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Recuo de Trump sobre tarifaço foi estratégia planejada desde o início, dizem auxiliares: ‘Vocês não entenderam a Arte da Negociação’

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Em best-seller dos anos 1980, o presidente dos EUA já descrevia algumas de suas técnicas para conseguir acordos comerciais vantajosos. Setorista da Casa Branca diz que Casa Branca “capitulou” diante do risco à economia americana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 7 de abril de 2025
REUTERS/Kevin Mohatt
O recuo de Donald Trump, ao desistir de aplicar o tarifaço a todos os países, exceto a China, foi algo planejado desde o início, disseram auxiliares do presidente nesta quarta-feira (9).
“Alguns de vocês claramente não entenderam ‘A Arte da Negociação”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ao apresentar uma coletiva de imprensa com o secretário de Comércio de Trump, Scott Bessent, que respondeu a perguntas sobre o recuo.
A referência de Leavitt é a um livro creditado a Donald Trump nos anos 1980, que ajudaria a explicar as técnicas usadas por Trump para fazer negócios.
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A porta-voz e Bessent comentavam a decisão, anunciada pouco antes por Trump, de diminuir para 10% as tarifas para diversos países, uma semana após o anúncio da “tarifação recíproca” de produtos estrangeiros — exceto para a China, que recebeu uma taxação total de 125%, supostamente, por retaliar as medidas de Trump.
Bessent, afirmou que a “estratégia” de Donald Trump teve o resultado planejado.
“Essa foi a estratégia dele desde o início, e pode-se até dizer que ele colocou a China em uma posição difícil”, declarou Bessent a repórteres. “A China é a economia mais desequilibrada da história do mundo moderno e é a maior fonte dos problemas comerciais dos Estados Unidos”, acrescentou.
O megainvestidor Bill Ackman afirmou, logo depois do recuo: “Isso foi executado brilhantemente por Donald Trump. Um exemplo clássico da ‘Arte da Negociação'”.
O perfil da Casa Branca na rede social X também se esforçou para atribuir o recuo de Trump a algo estratégico.
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Mas o próprio Trump, em entrevista no Salão Oval da Casa Branca, deu uma versão que colide com a do planejamento prévio: ele disse que pensou nos últimos dias em suspender o tarifaço e tomou a decisão na manhã de quarta.
Correspondente da Fox Business na Casa Branca, Charlie Gasparino disse na quarta que o governo Trump que decidiu “capitular” de última hora, em razão da venda recorde de títulos americanos na terça, um sinal de abalo na confiança da economia do país.
As taxações foram vistas como economistas por arriscadas podem implicar em danos à economia a longo prazo, como o afastamento progressivo de países aliados de Washington, vendo os EUA como uma nação pouco confiável e sujeita às oscilações de um presidente inconstante.
Na terça (8), ao menos três pesquisas de opinião mostraram uma piora na aprovação da gestão de Trump. Economistas também apontam para um risco maior de recessão com a política tarifária do republicano, especialmente caso a guerra comercial contra a China não mostre sinais de arrefecimento.
Arte da Negociação
“A Arte da Negociação”, de 1987, foi escrita pelo jornalista Tony Schwartz e também creditada a Trump, e é uma mistura de autobiografia com aconselhamento nos negócios. A obra se tornou um sucesso instantâneo nos EUA, ajudando a consolidar o nome de Trump como uma personalidade da mídia e permanecendo semanas como número 1 na lista de best-sellers do “New York Times”.
Críticos apontam diversas imprecisões no livro, como a tendência de Trump de amplificar seus sucessos e esconder seus fracassos. Antes mesmo da publicação, o empresário já havia colecionado algumas experiências negativas, como a dissolução de uma liga de futebol americano paralela à NFL que se mostrava promissora no início dos anos 1980.
Poucos anos depois da publicação, descobriu-se que as finanças do futuro presidente viviam um mal momento, com o empresário sustentando suas empresas com empréstimos lastreados em garantias do patrimônio de seu pai.
Trump eleva para 125% tarifas contra China
O que diz o livro
Analistas apontam que, entre as lições ensinadas no livro, é possível enxergar como Trump pensa e toma decisões como presidente dos EUA.
Conheça algumas delas e como elas podem se relacionar com a imposição e retirada das tarifas:
Pense grande
Trump acredita em mirar alto e insistir persistentemente para atingir seus objetivos. Daí venha, talvez, a ideia de implementar tarifas altíssimas e que potencialmente inviabilizam negócios, como os 125% atualmente aplicados à China, além de valores exorbitantes até para aliados históricos, como os 20% para a União Europeia.
Colocar as tarifas em um patamar alto logo de início também gera uma pressão importante para se chegar a um acordo final vantajoso, já que uma diminuição das taxas será vista como uma vitória para o outro país, mesmo que ela permaneça mais alta do que de início.
Negocie com base na força
Se você possui algo que a outra parte quer ou precisa, use isso a seu favor, diz Trump: “A melhor coisa que você pode fazer é negociar com base na força; poder de barganha é a maior força que você pode ter. Esse poder é ter algo que o outro quer. Ou, melhor ainda, precisa. Ou, melhor ainda, simplesmente não consegue viver sem”.
No caso das tarifas, Trump usa a seu favor o fato de controlar o acesso a um dos maiores mercados consumidor do mundo, os EUA.
Divulgue seu negócio
Trump dá ênfase à atenção que recebe e à publicidade que isso gera. No livro, ele afirma que gerar interesse e entusiasmo por um negócio ou produto por meio de relações públicas é importante. O republicano acredita que os benefícios de ser noticiado muitas vezes superam as desvantagens, mesmo que a opinião pública seja crítica.
Seja ‘durão’ e sempre revide
Na “Arte do Negócio”, Trump afirma que aprendeu a ser firme com seu pai, Fred, que deu início à fortuna da família atuando no ramo imobiliário.
Caso você se sinta tratado de forma injusta, ensina o livro, revide de maneira implacável. De acordo com biógrafos de Trump, apesar de isso não estar explícito na obra, esta foi uma lição aprendida com um de seus principais mentores, o advogado Ray Cohn, definido como “um cara que não tinha medo de uma briga”.
A postura de se colocar como uma figura “durona” e de agir de maneira agressiva em defesa própria fica clara nos discursos do presidentes sobre o “tarifaço”: Trump afirma que as taxações são uma forma de impedir que os países, supostamente, sigam “levando vantagem” sobre os EUA.
Acredite nos seus instintos
Uma outra ideia repisada no livro é a confiança que Trump tem em si mesmo e nas suas decisões, mesmo que elas não sejam completamente racionais. “Às vezes compensa ser um pouco agressivo”, ele escreve, ao descrever uma de suas negociações.
Para analistas, isso pode explicar as decisões caóticas da gestão Trump na Casa Branca.

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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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