Economia
Risco de quebra, colapso no setor e prejuízos à economia: o que diz a Americanas para pedir recuperação judicial
Justiça aceitou pedido nesta tarde. Com isso, companhia entra em ‘prazo de blindagem’ e tem dívidas suspensas por 180 dias para que consiga negociar com credores. Unidade das Lojas Americanas, em Sorocaba (SP), fechada após expediente
Eduardo Ribeiro Jr./g1
A Americanas entrou com um pedido de recuperação judicial nesta quinta-feira (19), aceito pela Justiça no fim da tarde.
As dívidas da empresa somam R$ 43 bilhões, divididas entre aproximadamente 16,3 mil credores. Com o pedido aceito, a companhia entra em “prazo de blindagem” e tem dívidas suspensas por 180 dias para que consiga negociar com os credores.
A empresa varejista elencou uma série de motivos para justificar o pedido de recuperação judicial. Entre eles, cita a consolidação da marca entre os brasileiros e até a presença no “Big Brother Brasil” como exemplo disso.
Abaixo, separamos os argumentos da Americanas em quatro blocos.
Primeiro, a empresa explica por que fez o pedido com tanta urgência:
Evitar danos ao caixa: o texto diz que a medida é imprescindível para “evitar danos irreversíveis” ao caixa da companhia e diz que alguns credores “tomaram medidas” que levaram ao “esvaziamento do caixa” da empresa por meio da declaração de vencimento antecipado das dívidas e, assim, segundo o documento, “fecharam as portas para qualquer negociação amigável”.
Valores não foram devolvidos: Mesmo com a decisão judicial obrigando que os credores devolvessem os valores que obtiveram da companhia por conta do fato relevante, ela diz que isso não aconteceu.
Capital de giro minguado: A empresa diz que, porque as agências de classificação de risco baixaram sua nota, os bancos “se negaram a adiantar recebíveis de cartão de crédito”, o que, segundo ela, “drenou mais de R$ 3 bilhões do caixa”.
Queda nas ações: o documento cita a queda “histórica” de mais 80% do valor de mercado da empresa em menos de uma semana.
Por tudo isso, ela alega que “viu-se sem saída”: se a recuperação judicial não acontecesse, ela correria risco de quebrar.
Depois, passa contextualizar a dificuldade financeira que enfrenta:
O documento diz que a operação do grupo “sempre foi saudável”, pelo menos até semana passada – antes, portanto, de ter revelado as inconsistências contábeis. Depois disso, ela diz que “as requerentes viram seu caixa e expectativas de faturamento ruírem em questão de minutos”.
Cita que a estimativa do valor das inconsistências está na ordem de R$ 20 bilhões, o que pode elevar o endividamento do grupo para R$ 40 bilhões, aproximadamente. No mesmo documento, a empresa ainda cita que o valor total das dívidas da empresa é de R$ 43 bilhões.
No texto, a empresa afirmou que “precisa do apoio e da compreensão do Poder Judiciário e dos credores para superar essa crise” e explica que todo o colapso financeiro se deu após ter revelado ao mercado as inconsistências contábeis, destacando que “ainda é cedo para precisar o que aconteceu e quem são os efetivos responsáveis”.
Apesar de tudo isso, a companhia afirma que sua operação ainda é viável:
Segundo o documento, “a crise de fluxo de caixa vivenciada é momentânea, passageira e certamente será superada”. Isso porque, segundo a empresa, “a receita líquida da Companhia, até o 3º trimestre de 2022, girava em torno de R$ 27 bilhões, sendo o EBITDA ajustado de R$ 3,157 bilhões”.
Já as dívidas (sem as inconsistências) somam R$ 20,7 bilhões, dos quais 89% são de longo prazo. Portanto, segundo o documento, o valor do caixa era maior do que o valor das dívidas de curto prazo.
O grupo tinha expectativa de melhorar o desempenho neste ano, com base em resultados positivos que obteve no terceiro trimestre do ano passado. Ela cita principalmente a fintech AME, de cashback.
Por fim, cita os impactos que uma eventual quebra poderia ter:
Geração de empregos: o documento cita a Americanas como “fonte produtora” que gera mais de 100 mil empregos diretos e indiretos.
Preservação dos acionistas: cita também a “necessidade de preservação dos interesses dos quase 150 mil acionistas”.
Colapso no setor: a empresa diz que a quebra poderia gerar “colapso da já tradicional e consolidada cadeia de produção no Brasil” e para “os mais de 50 milhões de consumidores que se valem dos serviços prestados pelo grupo”. Ela cita desde o preço do ovo de páscoa (e alega que é “a maior varejista desses produtos no mundo”) até o sistema de entrega em comunidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Sustentabilidade de parceiros e fornecedores: um dos argumentos da empresa é que “diversos setores econômicos” dependem de sua operação. Ela cita os empresários e empreendedores que usam seu marketplace e também os fornecedores.
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Entenda o caso
O escândalo contábil da Americanas começou na semana passada, quando a empresa informou que havia descoberto “inconsistências em lançamentos contábeis” no valor de R$ 20 bilhões.
Com isso, o então presidente da companhia, Sergio Rial, e o diretor de relações com investidores, André Covre, decidiram deixar a companhia, menos de dez dias após serem empossados.
Desde então, a companhia viu as ações derreterem na bolsa de valores brasileira, perdendo mais de R$ 8 bilhões em valor de mercado em apenas dois dias. Veja a cronologia dos fatos.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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