di Caprio ou Ruffalo para pedir apoio à causa, Faciroli se mostrou espantada. Disse que não tem nenhum contato com os famosos estrangeiros e atribui os apoios aos milhões de fãs da banda de K-pop. O trabalho de Faciroli já foi mais longe do que ela própria. Em julho, a advogada fará sua primeira viagem internacional: apresentará os resultados cívicos de seu grupo numa conferência na capital coreana Seul. Um dos conferencistas no evento, o best seller brasileiro Paulo Coelho, já endossou o trabalho do Army nas redes.
Segundo Faciroli, como parte significativa dos fãs de k-pop são jovens e muito ativos nas redes sociais, ela e seu grupo identificaram, ainda no ano passado, “um momento muito delicado para o jovem na política, como se política não se discutisse’. Até a democracia começou a entrar em xeque”.
A mobilização do grupo incluiu não só um tutorial amigável para o público sobre como tirar o título (que teve mais de 100 mil impressões online), mas a distribuição, em cinemas, de réplicas de títulos de eleitor “fofos”, com os dados de integrantes da banda BTS e um QR code para a campanha, e projeções gigantes, em edifícios de sete capitais brasileiras, sobre a importância da emissão do título pelo jovem.
Segundo Faciroli, o grupo atua de modo 100% voluntário e sequer aceita doações. “Fazemos parcerias e, quando tem algum custo, a gente rateia entre as 53 voluntárias”. A advogada diz ainda que o movimento é apartidário. “Não temos a intenção de manifestar apoio ou repulsa a nenhum candidato ou representante eleito, até porque queremos ter condições de bater de frente com quem quer que seja quando discordamos da política socio-ambiental”, diz Faciroli, que conta ter tomado alguns “hates” nas redes (mensagens agressivas de desconhecidos), “sinal de que estou famosa no Twitter”, ri.
“A gente usa tanto a expressão festa da democracia, mas o que há de festa? A polarização espanta os jovens, dá neles o medo de onde estão indo se meter, medo de ser julgado, de brigar em casa. A gente quer é colocar a festa nesta história”, diz Letícia Bahia, diretora executiva da Girl Up Brasil, o braço nacional de uma organização criada nos EUA em 2010 para oferecer subsídios pra elaboração de políticas públicas para adolescentes à Organização das Nações Unidas.
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No Brasil, a Girl Up conta com mais de 170 clubes de jovens, entre 13 e 22 anos, que discutem temas considerados centrais para esse público. Recentemente, a rede se engajou, por exemplo, em dezenas de projetos de lei para combater a pobreza menstrual.
Atuando no Brasil desde 2019, a organização já tinha feito uma mobilização pelo voto jovem em 2020, com resultados muito menores.
“Esse ano, a questão do voto jovem ganhou uma conotação muito eleitoral pela tendência do eleitor dessa faixa etária de ter um voto mais progressista”, afirma Bahia, que ressalta que o grupo é apartidário.
Diferentes sondagens eleitorais têm mostrado dianteira do candidato do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ante a Bolsonaro, entre o estrato mais jovem do eleitorado. A vantagem, no entanto, não é uniforme neste grupo. Segundo notou o cientista político Jairo Nicolau, a partir de dados de abril de 2022 da pesquisa Genial/Quaest, enquanto Lula aparece com o dobro das intenções de voto entre mulheres de 16 a 29 anos, na mesma faixa etária entre homens, é Bolsonaro quem tem a liderança (40% a 36%).
A Girl Up Brasil criou a campanha “Seu voto importa”, compartilhada por DiCaprio e pela atriz brasileira Larissa Manoela, que vestiu um cropped com a hashtag #seuvotoimporta e postou foto em sua conta de Instagram para mais de 45 milhões de seguidores. “A ideia era levar a questão do voto não apenas para os espaços onde os jovens estão, mas para onde eles estão se divertindo”, diz Bahia, que vibrou com a “fofoca” entre Anitta e DiCaprio sobre o engajamento jovem na eleição do Brasil.
Larissa Manoela com camiseta da “Seu voto importa”
Instagram/LarissaManoela
A Girl Up não abre as informações sobre financiadores e custos da campanha. O mesmo foi dito à BBC News Brasil pelos criadores de outra das campanhas virais, a “Olha o Barulhinho”, da agência de comunicação online com foco social Quid. Nos dois casos, no entanto, os responsáveis afirmam que não aceitam qualquer doação ou vinculação com partidos políticos.
