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Economia

Renda maior, emprego forte e dívida crescente: por que o consumo segue forte mesmo com juros altos?

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Funcionários de boteco na Vila Madalena.
Marcelo Brandt/G1
A economia brasileira vive um fenômeno que desafia as previsões econômicas. A taxa básica de juros começou a cair depois de atingir o maior patamar em 20 anos, enquanto a população enfrentava níveis recordes de endividamento e inadimplência.
Economistas esperavam um freio da atividade econômica já no primeiro trimestre de 2026. O Produto Interno Bruto (PIB) mostrou, contudo, um avanço do consumo das famílias no período: alta de 1% em relação ao trimestre anterior e de 1,7% contra o mesmo período do ano passado.
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Segundo especialistas, o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda das famílias — tanto pelo emprego quanto por políticas públicas de transferência de renda — ajudam a explicar esse cenário.
A taxa de desemprego no trimestre encerrado em abril foi de 5,8%, menor patamar para o período na série histórica do Instituto Brasileirao de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período, o rendimento real habitual dos trabalhadores foi de R$ 3.732, valor 5,3% maior do que um ano antes.
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“As pessoas precisam permanecer inseridas no mercado de trabalho para dar conta do consumo. Isso faz com que o mercado reaja aos efeitos adversos, como a taxa de juros, com certa sustentabilidade”, afirmou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE.
Junto ao mercado de trabalho forte, o aumento real do salário mínimo, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o alívio de dívidas promovido pelo Desenrola 2.0 foram algumas políticas públicas que mantiveram o ganho de renda da população.
“Tivemos, ao longo dos anos, uma série de transferências de renda. Esse dinheiro vai direto para o consumo imediato, como alimentação, vestuário e serviços”, afirma André Sacconato, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Segundo especialistas, esse perfil de consumo também reflete a crescente digitalização da economia. Parte do avanço do setor de serviços está ligada a áreas como tecnologia, internet e telefonia.
De acordo com Juliana Trece, coordenadora do núcleo de contas nacionais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), outros segmentos que impulsionam o consumo são bares, restaurantes e viagens.
“O curioso é que, mesmo com juros elevados, os bens duráveis — que normalmente crescem menos nesse cenário — seguem avançando, com destaque para o aumento do consumo de automóveis importados, especialmente híbridos e elétricos. Já entre os bens não duráveis, há maior consumo de itens essenciais”, diz.

Consumo em alta esbarra no avanço das dívidas
Ainda que a economia envie sinais positivos, especialistas alertam para o nível de endividamento das famílias. Os dados mais recentes do Banco Central (BC) mostram que o indicador chegou a 49,8% em março, alta de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2025.
“A classe média está pressionada porque tem um consumo maior sustentado pelo crédito, que está cada vez mais caro”, afirma Sacconato, da FecomercioSP.
O levantamento do BC também mostra aumento importante da inadimplência em quase todas as modalidades de crédito para pessoas físicas. Nas linhas com recursos livres — aquelas em que taxas e condições são definidas pelos bancos — o calote chegou a 7,2%.
🔎 A inadimplência é especialmente grave porque representa o percentual das operações de crédito com atraso superior a 90 dias em relação ao saldo total. O resultado mais recente mostra aumento de 1,2 ponto percentual em relação a abril de 2025 (6%).
“A classe média não consegue consumir hoje como consumia anos atrás. O modelo econômico atual, baseado em transferências de renda, não é sustentável porque, no fim, aumenta o endividamento, a inadimplência e a necessidade de manter juros elevados por mais tempo”, diz Sacconato.
Renda recorde e desemprego baixo: por que o brasileiro segue endividado, mesmo ganhando mais?
Consumo deve seguir em alta?
Mesmo com a perspectiva de juros e inflação elevados nos próximos meses, especialistas avaliam que o consumo das famílias deve continuar crescendo neste ano.
Segundo Juliana Trece, a projeção do FGV Ibre é que o consumo das famílias encerre o ano com alta de 2,2%, acima do crescimento de 1,3% registrado no ano passado.
“A gente sabe que o BC deve ser cada vez mais cauteloso nos cortes de juros. O mercado de trabalho aquecido ainda deve contribuir e, como se trata de um ano eleitoral, é possível que haja novos estímulos por meio de programas de transferência de renda”, afirma a economista.

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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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