Já a “Cada voto conta”, criada pela ONG Nossas é financiada por organizações como a Open Society Foundations, do bilionário George Soros, a Oak Foundation, a Unicef, a Skoll Foundation, entre outras. A Nossas não aceita doação de governos ou partidos e não tem vinculação com legendas.
Ainda que seja difícil estimar quanto essas organizações gastaram para promover o voto jovem no Brasil, um cálculo da organização americana Vote.org, dedicada a levar os eleitores dos EUA às urnas, já que ali o voto não é obrigatório), estima que o custo de convencer alguém a se registrar para votar esteja em torno de US$3. Se juntas, as campanhas estimularam mais de um milhão de jovens, não é exagerado dizer que se tratou de um esforço milionário.
Rumo aos 2 milhões
Brasil ganha 2 milhões de novos eleitores de 16 a 18 anos
No caso da campanha da Nossas, o trabalho também desembarcou do mundo online: a ideia foi criar um jogo para premiar os 3 jovens que mais convencessem amigos a tirar seus títulos (o resultado ainda não saiu, mas as líderes na corrida até agora contabilizam entre 200 e 300 títulos acumulados). A organização estima que tenha engajado ao menos 5 mil jovens diretamente.
Segundo Daniela Orofino, uma das diretoras-executivas da Nossas, essas quatro campanhas – e algumas outras – atuaram de modo independente mas com uma certa coordenação para amplificar seus efeitos. E com uma mesma meta: bater os 2 milhões de novos títulos de jovens em 2022 (o que foi alcançado, segundo o TSE).
“No começo desse ano, a gente percebeu que tinha muitas organizações, com quem já havíamos trabalhado em outras causas, com a mesma preocupação que a gente, a questão do voto jovem, e resolveu se articular. Foram mais de 30 organizações envolvidas e várias campanhas surgiram nesse contexto. E a gente atuou junto como pode”, afirma Orofino. Uma das atividades conjuntas foi a criação de um dia nacional do título, com banquinhas para tirar o voto na hora, em escolas de todos os 27 Estados do país. Houve também um tuitaço coletiva com a hashtag #tiraotitulohoje.
“Teve muitas celebridades que entraram na onda, e a gente acha isso muito positivo porque eles falam com muitos públicos. Mas a gente não sabe te dizer como chegou no Leonardo di Caprio, no Mark Ruffalo, na Anitta. O negócio tomou uma proporção tão grande, chegou em tanta gente”, diz Orofino.
O engajamento das campanhas, com atores e financiadores internacionais, gerou desconforto no Palácio do Planalto. Também via Twitter, o assessor especial para relações internacionais do presidente Bolsonaro, Filipe Martins, afirmou que “A (revista) Time (que publicou capa com Lula esta semana) e Leonardo DiCaprio não são os únicos se intrometendo na política doméstica brasileira. Há gente muito mais perigosa do que o ator e seus colegas hollywoodianos envolvida nessa tentativa de manipular os brasileiros e afetar o desfecho da disputa eleitoral deste ano. Uma dessas pessoas é George Soros”.
Todas as envolvidas em campanhas entrevistadas pela BBC News Brasil negam que a intenção das campanhas tenha sido beneficiar ou prejudicar um ou outro candidato.
“É uma campanha em defesa à democracia e da participação dos jovens. No começo do ano, a narrativa era ‘o jovem não se importa com a política, o jovem não se importa com eleições’, e agora a narrativa é ‘o jovem reagiu, deu a volta por cima e vai fazer história na eleição de 2022′”, diz Orofino.
Além das campanhas apartidárias, movimentos de defesores e críticos de Bolsonaro também buscaram estimular participação dos jovens nas eleições nos últimos meses.

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Política

Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda

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A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.

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Política

Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja

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Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).

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Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado

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Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP

O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).

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